6 pontos para pensar antes de abrir sua empresa

Por Redação

O sonho de muitas pessoas é um dia conseguir abrir sua própria empresa, ser seu próprio chefe e ter seus próprios funcionários, não é mesmo? E depois de bastante trabalho, estudos e esforço, boa parte dos que conseguem criar seu próprio negócio acabam descobrindo que as coisas são muito mais difíceis do que se imaginava no princípio. O resultado? Muitos novos empresários acabam desistindo de seu empreendimento enquanto ainda estão dando os primeiros passos.

Pensando nesse tipo de situação, a revista Forbes publicou um artigo listando seis pontos que ninguém costuma avisar (mas deveriam) aos novíssimos empreendedores a respeito dos percalços que eles provavelmente enfrentarão enquanto tentam fazer sua companhia ir para frente.

A especialista que elaborou o artigo se chama Mandela Schumacher-Hodge, executiva que apareceu em uma lista da Forbes em 2014 com os 30 empreendedores de destaque no segmento educativo com menos de 30 anos de idade. No ano passado, apresentou uma palestra sobre empreendedorismo na Educação pelo TEDx, e recentemente duas de suas publicações sobre startups apareceram no “Top 20” do Medium.

1. Você será péssimo como seu próprio chefe (ao menos no início)

A ideia de você mesmo ser seu chefe pode parecer sedutora à primeira vista, mas basta um pouquinho de reflexão para entender que ser o próprio chefe não significa não precisar mais obedecer às ordens de terceiros sem questionar, ou ser livre para agir como bem entender. Na verdade, a responsabilidade de liderar uma empresa é muito maior do que os funcionários imaginam.

executivo

O que muitos que chegaram lá não contam é que há uma quantidade imensa de trabalho para fazer por conta própria. “Líderes de companhias de sucesso não apenas acontecem; eles são feitos”, diz a expert. Isso porque os novos empresários não seguirão instruções prontinhas no início do expediente de uma segunda-feira, por exemplo; eles são seus chefes e, portanto, deverão estudar o assunto, elaborar a estratégia e seguir o planejado por conta própria.

Enquanto líder de uma companhia, é preciso pensar constantemente em tudo o que diz respeito ao negócio - funcionários, clientes, parceiros, investidores, advogados, contadores, etc. Ou seja, ser o próprio chefe exigirá de você uma quantidade incrível de horas dedicadas ao negócio (incluindo momentos fora do expediente), muita disciplina, sacrifício e dedicação. E convenhamos, ninguém (ou quase ninguém) já vem equipado com esses atributos “de fábrica”, sendo necessário tempo para aperfeiçoá-los,

2. Talvez você surte

estresse

“Ser o fundador de uma empresa é incrivelmente difícil. É tão difícil que, na verdade, é absolutamente normal e OK sentir-se sobrecarregado por toda a pressão para fazer tudo direito e rapidamente com a menor quantidade possível de erros”, explica Schumacher-Hodge. Com isso em mente, a expert ordenou uma lista de coisas a se fazer para construir uma companhia de sucesso:

  • Identificar o problema;
  • Pesquisar;
  • Planejar;
  • Elaborar estratégias;
  • Construir;
  • Criar protótipos;
  • Fazer networking;
  • Recrutar profissionais necessários;
  • Posicionar-se;
  • Administrar;
  • Desenvolver;
  • Testar;
  • Confirmar;
  • Arrecadar fundos;
  • Medir resultados.

Com tantas etapas exigindo tanta responsabilidade, “surtos” são extremamente comuns no universo das startups e, portanto, é preciso se preparar para saber lidar quando a sensação de sobrecarga chegar próximo do limite do suportável. E também é importante tentar manter a calma e saber que você não está sozinho: há centenas, ou ainda milhares de outros empresários que já passaram ou estão passando pelas mesmas dificuldades.

