Windows 8.1: novos recursos que valem o upgrade? Depende...

Por Pedro Cipoli
photo_camera Pedro Cipoli/Canaltech

No mundo dos processadores temos o tão conhecido esquema "tic-tac": em uma geração (tic), muda-se a técnica de produção e chips com uma arquitetura nova são colocados no mercado (como a mudança do Sandy Bridge para o Ivy Bridge da Intel ou do Phenom para o Bulldozer, da AMD). Em outra geração (tac), melhora-se a arquitetura atual (Ivy Bridge para Haswell do lado da Intel e Trinity para Richland do lado da AMD).

Windows 8.1

É exatamente isso que acontece com o Windows. O Windows 8 é um sitema completamente diferente do Windows 7 (tic), enquanto o Windows 8.1 é um polimento geral do Windows 8 (tac). Há um polimento geral de interface e adição de alguns recursos até interessantes, mas é o mesmo Windows 8. Podemos adiantar o seguinte: se você já olhou para o Windows 8 e não se sentiu tentado a mudar, não é o Windows 8.1 que vai mudar alguma coisa. Porém, se o upgrade do Windows 7/8 fez sentido, o Windows 8.1 tem algumas novidades bacanas.

Novidades visuais: Botão Iniciar, wallpaper customizado e tiles de vários tamanhos

O botão iniciar, talvez o maior responsável por muitos usuários se recusarem a fazer o upgrade do Windows 7 para o 8, agora está lá. Porém, soluciona as reclamações do usuários de uma forma puramente psicológica, já que não é o mesmo Iniciar do Windows 7. Uma má notícia, talvez, em especial para os usuários que só gostariam desse "recurso" para fazer o upgrade, mas isso merece uma atenção especial.

Windows 8.1

Por mais que a Microsoft insista em ter a mesma interface em tablets de 8 polegadas até monitores de mais de 30 polegadas, com touchscreen ou não, essa mudança é bem vinda. Para modelos que não possuem telas sensíveis ao toque, a adição de um launcher no canto inferior esquerdo cria uma ponte de familiaridade entre o Windows 7 e o 8 para quem utiliza o mouse, não obrigando o usuário a posicionar o cursor no canto superior direito, "puxar" a Charm Bar, e clicar em Iniciar.

Outro ponto que mudou é a possibilidade de adicionar um papel de parede customizado na tela inicial. Tudo bem que a Microsoft retirou um recurso na mudança do Windows 7 para o 8 e depois o colocou de volta, mas assim o usuário pode customizar melhor o seu computador/tablet. Há a opção de adicionar fundos "animados", ao estilo Android. Ficou até bonitinho, já que as máquinas atuais trazem processamento gráfico de sobra para esse tipo de recurso.

Todos os aplicativos

No caso dos tiles, há mais duas opções de tamanho. Uma delas é extremamente pequena, ideal para programas que funcionam somente na área de trabalho, e outra ocupa vários espaços, assim assumindo o papel de Widget (de novo, como no Android). Isso faz com que o usuário não precise clicar num tile para ver o que está acontecendo (caso do app de previsão do tempo, por exemplo) e transforma a tela inicial em algo como uma dashboard: basta abri-la, dar uma olhada nos widgets selecionados e ficar atualizado.

Pesquisa global

Sério, gostamos mesmo desse recurso. Sabe a barra de pesquisas da Charm Bar que ninguém usava porque não servia para nada? Agora ela se tornou um recurso bem poderoso, pesquisando no disco rígido local, no Skydrive, na internet com o Bing (nada de Google, como era de se esperar) e mostrando os resultados de uma forma organizada, limpa e bastante útil.

Pesquisa

A pesquisa não se limita somente a comparar o nome das coisas com o que está sendo pesquisado. Se o conteúdo for uma imagem, por exemplo, ela é mostrada como um thumbnail. Se for um vídeo, mostra uma prévia – sem que o usuário precise abri-lo. De todos os novos recursos do Windows 8.1, esse certamente é o que consideramos mais sofisticado e, com um pouco de prática, um dos mais produtivos.

