Primeiro investimento da Sequoia Capital no Brasil, Nubank começa operação

Por Rafael Romer | 01 de Outubro de 2014 às 11h33

Em 2012, o então investidor colombiano David Vélez veio ao Brasil pela primeira vez para começar as operações do renomado fundo de investimento norte-americano Sequoia Capital na América do Sul.

Conhecida como um dos fundos mais antigos e de maior calibre do Vale do Silício, com empresas como Apple, Google, Instagram e WhatsApp no portfólio de investimentos, a Sequoia enviou seu emissário para sondar o mercado local de startups e alavancar possíveis parceiros interessantes para investimentos.

Um ano depois, no entanto, Vélez resolveu pular para o outro lado do balcão do mercado de startups, deixando a Venture para se dedicar a um projeto pessoal e empreender no gigante setor financeiro do país. Na ocasião, a Sequoia também deixou o mercado brasileiro sem ter se interessado em nenhuma inciativa nacional.

No final da semana passada, o projeto de Vélez finalmente saiu dos sete meses de fase "beta", com o lançamento oficial do site do Nubank.

O primeiro produto da startup é um cartão de crédito internacional de bandeira MasterCard, focado no extenso público jovem do país, cada vez mais conectado e bancarizado e que busca uma maneira descomplicada de obter um cartão de crédito.

"É um mercado enorme aqui no Brasil, um dos maiores mercados bancários do mundo, mas ao mesmo tempo é um mercado que tem muita frustração e com poucas alternativas para o cliente", afirmou em entrevista ao Canaltech. "Achei essa contradição bem interessante". De acordo com dados da Associação Brasileiras das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abercs), já foram registrados 4,9 bilhões de transações com cartões de crédito no país até junho deste ano - os dados mais recentes da associação.

O cartão pode ser solicitado por qualquer pessoa através do aplicativo do Nubank sem nenhum tipo de burocracia ou preenchimento de papelada. O cartão chega à casa do cliente em aproximadamente uma semana e já está pronto para o uso.

Além disso, toda a interface de uso está no smartphone, nada de agências físicas. No app, há uma timeline para controle de gastos, informações sobre saldo, limite, faturas, opção para bloqueio do cartão e até suporte ao cliente.

De acordo com Vélez, a interface completamente mobile também promete custos operacionais menores, o que startup deverá traduzir em taxas de juros reduzidas e ausência de tarifa operacional para o cliente.

Por enquanto, o serviço funciona por um sistema de convites. Cada novo usuário poderá recomendar o Nubank para cinco outros contatos, expandindo a base de clientes da empresa.

Rodada de investimento

Ainda que a tenha saído da Venture, a relação entre Vélez e a Sequoia não terminou em 2013. Interessada no projeto do agora empreendedor, a empresa acabou por realizar seu primeiro investimento em uma startup no Brasil justamente no Nubank.

Anunciado na última sexta-feira (26), o investimento de US$ 14,3 milhões (cerca de R$ 35 milhões) é liderado pela Sequoia em conjunto com a venture com foco em empresas de tecnologia baseada em Buenos Aires, Kaszek Ventures, e o investidor Nicolas Berggruen.

De acordo com Vélez, o valor deverá alavancar o crescimento da empresa no país e sustentar a operação "complexa" do sistema. A tecnologia do Nubank foi desenvolvida completamente in house com apoio da Sequoia e hoje já envolve um time de 35 pessoas.

Agora, a empresa deve buscar um crescimento natural e sustentável, sem uma explosão repentina de clientes. Segundo ele, a receptividade do serviço foi grande e a equipe não esperava a viralidade que o sistema de convites criaria. "O Nubank vai continuar funcionando no sistema de convites por um bom tempo", disse o executivo.

Isso não significa que o Nubank já não tenha seus planos de expansão. O CEO afirma que ficou surpreendido com a aceitação do serviço e já está conversando com o ecossistema local de startups para avaliar novas possibilidades de mercado e parcerias.

No futuro, o serviço deverá integrar mais serviços financeiros, mas nada ainda que possa ser divulgado oficialmente. "A gente tem um monte de ideias, mas temos focado em manter o básico muito bem", brinca.

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