Startup cria primeiro gateway de pagamentos com bitcoins no Brasil

Por Stephanie Hering | 27 de Maio de 2014 às 18h22

As bitcoins deixaram de ser febre do mundo da tecnologia, no entanto, ainda movimentam milhões diariamente. No Brasil, enquanto algumas empresas como Mercado Bitcoin e Bitcoin To You brigam pela disputa do câmbio da moeda virtual, surge uma startup que permite que a bitcoin seja um meio de pagamento: a PagCoin.

Criada em agosto do ano passado pelo pernambucano João Paulo Oliveira, a empresa oferece um gateway para pagamentos em bitcoins em e-commerces e até mesmo sites pessoais e blogs. Para isso, a PagCoin recebeu um investimento de R$ 200 mil, dividido entre a aceladora de startups Wayra e os fundadores da companhia.

Segundo o CEO, a implantação do sistema é simples. "Se o e-commerce usar o sistema da Magento ou um outro conhecido, é apenas um clique para o administrador instalar um programa com o gateway. Caso o site tenha uma plataforma própria ou menos popular, o time de desenvolvedores deve acessar nossa API. Porém, é um processo que pode ser resolvido em poucas horas", garante. Atualmente, 12 e-commerces já utilizam o gateway da PagCoin.

Ainda de acordo com João, o PagCoin não possui limite de pagamentos por mês e é mais econômico em comparação com outras formas de pagamento. A taxa cobrada é de 1% por transação, ante até 5% dos cartões de crédito.

Funcionamento e carteira virtual

Mas afinal, como funciona o processo? Basicamente, o e-commerce não chega a ter contato com as bitcoins. A PagCoin recebe o valor do produto em bitcoins, aprova a transação e, em seguida, repassa para a empresa em reais, diretamente na conta bancária do comerciante ou pessoa física.

"Nós assumimos todos os riscos de manter as bitcoins transferidas pelos usuários. Fazemos o acompanhamento das taxas de câmbio não só aqui, mas lá fora, e após converter a moeda, repassamos o valor", explica Oliveira. A startup afirma ainda que o depósito é feito em até 48 horas após a transação.

Mas ainda há mais uma questão. Quem usa bitcoins sabe que é preciso ter uma carteira virtual para armazenar a moeda. No caso da PagCoin, esse passo não é obrigatório. "Cada e-commerce possui sua carteira virtual própria em nosso sistema, porém, ela é criada automaticamente pelo PagCoin somente para controle das transações. Como o valor é repassado direto para o banco, nossos clientes nem chegam a utilizá-la", afirma o empresário.

Segurança

Sobre a questão da segurança, João é enfático. "O PagCoin é praticamente imune a ataques. Como nós processamos pagamentos em bitcoins do lojista e transferimos o dinheiro direto para uma conta previamente cadastrada, as brechas são quase zero", diz.

Segundo o site do PagCoin, a plataforma utiliza backup offline (também conhecido como cold storage), isto é, as transações são repassadas para carteiras desconectadas da internet. Além disso, o serviço usa criptografia de dados do tipo SSL 256 bits e verificação de dados, para evitar cadastros falsos ou duplicados.

Futuro

Para Oliveira, muitas empresas ainda têm receio da palavra bitcoin porque não conheceram de perto seus pontos positivos. "É uma tecnologia nova, e como tudo que é novo, gera uma desconfiança. O próprio cartão de crédito levou 50 anos para se consolidar, seja pelo receio ou pelas taxas, que muitas pessoas achavam altas. Leva um tempo para perceber as vantagens de uma alternativa", opina.

Contudo, o empresário acredita que em um futuro próximo, os pagamentos por bitcoin serão regra nos e-commerces mais conhecidos. "O cartão de crédito não foi feito para a internet. Ao usar essa forma de pagamento, o e-commerce tem acesso a todos os dados do cliente, o que permite que um funcionário mal-intencionado ou uma brecha de segurança exponha essas informações", afirma.

O PagCoin ainda promete lançar em agosto uma solução de carteira virtual, atendendo não só usuários, mas também estabelecimentos. Porém, de acordo com João, seu objetivo maior não é esse.

"O PagCoin também está sendo construído para a inclusão financeira de pessoas não bancarizadas. Acima de divulgar a bitcoin como forma de pagamento, nós queremos que ela se torne um modo de guardar dinheiro para pessoas, com segurança e taxas menores", completa.

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