Ecad prepara novo software para reconhecimento de músicas tocadas na TV

Por Rafael Romer | 15 de Setembro de 2015 às 11h18

A empresa responsável pela arrecadação e distribuição de direitos autorais por execução pública de músicas no Brasil, o Ecad, está se preparando para implantação completa de um novo software que será responsável pela identificação de canções reproduzidas em programas de televisão em todo o país.

O sistema, apelidado de Ecad.Tec CIA Audiovisual, foi criado em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e está em período de "pré-produção", testes e refinamento desde 2014, mas deve entrar em funcionamento até o final deste ano.

Com a aplicação, a organização será capaz de captar e analisar músicas reproduzidas em programas de televisão, novelas ou filmes através de algoritmos de identificação, mesmo que elas façam parte apenas da trilha de fundo ou que estejam misturadas com outros sons - o que deverá garantir mais agilidade na detecção de obras neste meio.

O software faz parte do processo de automação da identificação de músicas pelo Ecad, que tem se atualizado nos últimos anos para agilizar o reconhecimento de conteúdo de áudio. O órgão é hoje responsável por fazer a identificação de toda música executada em rádios, televisão ou eventos como shows, festivais e outros no país, para garantir o repasse de direitos autorais aos respectivos autores das obras.

Até oito anos atrás, todo o processo de reconhecimento deste conteúdo era feito de forma completamente manual, com funcionários fazendo a escuta e checagem da programação de diferentes meios para a contagem das reproduções de cada música. A empresa, então, começou um processo de renovação de sua infraestrutura, investindo na criação do primeiro software em parceria com a PUC-RJ, o Ecad.Tec CIA Rádio - capaz de captar, gravar, identificar e armazenar as músicas executadas pelas rádios.

"É como se fosse o programa Shazam, mas ele funciona continuamente", explicou o Gerente de Qualidade de Serviços de TI do Ecad, Marcos Éboli. "Cada música tem um DNA único, ela tem uma informação autoral de compositor, produtor fonográfico e intérprete. Nós alimentamos nossa base com áudios das gravadoras e quando o sistema ouve a música, ele faz uma comparação e identifica o fonograma".

No modelo antigo, cada funcionário da empresa demorava cerca de 40 minutos para checar uma hora de programação, em média. Agora, com o software completamente implementado pela empresa, é possível identificar músicas em uma hora de programação em apenas quatro minutos.

Além dos reforços de software, a empresa também investiu em sua própria infraestrutura, com um datacenter próprio e servidores dedicados baseados em equipamentos 3PAR para armazenamento em parceria com a HP e Micro-Mídia Informática. Hoje, o Ecad gera uma quantidade de dados semestral de cerca de 1,6 Petabytes de conteúdo, ou mais de 430 mil horas de gravação por mês, através do monitoramento de 600 rádios e 48 canais de TV, 24 horas por dia. De acordo com a empresa, as atualizações à sua infraestrutura levou a um aumento de 182% na arrecadação, o que puxo o recorde histórico do Ecad em repasses de direitos no ano passado.

A atualização dos sistemas também está preparando a empresa para o próximo passo de sua automação de processos. De acordo com Éboli, o Ecad já tem planos de migrar seus sistemas de processamento para a nuvem para ganhar em escalabilidade, disponibilidade e agilidade. Atualmente, a organização já está fazendo alguns experimentos em nuvem em sistemas de orquestração e como e-mail e back-up, mas nenhum passo foi dado em setores-core da empresa.

"A gente estuda colocar uma parte de gravação de rádio na nuvem, mas ainda não é uma prioridade iminente. A gente está ampliando a disponibilização de outros serviços em nuvem para aí pegarmos sistemas críticos", afirmou.

Além disso, a empresa está olhando além da implementação do Ecad.Tec CIA Audiovisual e do Ecad.Tec CIA Rádio e agora tem planos para a adoção de ferramentas para automatizar a detecção de conteúdo na Internet - que ainda é feito de forma manual na empresa.

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