O círculo virtuoso do open source

Por Boris Kuszka

Contribuição é a palavra chave para o desenvolvimento e inovação em todas as esferas de trabalho. Em meu artigo anterior, o Futuro já começou, quis explorar como a chamada Internet das Coisas, ou Internet of Things- IoT, faz parte de nossa realidade justamente por conta da colaboração conjunta entre as comunidades de tecnologia.

Padrões abertos permitem evoluções rápidas, sinais de tempos modernos e fim da era do lock-in. O mercado nos mostra que não existe mais espaço para adquirir tecnologias que, de certa forma, te amarram ao fabricante.

Uma tecnologia aberta permite um progresso mais rápido. Este é o lema de um projeto chamado E-nable, que define muito bem como funciona o open source. Tudo começou com uma postagem de um americano, Jon Schull, para mapear voluntários que ajudassem um garoto da África do Sul sem uma de suas mãos. Pessoas de diversos continentes auxiliaram compartilhando suas pesquisas e conhecimentos individuais, possibilitando o desenvolvimento de um braço mecânico perfeito ao menino. Assim foi criada a E-nable que funciona apenas com voluntários que desenvolvem projetos de próteses 3D, que podem ser construídos através de impressoras 3D, e são posteriormente doadas às crianças que nasceram sem dedos ou mãos.

Para se ter uma ideia de como a tecnologia colaborativa evoluiu, muitos funcionários de nossa empresa, a Red Hat, fazem parte da plataforma GitHub, que possui milhões de projetos disponíveis na rede para serem compartilhados, evoluídos, testados e aprovados para quem quiser utilizar gratuitamente. A colaboração da comunidade é preciosa no sentido de tornar as soluções ágeis, implementando ainda mais serviços e em diversos setores. Anos atrás, num artigo publicado aqui no portal Canaltech, eu já havia mencionado a aceleração da inovação através do mapeamento do genoma humano.

Outro exemplo prático foi o desenvolvimento da tecnologia de containers. No mundo de processamento em nuvem (Cloud Computing), um aplicativo deve ser desenvolvido em pequenos pedaços (microserviços), que se encaixam perfeitamente no conceito de containers: isolamento de parte do sistema operacional, seguros e escaláveis, extremamente leves que podem rodar em qualquer local: em um servidor interno, na sua nuvem privada ou em uma (ou várias) nuvens públicas. Antigamente, os datacenters precisavam ser enormes devido à presença de diversas máquinas físicas para o processamento de dados. Hoje, com a evolução da tecnologia open source, com foco em segurança, contamos com sistemas operacionais extremamente enxutos, caso do RHEL Atomic, o que permite a utilização de servidores padrão de indústria, menores, racionalizando o uso do datacenter sem se prender a nenhum fabricante de hardware.

Ganha-se, portanto, mais espaço de processamento por conta da leveza e maior escalabilidade, por conta da modernidade do aplicativo. Qual a vantagem? Ao invés da empresa possuir um software com várias máquinas virtuais, ela contará com um sistema operacional enxuto, o RHEL Atomic, e containers para conseguir rodar o aplicativo em qualquer lugar. Como ele é leve, é possível colocar muito mais aplicativos numa mesma infraestrutura.

Isto que chamamos de evolução. Tornar estes padrões públicos possibilitam as mais variadas utilizações, seja na rotina pessoal, quanto em empresas, reduzindo custos e alcançando um leque maior de interoperabilidades.