3. Seus relacionamentos pessoais, familiares e profissionais podem ser abalados

É quase certo que, após se tornar um empresário, as relações e conexões de sua vida acabarão se transformando com o tempo. Afinal, a partir do momento em que seu tempo livre passa a ser dedicado para atividades profissionais, amigos, parceiros e até mesmo parentes podem sentir como se estivessem deixados de lado e acabarão se afastando.

empresário infeliz

“Abrir uma companhia significa que você está entrando em uma ‘central do sacrifício’, e ter sucesso exige que você mude sua vida de maneiras bastante significativas”, opinou Mandela. Seu conselho? Encontrar um meio termo entre a dedicação ao novo negócio e a manutenção de seus compromissos sociais, afetivos e familiares. Vai ser difícil, certamente, mas é possível.

4. Será especialmente difícil para quem não se conhece lá muito bem

“Ao abrir um negócio, se você não tiver um bom senso de quem você é, quem você quer ser e por que você está escolhendo esse modo de chegar lá, você estará mais suscetível aos elementos ásperos desse caminho”, diz a especialista em empreendedorismo.

empresário estressado

De acordo com Mandela, quem ainda não se entendeu muito bem acaba não sabendo exatamente o que quer da vida, e acabará “dando murro em ponta de faca” no meio do caminho enquanto tenta atingir um objetivo que, quando alcançado, não o fará feliz. Afinal, não era exatamente aquilo o que a pessoa queria - mas ela só descobriu isso quando chegou lá.

Ela recomenda uma boa conversa consigo, com um tanto de autoanálise para descobrir o que é importante para sua vida em um nível profundamente pessoal. Afinal, são essas coisas que servirão como motivação para que os desafios sejam superados.

5. As coisas podem levar muito mais tempo do que você imagina

Enquanto o futuro empresário está estudando o mercado e traçando metas e objetivos, suas previsões podem ser um tanto quanto otimistas. Quer dizer, enquanto em seus planos a nova companhia lançará um produto ou serviço em um tempo “x” preestabelecido, na prática esse tempo pode demorar muito mais do que o imaginado. E isso é perfeitamente normal, sem que signifique necessariamente uma falha no planejamento.

sobrecarga de trabalho

Mandela usa a Apple como exemplo: fundada em 1976, a companhia não ganhou destaque no mercado por pelo menos oito anos de existência, até que o primeiro Macintosh fosse inventado e lançado. Mas, usando um exemplo mais atual, o Pinterest levou pelo menos três anos para ter uma base considerável de usuários, sendo que seu fundador, Ben Silbermann, decidiu abandonar seu emprego no Google em 2008 e passou dois anos investindo em um aplicativo chamado Tote, que não foi para frente.

Histórias como essas duas podem ser contadas aos montes e isso significa que construir uma companhia de sucesso exige tempo (e paciência). E esse tempo normalmente acaba se mostrando muito maior do que o desejado durante a fase de planejamento.

Então a especialista dá o seguinte conselho: “qualquer número que você tenha em mente sobre os anos que levarão para você chegar aonde deseja, você talvez devesse dobrá-lo ou triplicá-lo”. Lembre-se que a corrida pelo sucesso empresarial não é uma arrancada - mas sim, uma maratona repleta de modalidades diferentes.

6. Pode ser que você falhe

Dentro de três anos, 92% das startups falham. Esse dado foi coletado e publicado em um estudo conduzido pela Startup Genome, uma organização não governamental voltada para esse mercado. Ou seja: a cada 100 novos empresários, apenas oito serão bem-sucedidos - de acordo com as estatísticas.

empresário fracassado

Mas não deixe essas chances derrubarem sua investida antes mesmo de a ideia sair do papel: são justamente essas poucas histórias de sucesso que mantêm a indústria viva, renovando as esperanças e motivações dos novos empresários. “As histórias de sucesso nos fazem acreditar que o impossível é possível, e que o risco vale a recompensa”, completa a executiva.

Fonte: Forbes