Bancos e instituições financeiras já perdem terreno para startups

Por Redação | 15.10.2015 às 09:26

Já ouviu falar nas “fintechs”? Tratam-se de novíssimas startups que estão “tirando o sono” dos bancos tradicionais não somente no Brasil, mas em todo o mundo. Essas plataformas permitem realizar pagamentos, conseguir empréstimos e administrar seu dinheiro sem a necessidade de fazer contato com os bancos, que já estão atentos a essa tendência e estão tentando se aproximar das startups para não ficarem para trás num futuro próximo.

Conta corrente é coisa do passado?

Uma dessas startups é a Controly, criada pelo administrador de empresas Pedro Conrade, de 23 anos, depois de passar por uma série de insatisfações com bancos desde que abriu sua primeira conta-corrente. “Todo mundo tem que ir à agência para resolver qualquer problema. Nunca gostei disso”, contou o novo empresário em uma entrevista ao caderno Link, do Estadão. A Controly, então, surgiu para oferecer uma alternativa à conta corrente tradicional baseada em um cartão pré-pago com gastos gerenciados via aplicativo mobile.

Pedro Conrade

Pedro Conrade, administrador de empresas e criador da Controly (Reprodução: Daniel Teixeira/Estadão)

Então em vez de abrir uma conta no banco, o indivíduo pode simplesmente baixar o app, fazer um cadastro e receber o cartão via Correios. No lugar daquele extrato bancário em papel ou virtual, o app apresenta seus gastos em gráficos simples e fáceis de entender. Já para realizar transferências financeiras, é possível selecionar o destinatário a partir da sua agenda de contatos do celular, ou do Facebook, desde que a pessoa também seja usuário do app da Controly.

Outro diferencial do app é sua ferramenta para guardar dinheiro. “Os jovens são movidos por sonhos. Eles definem os objetivos e nós reservamos um pouco do saldo toda semana”, explica o desenvolvedor. Isso pode ser um grande aliado na hora de conseguir juntar aquele dinheirinho para um investimento a curto ou médio prazo, sem se preocupar em guardar por conta própria - o que, convenhamos, é uma dificuldade tremenda para muita gente.

Conrade explica também que o dinheiro de seus clientes é gerenciado pela Acesso Card, uma instituição financeira autorizada pelo Banco Central, ou seja, não há nenhuma irregularidade ou ilegalidade no serviço prestado. A startup já recebeu duas rodadas de investimentos, levantando cerca de R$ 4 milhões, e já reúne 3 mil usuários rumo à meta de 100 mil até 2017. Nos planos futuros está o investimento em infraestrutura e preparativos para atender a normas do Banco Central a fim de um dia se tornar uma instituição financeira.

Crédito e seguros pelo celular

Outra fintech que também vem se destacando no mercado é a Nubank, que oferece um cartão de crédito livre de taxas também vinculado a um app que mostra o extrato de compras realizadas na telinha do celular. O serviço foi criado há somente um ano, mas já reúne 600 mil interessados na fila de espera.

Nubank

Já a Bidu, criada em 2011, oferece a contratação de seguros em apenas 30 segundos. O que à primeira vista pode até parecer propaganda enganosa é, na verdade, fruto de uma parceria com grandes seguradoras atuantes no Brasil. “Oferecemos mais ou menos o que o Buscapé oferece para os sites de comércio eletrônico”, esclarece Maurício Antunes, diretor de marketing da startup.

Os gringos estão de olho

Por enquanto, a aposta de brasileiros em fintechs ainda está em fase inicial, começando timidamente. Atentas a essa oportunidade de mercado, empresas internacionais estão de olho no fértil terreno brasileiro de startups financeiras.

Uma delas é a alemã Kreditech, criada em 2012 e considerada uma das mais inovadoras deste segmento. Ela oferece empréstimos e cartões pré-pagos também gerenciados por aplicativos em smartphones e pretende trazer seu serviço para o Brasil até a metade de 2016. “Já temos parcerias com instituições financeiras locais para começar a operar e estamos em busca de um diretor no Brasil”, contou um porta-voz da startup ao Estadão, dando a dica para que executivos interessados se candidatem à função. A empresa já conta com 200 funcionários em nove países e já recebeu mais de € 300 milhões em investimentos.

E os bancos são espertos

Enquanto as instituições financeiras tradicionais já viram que interagir com as startups financeiras dará mais retorno do que tentar combatê-las, as fintechs topam parcerias visando validar seus negócios, ganhar experiência mais rapidamente e receber investimentos.

Por exemplo, o programa InovaBra, do Bradesco, promove a interação do banco com startups desde 2014. O programa dura 10 meses e permite, até mesmo, que o banco adquira parte da empresa, caso haja esse interesse. Já o Itaú Unibanco lançou no mês passado um espaço de co-work chamado Cubo, localizado em uma região nobre da zona sul paulistana. O local é capaz de abrigar até 50 startups (mesmo que não sejam fintechs) e acaba sendo um centro de empreendedorismo para esses novos negócios, oferecendo auditórios e salas para eventos em um terreno de mais de 5 mil metros quadrados.

Outros bancos como a Caixa Econômica e o Banco do Brasil ainda focam mais na inovação interna, mas sem fechar os olhos para o que está rolando do lado de fora. “É uma onda [o surgimento das fintechs] e nós queremos surfar nela. Estamos avaliando a melhor forma”, conta o gestor de inovação da Caixa, Rogério Saab, em entrevista ao Estadão.

Para o professor de empreendedorismo da FGV/SP, Newton Campos, as fintechs deverão continuar ganhando espaço e crescendo nos próximos anos. “Elas trazem processos menos burocráticos e mais baratos, com melhor experiência para o usuário”, motivo pelo qual as grandes empresas estão de olho e com portas já abertas a essas startups.

Fonte: Link/Estadão