Teve uma boa ideia? Veja quais são os primeiros passos que uma startup deve dar

Por Rafael Romer | 13 de Agosto de 2013 às 12h07

Startup costuma ser uma palavra que é tão sinônimo de incerteza quanto de oportunidade. Mesmo que a ideia seja boa, diversos empreendedores ainda não sabem como, quando e por onde começar a busca por um investidor que aposte na sua ideia.

Mesmo no Brasil, onde a cultura do investimento em startups ainda não é nem de longe tão forte como em países com essa tradição, como os Estados Unidos e seu Vale do Silício, os investidores já estão por aqui e procuram empresas com propostas boas que tenham potencial de devolver o aporte feito.

De acordo com uma pesquisa divulgada pela organização Anjos do Brasil no final do ano passado, a quantidade de pessoas físicas que aplicam recursos e conhecimento em startups no Brasil passou de 5.300 para 6.300 – alta de 18% em comparação a 2011. E não foi só o número: o volume de capital deste tipo de aporte também cresceu de R$ 450 milhões para R$ 495 milhões no país. O levantamento revelou ainda que os investidores brasileiros são muito mais "receptivos" que em outros lugares. Cerca de 80% deles só aplicam dinheiro quando são procurados por empreendedores, mas não buscam ativamente iniciativas. E então, como começar a corrida atrás do investimento?

Primeiros passos

Segundo Geraldo Santos, produtor executivo da plataforma de novas tecnologias e startups Demo Brasil, a primeira coisa que o empreendedor tem que fazer antes de transformar a ideia em produto é analisar o mercado para buscar duas coisas principais: se sua ideia já existe e se há mercado para ela. "Essa é uma dificuldade do desenvolvedor, ele acha que tem o ovo de Colombo e parte para desenvolver o produto sem antes fazer uma análise de mercado. Às vezes tem dezenas iguais ao dele", afirmou o executivo em entrevista ao Canaltech.

Para isso, o produtor sugere que os desenvolvedores façam uma pesquisa sólida principalmente em redes sociais, onde grupos grandes de startups, públicos e privados, já se reúnem para discutir experiências.

Da necessidade de se investir em uma ideia que tenha demanda de mercado, Santos compartilha sua própria experiência de tentar lançar uma ideia cedo demais. "O Netflix era para ter sido criado por um brasileiro", brinca. Segundo o executivo, há cerca de dez anos uma startup sua tentou emplacar um serviço de streaming de vídeos sob demanda semelhante ao atual Netflix, mas a falta de infra-estrutura, de banda e a ausência de demanda na época acabou fazendo com que o projeto não desse certo. "A gente chegou muito antes do tempo, foi muito visionário, mas o mercado não estava preparado para isso".

Para Santos, o problema é bem comum entre pessoas ligadas à área de tecnologia, que costumam pensar em um "roadmap" muito avançado, mas acabam esquecendo que, às vezes, o mercado ainda não está pronto para a ideia. "A chance de uma startup dar certo em um mercado já existente é muito maior e mais rápida do que a de um mercado que tem que ser criado, fomentado", diz.

Não tenha medo de sair de casa

O networking é considerado "essencial" por ambos executivos. Frequentar eventos de mercado – que costumam acontecer "a toda hora" no país –, realizar networking com outras startups e com mentores pode, muitas vezes, facilitar o caminho das pedras para quem está entrando no mundo competitivo do desenvolvimento. "Lá estão os caras que vão ouvir sua ideia e dizer em dois minutos se vai dar certo ou não e porque não vai dar certo", explica Santos.

Muitos desenvolvedores também se prendem ao medo de divulgar sua ideia e acabá-la perdendo para alguém que se aproveite para roubar o conceito. "Os caras às vezes ficam um ano sem dividir a ideia com ninguém, mas aí descobre que já tem duzentos iguais que se formaram nesse meio tempo", fala Santos. Para o executivo, o ideal é que os envolvidos divulguem o projeto, apesar do medo, já que o que vale para os investidores não é só a ideia, mas também o produto. "Mas divida com as pessoas certas, toda área tem gente torta".

O investidor Mike Ajnsztajn, fundador da aceleradora Aceleratech, vai direto ao ponto quando questionado qual deve ser o primeiro passo de uma startup: "Fale com alguém. Eu falo com muita startup que tem medo de rejeição, mas você vai ter que falar com cinco, dez pessoas de mercado e ouvir não várias vezes antes de montar alguma coisa que faz sentido".

Ajnsztajn também compartilha da ideia de que desenvolvedores têm que levar sua ideia para outras pessoas sem medo de que alguém copie o projeto. Para ele, esconder ideias é uma coisa da "industria pesada", e não atende à velocidade do mercado de tecnologia. "Se é alguma coisa que você vai patentear, então tudo bem, mas se é um aplicativo, alguma coisa assim, pega um megafone e bota na rua".

E onde buscar?

"O dinheiro é uma commodity rara, mesmo nos Estados Unidos", brica Ajnsztajn, que mora atualmente nos Estados Unidos e passa grande parte do tempo fazendo o meio de campo entre empresas do Brasil e de lá. Buscar o dinheiro não é fácil e às vezes vai demandar até um pouco de cara de pau do desenvolvedor, que pode precisar correr atrás de fundos de investimento e anjos para tentar uma chance de explicar sua ideia ou projeto. "Fazendo networking você acaba chegando em um cara que tem apetite para seu negócio, na pior das hipóteses, você pode ter uma recomendação, que ajuda muito", diz.

"A maior parte dos anjos de hoje são pessoas que já passaram pelo processo de startup, então além do dinheiro, eles tem capacidades de mentoria", afirma Santos. Segundo ele, isso é muito positivo, porque já começa a se formar no Brasil uma comunidade de investidores que entendem e têm o "espirito de empreendedorismo".

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