Os novos softwares de negócios com gosto de jogos eletrônicos

Por Colaborador externo | 18 de Junho de 2015 às 07h47

Por Martín Migoya*

Já vai longe o tempo em que as áreas de sistemas eram redutos inexpugnáveis dentro da empresa, época em que os "especialistas" se reuniam quase como espécies de confrarias secretas, dialogando em termos incompreensíveis e determinando as aplicações de informática que deveriam suportar o rumo da organização.

A tecnologia avançou a uma velocidade tal que as últimas grandes inovações experimentaram um processo inverso ao que historicamente acontecia: não foram as empresas as primeiras usuárias de tais inovações e que, anos depois, vieram a massificá-las a ponto de chegaram a preços acessíveis. Mas foram os consumidores os primeiros a utilizá-las e, pela força do uso, as instalarem dentro das empresas. A mobilidade, a nuvem e as redes sociais são alguns exemplos básicos desse novo movimento.

O software deixou de cobrir apenas as questões administrativas no interior da empresa: ele passou a ser agora a base para a vida digital dos consumidores. As companhias, nesse contexto, não podem continuar com seus velhos hábitos como se nada tivesse acontecido. Hoje é impossível entregar a um funcionário um sistema pronto e esperar que ele apenas aprenda a usá-lo através de um manual. O empregado - como usuário em última instância - está agora acostumado a aplicações que se adaptam facilmente à sua vida e que, em contrapartida, o envolvem no compromisso de continuar utilizando-as.

Foi tendo em mente esta evolução que nasceu o conceito de "enterprise consumerization (ou consumerização corporativa)", cuja base está no fato de que os funcionários que acessam uma tecnologia precisam ser tratados como consumidores digitais, mesmo quando estão utilizando aplicações corporativas. Aqui estão algumas diretrizes essenciais que as organizações devem considerar para estimular os funcionários a se adaptarem às suas ferramentas:

1. Redesenhar a experiência do usuário. O uso das aplicações corporativas deve produzir a mesma satisfação que os utilizados diariamente em seu dispositivo móvel. Por isso, elas devem ser conhecidas e terem implementadas as últimas inovações em matéria de interface de usuário.

2. Palavra chave: amigabilidade. Essas interfaces devem ser intuitivas, podendo ser manuseadas sem treinamento prévio. Devem também ser ágeis e oferecer resultados palpáveis, apropriados para cada tipo de usuário e fáceis de serem exploradas.

3. Mover-se para a nuvem: A nuvem como plataforma é um ambiente no qual os usuários navegam com total facilidade. Independente de dispositivos, sistemas operacionais, ou subsistemas de armazenamento. Tudo se torna natural e intuitivo.

4. Fomentar a colaboração e as dinâmicas de jogo nas aplicações: No ambiente corporativo devem convergir ferramentas sociais e de integração, para promover uma maior participação em iniciativas de inovação conjuntas. As dinâmicas de jogo, que vem sendo usadas com tanto êxito para conectar usuários de forma incomparável, podem também ser empregadas para aplicações sérias, de modo a alcançar maiores taxas de adoção e motivação ao uso. Também deve ser facilitada a possibilidade de se estabelecer reuniões virtuais entre colegas ou membros de outras áreas, cuja experiência pode ser útil para algum projeto em particular.

Estamos em uma era onde reina o consumidor que está potencializado pelas novas tecnologias. Um reinado democrático, aberto e colaborativo, que pressiona as organizações a serem melhores e a repensar seus processos e sistemas. Está em nossas mãos decidir qual caminho tomar se esperamos que todos colaborem.

*Martín Migoya é cofundador e CEO da Globant.

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