Do esporte para os negócios: pivot é estratégia para startups

Por Colaborador externo | 21 de Dezembro de 2016 às 19h48

*Por Armindo Mota Júnior, CEO e fundador da Wappa, empresa nacional de Gestão de Custos e Despesas para o mercado corporativo.

Abrir um negócio próprio é o sonho de muita gente. Embora o caminho para isso seja cheio de percalços e desafios, há quem chegue lá e só então perceba erros bem críticos no plano de negócio. Público-alvo errado, uma estratégia de venda mal direcionada ou mesmo a logística que não previu algumas variáveis podem colocar todo o projeto a perder. É aí que entra a visão do empreendedor, a força da ideia inicial do negócio e a mudança estratégica conhecida no mercado de startups como pivot.

O conceito nasceu no esporte e possui adaptações no futebol de salão e no basquete, por exemplo, e consiste em um movimento no qual o jogador, que está com a bola e um dos pés fixos no chão, gira em torno do próprio eixo para chegar à melhor jogada e ampliar as chances de gol ou cesta. Importado para o mundo dos negócios, o pivot tornou-se extremamente estratégico para startups. Sua adaptação para o mercado foi proposta por Eric Ries, empreendedor norteamericano que criou a metodologia “Lean Startup” (ou “startup enxuta” em tradução livre), que tem como premissa a eliminação constante de desperdícios e se baseia nos pilares Construir, Medir e Aprender. O pivot se encontra na segunda e terceira etapas, já que se trata de saber mensurar se o seu negócio está atingindo o potencial desejado e, caso contrário, aprender como fazer para que ele se torne mais eficiente.

Alguns exemplos reais de pivot são famosos e globais, como o You Tube – que surgiu para ser um site de namoros por vídeo e hoje é a maior referência mundial em plataforma de vídeo online, o Flickr, que antes de ser uma plataforma para troca de fotos tinha o objetivo de ser abrigar interações online para RPG, e o PayPal, que de uma empresa de troca de dinheiro virtual – restrita a dispositivos handheld (como o antigo PalmTop) – tornou-se a maior ferramenta de pagamentos da Internet em todo o mundo.

Mas há diversos exemplos de pivot brasileiros, e desses nem todo mundo já ouviu falar. São empresas de sucesso em segmentos bem específicos, e que em algum momento do início de suas operações precisaram parar, respirar, analisar novamente seus mercados e suas opções para chegar aonde chegaram. Um dos casos é o da Sambatech, que distribuía jogos de celular até que o fundador, Gustavo Caetano, percebeu que esse mercado na era escalável. Mudaram o foco do negócio e criaram uma plataforma online de gestão de vídeos. Cresceram tanto que ano passado anunciaram a criação da holding Samba Group. A ZeroPaper, quando lançada, tinha o objetivo de simplificar a contabilidade das empresas e reduzir a necessidade de papel. Para crescer, apostaram no desenvolvimento de um gerenciador financeiro online – que foi comprado pela TOTVS Ventures.

Outro caso é justamente o da empresa que lidero desde sua fundação, em 2001. A Wappa nasceu com a proposta de oferecer a empresas o pagamento de vale-refeição de funcionários via SMS ou WAP (antigo navegador para celulares, que caiu em desuso após o surgimento dos smartphones). A ideia foi muito bem recebida pelos potenciais clientes que tínhamos à época, mas um problema surgiu: nossa tecnologia estava bem à frente da realidade do mercado, e quando percebemos que não conseguiríamos escalar o negócio a ponto de contar com a parceria de mais de dois milhões de restaurantes espalhados pelo país, resolvemos aplicá-la em outro segmento, o de corridas de táxi corporativo – cujo pagamento, até então, funcionava à base de papel e gerava enorme prejuízo às empresas simplesmente porque era muito difícil de ser gerenciado e controlado. Esse foi o nosso pulo do gato. Hoje somos líderes no segmento corporativo com esse tipo de serviço e estamos evoluindo nosso posicionamento no sentido de nos tornarmos os maiores parceiros das corporações em gestão de custos e despesas.

Assim, é importante que os novos empreendedores saibam que é possível voltar atrás se o negócio não estiver dando certo por algum motivo. É claro que ninguém pretende errar, e o pivot sempre será resultado de um erro – é importante que isso fique claro – mas saber tirar disso um aprendizado e redirecioná-lo de forma a obter sucesso é uma possibilidade. Para isso, será necessário recuar e buscar um completo entendimento do seu mercado, de forma a corrigir a rota do negócio assertivamente. Se for o caso, consulte outras empresas, informe-se sobre este mercado e sobre suas milhões de possibilidades. Às vezes, você só precisa olhar melhor ao redor para fazer a melhor jogada.

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