Multitarefa

Multi janela 3

O Multitarefa do Windows 8 é meio "tosco", vai... Dividir a tela em duas é algo que faz sentido somente em monitores (ou telas de tablets) com uma resolução intermediária, sendo praticamente inútil em resoluções muito altas ou muito baixas. Agora é possível fazer um ajuste mais fino no multitarefa, redimensionando as janelas de forma mais precisa e sendo possível criar até 3 ou 4 telas separadas, algo especialmente útil em resoluções mais altas (entenda "mais altas" como "mais do que 1920x1200").

Multi janela 2

Aplicativos da Windows Store

Alguns apps ficaram mais sofisticados, como é o caso do Evernote Touch. Isso mostra um amadurecimento da Windows Store, mas tem pouco a ver com o Windows 8.1, para falar a verdade, e sim com o espaço de tempo entre seu lançamento e o do Windows 8. Com o tempo, os apps passam por um processo natural de sofisticação e adição de recursos novos e, mesmo que o Windows 8.1 não seja um divisor de águas nesses quesito, é bom ver que a loja virtual já não é mais um mercado fantasma como antes.

Loja de aplicativos

Os apps da Windows Store não chegam perto do nível de sofisticação dos aplicativos do Android ou do iOS, como era de se esperar, e isso acontece por dois motivos:

  • A Windows Store tem pouco mais de um ano, com novos desenvolvedores aparecendo todos os dias;
  • O Windows, ao contrário do Android ou iOS, possui programas desktop há praticamente duas décadas. Ainda que funcionem somente na área de trabalho, possuem um nível de sofisticação difícil de bater. Pegue exemplos como Gimp, Nero, VLC e muitos outros. Considerando o grande público que já adota esses apps, muitos deles gratuitos, como a Windows Store poderia oferecer algo que valha a pena trocar em tão pouco tempo? Difícil, hein?

Ainda que o "Nunca serão!" do Capitão Nascimento seja um exagero para a Windows Store, ainda teremos que esperar – e muito – para ver aplicativos em quantidade e qualidade equivalente às dos já existentes no Windows para a área de trabalho (consegue imaginar um Adobe Premiere Pro da vida na Windows Store?).

Menor consumo de recursos

Utilização de recursos

Item rápido. O consumo de processador, memória e placa de vídeo do Windows 8.1 é praticamente idêntico ao do Windows 8 (que, por sua vez, é menor do que do Windows 7). Porém, percebemos um melhor aproveitamento do hardware disponível, como uma melhor atribuição de cargas gráficas para a GPU, melhor multitarefa com a mesma quantidade de memória RAM e um constante e agradável baixo consumo de CPU, uma excelente notícia para notebooks e convertíveis.

O que poderia ter mudado e não mudou

Adotar a mesma interface, sem qualquer adaptação, para diferentes dispositivos com telas diferentes e configurações completamente diversas parece, no mínimo, preguiça. O uso em um equipamento com tela sensível ao toque e no bom e velho desktop é completamente diferente. Usuários se "programam" para realizar diferentes tarefas em aparelhos diferentes, então uma otimização aqui e ali, adição de alguns recursos e remoção de outros, não seria nada mal.

Menu iniciar

Por exemplo, por que raios o Internet Explorer 11 touch é o navegador padrão em um desktop? Isso só força o usuário a abri-lo para baixar outro navegador (algo que o IE é um dos melhores em fazer). Outro ponto seria a opção de criar uma opção de restaurar o menu Iniciar do Windows 7 pelo próprio Windows (não por programas de terceiros), mostrando que a Microsoft se preocupa com o grupo de pessoas (que não é pequeno) a adotar o novo sistema, mas não é o que acontece.

Conclusão: vale a pena fazer o upgrade?

Para quem possui o Windows 8, realizar o upgrade é algo natural. É de graça, não é? A curva de aprendizagem para quem já possui a interface Metro (ok, Microsoft: Modern UI) é bastante pequena. Sinceramente, não temos uma opinião se valeria a pena se o upgrade fosse pago, já que mudaria bastante as exigências do usuário.

Windows 8.1

E para quem possui o Windows 7? Lembrem-se: não é de graça. Pior, não resolve muitos dos problemas de quem já não gostou do Windows 8. Então não, pessoal. Deixem para lá, em especial se você é um heavy user de programas desktop. O valor completo da licença do Windows 8.1 pode chegar a R$ 700, valor que consideramos muito alto para um sistema que está com dificuldade em se popularizar.

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