Ex-CEO da Mozilla levanta US$ 35 milhões em startup de moedas virtuais

Por Redação | 01.06.2017 às 12:01

No que pode ser o projeto de investimento coletivo mais rápido da história, o ex-CEO da Mozilla, Brendan Eich, levou 30 segundos para levantar nada menos do que US$ 35 milhões para sua startup, a Brave. Ele deseja criar um sistema de publicidade online que se aproveite da segurança e versatilidade da blockchain, a arquitetura que registra todas as transações feitas com moedas virtuais.

Para obter isso, ele criou o seu próprio criptodinheiro, o BAT (Basic Attention Token) e realizou o que já vem sendo chamado de ICO, ou “Initial Coin Offering”, uma abertura de capital semelhante à de ações na Bolsa. A ideia é parecida, com o potencial de uma empresa sendo avaliado pelo desempenho na venda de ativos, que nesse caso são as primeiras remessas efetivas das moedas virtuais.

Como parte da campanha de levantamento de capital, Eich vendeu um bilhão de BATs, com outras 500 milhões armazenadas pela Brave para desenvolvimento do ecossistema e criação de uma base de usuários. O resultado da empreitada foi a maior ICO já realizada, tornando a startup um dos nomes a se prestar atenção por investidores e entusiastas das moedas virtuais.

Prova disso é o fato de que apenas cinco pessoas foram as responsáveis pela compra de metade do lote inicial de moedas, sendo que o maior investidor colocou, sozinho, US$ 4,6 milhões na jogada. No total, 130 indivíduos participaram da oferta inicial de BATs, com suas identidades, claro, sendo mantidas em segredo.

No centro da questão está um novo sistema de gerenciamento e exposição de publicidade online. A Brave deseja usar a blockchain, espécie de livro de registros compartilhado por todos os usuários das moedas e verificado a cada transação, para evitar fraudes e realizar pagamentos de maneira mais fácil e rápida, com propagandas que podem ser configuradas para aparecerem nos veículos minutos após sua aquisição.

O sistema também quer contar com uma base de usuários finais significativa, incluindo programas de recompensas que envolvem, por exemplo, a simples leitura de um texto e compras tradicionais usando a moeda virtual. Por mais que os registros sejam públicos, a Brave promete mais privacidade no uso das BATs, além de uma geração mais rápida e tempos menores de carregamento e transação.

As iniciativas para o usuário final, entretanto, são a segunda fase desse trabalho, com a companhia afirmando que todo o dinheiro obtido por meio da ICO será usado no desenvolvimento e lançamento da plataforma de publicidade. Agora, a companhia espera contar com o apoio de seus investidores.

Até agora, o principal negócio da Brave era o navegador. Após sair da Mozilla em 2014 devido a críticas quanto à sua postura contrária ao casamento gay – que envolveu até mesmo doações a políticos que combatem a causa –, Eich fundou a startup, que, em agosto de 2016, obteve um investimento de US$ 4,5 milhões para desenvolvimento do browser, que promete uma navegação segura, leve e com anúncios bloqueados.

Sendo assim, chega a soar irônico que a empreitada da empresa seja, justamente, um sistema de publicidade. A diferença está na abordagem, com a Brave usando o sistema de blockchain para garantir que as propagandas sejam interessantes e, acima de tudo, certificadas sem se tornarem invasivas ou interferindo na navegação, gerando mais tempo de carregamento ou gasto de banda.

Fonte: TechCrunch