O lado B de se montar uma startup

Por Colaborador externo | 29 de Setembro de 2015 às 17h00

Por Luiz Alexandre Castanha*

Imagine a seguinte situação: você está sozinho, em uma ilha deserta, sem maneira de fazer qualquer contato, sem lugar para se abrigar, dormir ou conseguir comida. Terá que pensar em como resolver os problemas sem nada em mãos, como no reality show norte-americano, Largados e Pelados, transmitido pela Discovery Channel. A série, que já está em sua terceira temporada, coloca os participantes no limite da sobrevivência e testa a habilidade de cada um, de conseguir ficar vinte e um dias sem nenhuma estrutura em algum lugar deserto e inabitado. Já pensou em como você reagiria a essa situação? Como lidar com o caos em um mundo com tantas facilidades e situações já solucionadas

Pode parecer loucura, mas é assim que penso quando falo do mundo dos negócios. Quando uma pessoa quer abrir uma startup e conseguir fazer o negócio prosperar, precisa ter algumas habilidades e saber lidar com situações adversas, encontrando soluções quando tudo parece impossível, como na nossa situação hipotética.

O empreendedor tem que gostar de desconforto. Da ausência de comodidade, de aflição e mal estar. Afinal é preciso se incomodar com as situações para gerar mudanças, inovar e arriscar. Você gosta da ideia de se hospedar em hotéis luxuosos, conhecer praias paradisíacas e comer nos melhores restaurantes? Pois saiba que não é assim. Os donos de startup sabem e gostam de lidar com situações que geram desconforto e não têm medo disso. É preciso desenvolver a resiliência para lidar com estas situações.

Voltando à ilha deserta. Já pensou que para cozinhar a própria comida vai ter que conseguir fogo com apenas alguns gravetos? Que talvez as plantas se tornem roupas para proteger do frio e que você precise “caçar” sua comida? Aqui falamos de uma das principais características do empreendedor: ter visão. O empreendedor percebe as oportunidades que existem nas coisas mais banais e rotineiras do dia e a dia e da sociedade e consegue transformar simples ideias ou situações adversas em negócios efetivos. Fazer o que todos fazem é muito fácil, tem que fazer diferente e melhor.

E que tal formiga para o jantar? Não se assuste, é isso mesmo. Seu corpo precisa de proteína e a formiga passa a ser uma ótima opção. E convenhamos, isso não é lá o tipo de coisa que você aprende no colégio, nem na faculdade e nem nos melhores mestrados do mundo. O que te ensina esse tipo de coisa é a Escola da Vida. Em muitas situações, de nada vale falar cinco línguas e ter dez diplomas. A formiga não liga para o seu currículo, nem fala francês. Brincadeiras à parte, em uma startup, é fundamental explorar o potencial das situações mais adversas. Ou seja, saber lidar com circunstâncias que só a Escola da Vida nos proporciona.

O mercado é como a lei da sobrevivência: “só os fortes sobrevivem”. Por isso, em qualquer situação é preciso saber pensar rápido, agir da maneira certa, no momento exato. Mais do que isso: ter qualidade e agilidade em suas ações. No fim das contas, vence o mais rápido.

Não posso deixar de citar outro fator extremamente determinante para empreendedores de sucesso: ter paixão pelo que faz. Não importa se você é um médico, jornalista, eletricista ou empresário. Sem paixão você não vai chegar a lugar nenhum. Quem realmente gosta do que faz tem um diferencial único para o mercado de trabalho.

Para finalizar, nunca podemos desconsiderar que todo e qualquer feedback ou opinião influenciam no negócio, por mais absurdos que pareçam. O empreendedor precisa sabe ouvir sempre o cliente ou o colaborador e nunca despreza comentários, insights e críticas. Ele deve ter critério para avaliar se dá 100% de atenção, 10% ou até 1%, mas NUNCA pode desconsiderar o comentário e dar 0% de atenção. Entender de pessoas e relacionamentos, ter capacidade de ouvir, se expressar e criar empatia é essencial no desenvolvimento de negócios promissores.

Empreender não é uma tarefa fácil e exige muito mais do que uma boa formação acadêmica e recursos para investimento. Na verdade, por mais que tudo isso seja realmente importante, acaba sendo uma pequena parcela diante das características e habilidades que um bom empreendedor precisa ter para ser diferenciado e ter o tão sonhado sucesso.

*Luiz Alexandre Castanha, administrador de Empresas com especialização em Gestão de Conhecimento e Storytelling aplicado a Educação, atua em cargos executivos na área de Educação há mais de 10 anos.

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