Quais as lições de operação de startups para empresas tradicionais?

Por Rafael Romer | 19 de Maio de 2016 às 10h02
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Startups, em geral, são vistas pelo mercado como sinônimo de agilidade, simplicidade e de produtos inovadores. Do outro lado do balcão, no entanto, para muitas pequenas, médias e até grandes empresas, essas queridinhas do mundo da tecnologia são encaradas como verdadeiras ameaças pelos mesmos motivos. Com modelos de negócio e serviços disruptivos, muitas startups hoje têm potencial para tornar operações "tradicionais" obsoletas em pouco tempo.

São vários os exemplos dessa relação de amor e ódio de várias indústrias com startups: desde o cabo de guerra entre o Uber e taxistas ou a resistência do setor hoteleiro ao Airbnb, até a preocupação de financeiras e seguradoras com o crescimento atual das chamadas Fintechs e das operadoras de telefonia com serviços como o WhatsApp.

Mas a realidade é que qualquer empresa tradicional, por mais engessada que possa ser, pode olhar para as startups não como inimigas, mas como referências para o aprendizado de como criar um potencial de inovação e disrupção "domésticas" em seus próprios ambientes corporativos.

"A grande questão é a cultura", comentou Daniel Hatkoff, CEO e fundador da Pitzi, uma startup que funciona como um clube de proteção de celulares contra acidentes, durante um debate entre startups na tarde desta quarta-feira (18), no Salesforce World Tour, que buscou indicar algumas das características de startups que podem ser importadas por empresas tradicionais. "Muitas empresas grandes tentam se aproximar de startups para copiar alguns elementos, mas não conseguem ter o elemento-chave, que é a cultura".

Trazer a mentalidade de startup para uma empresa que nunca atuou dessa forma pode ser um desafio considerável, mas os próprios empreendedores indicam algumas formas de como essa cultura pode ser introduzida em outras empresas e seus colaboradores. Promover eventos internos, como hackathons, ou até participar de Startup Weekends, por exemplo, são atividades que forçam os participantes a enfrentar problemas e criar soluções com agilidade e criatividade, trazendo elementos da cultura de statups para dentro do ambiente corporativo.

A comunicação aberta e o livre fluxo de ideias e informações também são essenciais para o desenvolvimento de uma cultura interna de inovação e podem ser estimulados de diversas formas dentro das organizações: desde incentivos para que colaboradores trabalhem em projetos paralelos uns com os outros até um time interno responsável por inovações graduais. A importância, segundo os startupers, é garantir que funcionários da empresa possam expor suas próprias ideias de negócio para a companhia.

"Em uma empresa grande, com muitos processos estruturados, uma ideia pode demorar muito tempo para subir [para os tomadores de decisão]", avalia Eduardo LHotellier, CEO da GetNinjas. "Ter um ambiente mais agradável, com circulação de ideias, é um ganho maior do que os ganhos da gestão tradicional".

Para Guilherme Junqueira, vice-presidente da Associação Brasileira de Startups (ABS), outra característica importante, que garante o ambiente dinâmico em startups, é a tendência de os profissionais dessas empresas se sentirem mais engajados com seu trabalho do que funcionários de grandes empresas, em grande parte pela maior autonomia que possuem.

Para estimular o engajamento, Junqueira sugere a adoção de novas organizações hierárquicas que fogem do padrão tradicional, citando tendências como a "holocracia", um modelo que visa empoderar colaboradores e fazer times funcionarem com mais autonomia dentro das empresas. "As startups têm uma cultura diferente, do poder na ponta. Nenhuma empresa consegue dar tanto poder na ponta, tanta autonomia, para quem está lá no dia-a-dia, que é a forma mais eficaz", explica.

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