Programa para startups quer tornar Minas Gerais pólo de inovação no país

Por Rafael Romer | 11.10.2013 às 15:10 - atualizado em 15.10.2013 às 01:13

Já conhecido por algumas iniciativas que promovem a tecnologia, como o San Pedro Valley e o Vale da Eletrônica, de Santa Rita do Sapucaí, o estado de Minas Gerais se prepara para dar seu próximo passo para se tornar mais um dos pólos de inovação no país. Até a próxima quinta-feira (17), empreendedores individuais ou grupos de até três pessoas poderão inscrever suas ideias no SEED, o novo programa de aceleração e desenvolvimento do ecossistema empreendedor do governo do estado.

"A grande proposta é fortalecer o nosso ecossistema a partir do desenvolvimento de uma cultura empreendedora aqui. O problema que a gente está querendo resolver é a questão dessa cultura ser embrionária não só em Minas Gerais, mas também no Brasil", explicou o diretor-presidente do Escritório de Prioridades Estratégicas do SEED, André Barrence, ao Canaltech Corporate.

O programa segue um modelo que se assemelha mais a iniciativas como o Startup Chile do que a outros projetos desenvolvidos por aqui, como o próprio Startup Brasil, do Governo Federal. Parte da proposta por trás do SEED é justamente facilitar o processo de inovação pela retirada de algumas barreiras burocráticas da frente dos empreendedores, um dos grandes motivos de críticas por parte de empreendedores e investidores que atuam no país. No SEED, por exemplo, será possível a inscrição de Pessoas Físicas, sem a necessidade de se abrir uma empresa ou de ter uma ideia já com CNPJ. Até o momento, cerca de 600 iniciativas de 15 países diferentes já se inscreveram no projeto.

Barrence diferencia, no entanto, o programa mineiro da contraparte chilena no aspecto da formação do empreendedor, que deverá ser muito mais voltada para a prática. "A ideia não é nada de teoria, mas sim, dos processos de uma startup e do desenvolvimento de um produto. O grande objetivo no final do processo de aceleração é chegar em um MVP", explica em referência a sigla em inglês para produto mínimo viável.

Além disso, os empreendores deverão frequentar espaços de co-working da região, se relacionar com integrantes do ecossistema de Belo Horizonte, além de participar de hackathons e desenvolver uma série de tarefas com a comunidade local, em um ambiente que Barrence classifica como de "forte de colaboração entre as startups". Parte do ecossistema da cidade, inclusive, já vem da própria iniciativa do San Pedro Valley, que transformou o bairro de São Pedro, na região centro-sul da capital mineira, em um polo de encontros e discussão de pessoas do mercado de startups, com grande presença empreendedores, startups, aceleradoras e fundos e bancos de investimento.

Como explica o diretor, o próprio ecossistema teve sua importância no desenho do SEED e possibilitou a criação de um plano quase independente do Estado. Isso colaborou para um design de projeto mais orgânico, que atendesse às principais demandas da comunidade, como falta de formação empreendedora, falta de recursos próprios e falta de acesso a outros recursos não financeiros. "Efetivamente, são eles que entendem da realidade de inovação, sobrevivência e evolução desses negócios".

Por meio de uma licitação, também foi escolhida em julho deste ano uma aceleradora responsável pela cogestoria do projeto, que ao lado do governo do estado, foi responsável por dar a ele sua forma final.

A participação é aberta tanto para brasileiros como estrangeiros, sem cotas específicas. Mas há algumas exigências durante o programa: os participantes deverão obrigatoriamente residir por seis meses em Belo Horizonte durante o período de aceleração e farão uma espécie de prestação de contas ao governo do Estado sobre os gastos. Dos gastos, serão devolvidos 90% aos participantes, e 10% deverão sair do próprio bolso.

A primeira seleção terá um total de 40 projetos escolhidos. Como cada projeto pode ter de um a três participantes, o número de selecionados pode variar. As bolsas também mudarão conforme a formação do grupo: cada participante terá direito a uma bolsa mensal de R$ 2 mil (survival money), mais um total de investimentos reembolsáveis de R$ 44 mil para ser investido na ideia. Uma segunda seleção já está prevista para fevereiro do ano que vem. "A nossa ideia é que as duas turmas se juntem, uma no ciclo final de aceleração e outra no início, também para ter um fortalecimento do programa", explica.