Primeiro grupo de empresas participantes do programa Start-Up Brasil é anunciado

Por Rafael Romer | 30.07.2013 às 10:25

Foi anunciado nesta segunda-feira (29) o grupo de 56 startups que formarão a primeira turma de aceleração do programa Start-Up Brasil, ligado ao programa TI Maior do Governo Federal. Do total de 908 incrições, sendo 672 de projetos nacionais e 236 de estrangeiros, foram selecionados 45 brasileiros e 11 de fora do país por uma mesa de especialistas em inovação, tecnologia e negócios, além de representes da academia, do governo e do mercado.

"O programa visa criar startups de qualidade internacional, ou seja, não é unicamente para disputar o mercado brasileiro. Nós queremos empresas que tenham soluções inovadoras e tecnologias inovadoras para disputar esse mercado internacionalmente", afirmou o secretário de Política de Informática do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI), Virgilio Almeida, durante o anúncio, realizado em São Paulo.

A partir de agosto, os projetos serão acolhidos pelas nove aceleradoras selecionadas pelo programa através de outro edital, divulgado em março deste ano: 21212, Aceleratech, Acelera Brasil (Microsoft Participações), Acelera MG (Fumsoft), Papaya Ventures, Pipa, Wayra, Outsource Brazil e Start You Up. "O papel do governo é organizar, é de ser um maestro nesse ecossistema, o governo não é nenhum executor destas fases. O governo coloca os recursos iniciais e, no final de um ano, as empresas vão buscar o capital privado para a segunda rodada", explicou Almeida.

startup brasil

(A partir da esq;) O secretário de Política de Informática do MCTI, Virgilio Almeida, o diretor de software e serviços de TI do MCTI, Rafael Moreira, e o COO do Start-up Brasil, Felipe Matos (foto: divulgação)

Cada uma das startups escolhidas também receberá até R$ 200 mil na forma de bolsas para desenvolvimento e inovação. As bolsas serão cedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado ao MCTI. As aceleradoras também poderão investir recursos próprios no projeto, variando de R$ 20 mil a R$ 1 milhão.

Segundo afirmou ao Canaltech o COO do Start-Up Brasil, Felipe Matos, a bolsa pode ser cortada caso os projetos das startups dêem sinais de que não terão sucesso. O aporte do governo será mensal e também pode ser dividido conforme a necessidade da startup. Apesar de atuar como um "regulador" do processo de aceleração, o governo não deverá interferir no desenvolvimento das startups selecionadas, que seguirão os cronogramas das próprias aceleradoras que as acolherem.

Para Matos, a primeira seleção também trouxe algumas experiências que devem ajudar a nortear os próximos editais. "A gente sentiu falta de algumas informações das startups que estavam nos critérios, mas não ficaram tão claros, como por exemplo concorrência, faturamento", disse. Outro ponto é se empresas já aceleradas em outras ocasiões devem ou não participar do programa. Nesta primeira turma, algumas das selecionadas já passaram pelo processo anteriormente – o que era permitido pelo edital. "Talvez valha a pena ter alguma coisa específica para quem já passou [por acelerações]".

A maior parte das empresas que serão aceleradas traz soluções da área da educação (19,64%), seguidas pelo varejo (14,29%), saúde, eventos e turismo e finanças (8,93%), e logística (7,14%). Segundo o diretor de software e serviços de TI do MCTI, também foram priorizadas as startups com modelos de negócio mais bem acabados durante a seleção dos projetos visando a aceleração de empresas que realmente tragam frutos positivos ao ecossistema de startups no país. 82,14% das escolhidas já estão no estágio de produção ou prototipagem e apenas 17,86% no estágio de conceito ou desenvolvimento. "Isso foi desenhado lá atrás porque nós queríamos que o Start-Up Brasil de fato gerasse casos de sucesso. O foco é exatamente fortalecer os empreendedores com ideia mais maturada. O programa precisava ter um viés para fortalecê-lo como uma ferramenta de alavancagem para o ecossistema", afirmou.

Na divisão regional, o Sudeste lidera com o maior número de startups selecionadas, com um total de 26 (São Paulo, 13, Minas Gerais, 6, Rio de Janeiro, 5, e Espírito Santo, 2), seguido pelo Sul, com 9 (Rio Grande do Sul, 5, Paraná, 3, e Santa Catarina, 1), Nordeste, com 7 (Pernambuco, 6, e Ceará, 1) e pelo Centro-Oeste, com 3 (Goiás, 1, Distrito Federal, 1, e Mato Grosso do Sul, 1).

Entre as startups internacionais, lideram os Estados Unidos (5), seguidos por Irlanda (2), Argentina (1), Colômbia (1), Espanha (1) e Israel (1). Para Almeida, o grande número de projetos internacionais, que chegaram de 37 paises diferentes, se deve à divulgação da proposta em mídias sociais e blogs do setor tecnológico. "Tivemos propostas do Chipre, Índia, China, dos mais diversos países", afirmou.

As equipes escolhidas possuem uma média de 4,86 integrantes, e 100% delas contam com profissionais ligados à área de TI. Segundo Almeida, apesar de não ser um problema exclusivamente brasileiro, chama a atenção a baixa adesão de mulheres às equipes de desenvolvimento, que representam apenas 12% dos integrantes das startups selecionadas. "Esse é outro problema a ser pensado, como incentivá-las também", afirmou. "Nós temos que tentar diminuir essa diferença de gêneros aí também".

O próximo passo do programa deve acontecer em setembro, quando todas as startups escolhidas devem participar da Induction Week, no Rio de Janeiro, onde irão expor seus projetos pela primeira vez e entrar em contato com empresas e possíveis investidores. Em dezembro deve ser lançado o edital para o segundo lote de 50 startups do programa.