Imigrantes fundaram mais da metade das startups bilionárias dos EUA

Por Redação | 09.05.2016 às 09:27 - atualizado em 09.05.2016 às 09:39

Um novo estudo de empreendedorismo destacou a inovação na indústria de tecnologia norte-americana impulsionada pelos imigrantes. A pesquisa da National Foundation for American Policy mostrou que foram os imigrantes que começaram mais da metade das startups com base nos EUA com valor de mercado estimado em US$1 bilhão ou mais.

Das empresas que fazem parte do estudo, 44 foram fundadas por imigrantes e, juntas, elas valem o equivalente a US$ 168 bilhões, gerando uma média de 760 empregos por empresa. O estudo ainda estima que imigrantes ocupam 70% de cargos-chave ou de desenvolvimento de produtos nessas companhias.

Ao todo, foram examinadas 87 empresas avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais, e os autores do estudo utilizaram dados públicos e informações das empresas para criar um perfil biográfico de seus fundadores. As três companhias mais valiosas fundadas por imigrantes incluem nomes de peso como o Uber Technologies, a empresa de data-software Palantir Technologies e a fabricantes de foguetes Space Exploration Technologies

Stuart Anderson, um dos responsáveis pela pesquisa, disse que os resultados mostraram que a economia dos EUA pode se beneficiar dos talentos de empreendedores estrangeiros, ainda mais se a política de obtenção de visto de trabalho fosse mais fácil.

Grandes personalidades do setor de tecnologia, como Mark Zuckerberg e Bill Gates, já pediram o aumento na liberação de vistos que permitem trabalhadores estrangeiros a ficar no país. A imigração beneficia a comunidade de tecnologia, mas a burocracia do visto acaba dificultando a contratação de profissionais estrangeiros e a imigração de empreendedores que pretendem começar um negócio nos EUA.

O processo para conseguir esse tipo de visto é longo e burocrático e só são liberados 85 mil por ano. 65 mil são separados para trabalhadores estrangeiros que estão aplicando para o visto pela primeira vez e os 20 mil restantes são destinados a estudantes estrangeiros graduandos em universidades norte-americanas. De acordo com o serviço de imigração, em 2015, os vistos se esgotaram em apenas uma semana. Estima-se que 233 mil pessoas aplicaram para tentar receber o visto de trabalho.

Anderson também alega que abrir um negócio antes de conseguir o visto é bem arriscado, e na maioria dos casos os imigrantes só conseguem prosperar em seus empreendimentos depois de conseguir o visto permanente e o Green Card. "Quem iria investir em uma companhia cujo fundador pode ter a permissão de ficar nos EUA negada?", questiona.

Foi o que aconteceu com Jyoti Bansal, fundador da AppDynamics, startup avaliada em US$ 1,9 bilhão. Ele disse que teve de esperar sete anos para obter seu visto de permanência de seu empregador e não pôde deixar seu antigo emprego para começar seu novo negócio, pois era incerto se o visto continuaria a valer ou não.

Novas leis vêm sendo apresentadas para tentar resolver esse problema, mas a política de imigração dos EUA está praticamente estagnada. Em 2015, foi apresentado um projeto de lei que garantia ao empreendedor um Green Card válido por 2 anos, podendo ser revogado caso os requerimentos financeiros e a geração de empregos não tenham atingido as metas previstas. Se fosse aprovado, o projeto de lei poderia gerar entre 1 a 3,2 milhões de empregos nos próximos 10 anos.

Via: The Wall Street Journal