GitHub está bloqueando usuários no Irã, Síria e Crimeia

Por Felipe Demartini | 29 de Julho de 2019 às 11h49

Restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos a países considerados como inimigos levaram o GitHub a bloquear o acesso de usuários do Irã, Síria e Crimeia a alguns dos recursos principais da plataforma. Os atingidos foram informados primeiro, por e-mail, e perderam as funcionalidades em caráter imediato, enquanto o comunicado oficial da empresa veio apenas dias depois.

De acordo com Nat Friedman, CEO do GitHub, a mudança vem para que a empresa possa se adequar a leis de exportação de tecnologia a partir dos EUA, como qualquer outra companhia que atue no país. Isso também significa aderir a sanções semelhantes às sofridas pela Huawei, por exemplo, atendendo a normas por meio das quais as companhias estão proibidas de negociarem com cidadãos ou representantes de países considerados como inimigos do estado.

Sendo assim, os desenvolvedores residentes em tais países não poderão mais manter repositórios privados de software ou contas pagas, além de perderem o acesso ao GitHub Marketplace. Por outro lado, o acesso a projetos públicos e de código aberto permanece disponível aos usuários finais do país, mas não contas corporativas, bem como serviços como páginas e comunicação entre utilizadores.

Falando sobre o assunto por meio do Twitter, Friedman disse lamentar que as restrições de comércio entre os países esteja atingindo diretamente às pessoas e afirmou que a empresa fez o possível para que isso não acontecesse. Entretanto, ela precisa aderir às leis internacionais e, enquanto o banimento é imposto, trabalha com organizações internacionais para proteção da comunidade internacional de desenvolvimento e código aberto.

Ele também respondeu a uma reclamação constante entre os bloqueados, que usaram redes sociais e o próprio GitHub para afirmarem que não foram avisados sobre a mudança, de forma a, acima de tudo, realizarem o backup de projetos e arquivos que, agora, estão inacessíveis. Mais uma vez, segundo Friedman, isso tem a ver com as leis, que nem mesmo permite notificações prévias sobre bloqueios desse tipo, que devem ser aplicados de forma ostensiva e geral.

O executivo informa ainda que o bloqueio acontece por meio de localização e através do IP, o que significa que falsos positivos podem ser encontrados. Nestes casos, o GitHub pede que os usuários preencham um formulário para verificação e liberação, enquanto lembra que o uso de VPNs para acesso a partir de territórios não autorizados é proibido, pois burla as próprias regras internacionais que levaram ao banimento em si.

GameHub, um launcher de jogos para Linux, teve seu desenvolvimento interrompido devido ao bloqueio de acesso (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Fica a dúvida, entretanto, de como essa norma vai ser imposta, enquanto a análise citada acontece por meio do envio de um documento de identidade e comprovante de residência, juntamente com uma selfie para comprovação de identidade. Além disso, o GitHub lembra ainda que sua oferta de aplicação virtual continua disponível a todos, principalmente do mercado corporativo, e pode ser rodada a partir de servidores privados não suscetíveis ao impedimento.

Entre os desenvolvedores mais vocais quanto ao bloqueio, e cujo trabalho foi completamente comprometido por ele, está Anatoliy Kashkin, responsável pelo GameHub. O launcher para Linux reunia jogos de plataformas como Steam, GoG e Humble Bundle em um único lugar, para comodidade dos usuários, e teve seu desenvolvimento abortado por conta das restrições, uma vez que o responsável reside em uma região da Ucrânia anexada à Crimeia e, agora, não tem mais acesso ao próprio projeto.

Fonte: TechCrunch

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