Modelo idealizado pela Uber em 2008 mostra que aquela empresa não existe mais

Por Redação | 23 de Agosto de 2017 às 18h05

A Uber como foi concebida não existe mais. Nove anos depois daquele agosto de 2008, quando surgiu para o mundo, a empresa atualmente está irreconhecível se comparada com a sua encarnação original.

Hoje, a Uber é uma empresa global com um crescente negócio de entrega de alimentos sob demanda, um braço de condução autônoma que vai se consolidando e que gradualmente vem se afastando da promoção de seu serviço de luxo em alguns mercados.

Esse perfil contrasta radicalmente com o que a empresa — originalmente chamada de UberCab — foi criada para ser. Em seu primeiro pitch, o cofundador e membro do conselho Garrett Camp e o futuro CEO Travis Kalanick chamaram a UberCab de os "NetJets de serviços automotivos" — referindo-se à empresa norte-americana de táxi aéreo e jatos executivos.

A capa do picth do Uber, então UberCab, feito em 2008

A empresa foi criada originalmente para ser uma alternativa mais rápida e luxuosa aos táxis. Somente membros poderiam usar os carros da Uber, que teria uma frota de sedãs da Mercedes para atender "profissionais das cidades americanas".  A ideia é que apenas convidados poderiam usufruir dos serviços exclusivos.

Aquele modelo de negócios, que os fundadores acreditaram ser capaz de gerar receita de até US$ 1 bilhão por ano e lucro de US$ 20 milhões, não é o que a Uber que muitos consumidores conhecem hoje usa.

Entre os resultados esperados, receita de US$ 1 bilhão por ano
O pitch sugeria usos para a então UberCab

Rentabilidade em cheque

Embora hoje o negócio e as receitas continuem a crescer, a rentabilidade global da Uber continua sendo um problema em alguns mercados. Na Índia, a empresa ainda está enfrentando uma guerra terrestre e cara contra uma forte concorrente, a Ola. Já nos Estados Unidos, a Uber começou a ceder terreno à sua rival Lyft.

A Uber está fazendo cortes cirúrgicos e, recentemente fundiu suas operações na Europa com a Yandex, outra concorrente.

Por outro lado, a empresa continuou a expandir os tipos de carros que constam na sua plataforma a fim de atrair mais motoristas. A Uber não é mais a experiência do motorista que UberCab pretendia ser. A "base de clientes" da empresa — seus passageiros — também não são todos profissionais nas cidades americanas.

Na verdade, a Uber se desenvolveu como uma solução de transporte acessível que funciona ao lado do transporte público em algumas cidades. O Brasil é um bom exemplo dessa tendência.

Curiosamente, no entanto, o pitch de 2008 toca brevemente em uma parte integrante do modelo de negócios da Uber: UberPool, serviço de compartilhamento de carro com outros passageiros. Esse modelo só foi lançado em 2014 e ainda assim é mencionado duas vezes naquela apresentação. Em uma delas, surge como um benefício ambiental que os passageiros seriam incentivados a optar para reduzir custos.

O slide que trata das futuras otimizações, com a indicação de compra de carros

O pitch indica também que a empresa esperava ser dona dos carros da sua frota. Porém, os motoristas não são funcionários e a empresa não é proprietária dos carros. Mas os passos listados na apresentação incluíam a compra de carros usados como uma otimização futura.

O pitch completo está disponível no Scribd, em inglês.

Fonte: Recode