Empresas de GPS devem ampliar atuação contra queda de vendas, avalia executivo

Por Rafael Romer | 27 de Setembro de 2013 às 09h51
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Os navegadores de GPS já são parte integrante do nosso dia-a-dia. Seja para solucionar uma dúvida ao volante ou para encontrar uma rua a pé, o sistema de geolocalização global está em diversos dispositivos móveis, como smartphones e tablets, e também marca presença em grande parte dos veículos de maneira integrada ou como um acessório portátil.

Uma pesquisa da consultoria de mercado GfK realizada em 2011 já mostrava que mais da metade (55%) dos norte-americanos adultos possuía um dispositivo GPS, fosse ele portátil, no carro ou em aparelhos móveis. Mas com o avanço de serviços gratuitos em smartphones e tablets, uma parte considerável da fatia de mercado de GPSs foi engolida por estes provedores, o que se reflete nas novas estratégias de empresas do setor. Segundo a mesma pesquisa da GfK, 62% dos GPS utilizados já são os integrados a dispositivos móveis – percentual ainda maior quando olhamos para a faixa de jovens até 24 anos.

"Acreditamos que a América Latina oferece grandes oportunidades para a TomTom e nosso crescimento no Brasil é a chave para o sucesso na região", explica o Gerente de Vendas da TomTom Brasil, Júlio Quintela, em entrevista por e-mail ao Canaltech Corporate. Líder no setor de navegação portátil, a holandesa TomTom anunciou no primeiro semestre deste ano que expandiria sua atuação no mercado brasileiro e latino-americano através da contratação de dois novos executivos para atuar diretamente na região. Responsável pela direção de outras regiões na América Latina, o chileno Juan José Gonzalez-Zuazo Contreras é o outro executivo atuando neste mercado. Na avaliação de Quintela, o país é hoje "estratégico" no setor para a TomTom, em um cenário que vem decrescendo em volume e valor.

De acordo com o executivo, a ideia da empresa é replicar sua fórmula que funcionou em outros mercados no Brasil e na América Latina, assim como dar à empresa os recursos necessários para virar uma referência na categoria em "curto-médio" prazo. A proposta, segundo ele, é tentar reverter uma imagem negativa que os produtos de GPS possuem no Brasil devido aos softwares de navegação de baixa qualidade. "Hoje, o Brasil é um mercado inexplorado em relação a soluções de navegação. O que temos observado atualmente é que a grande maioria dos produtos de navegação vendida no Brasil não tem como proposta a navegação, mas sim features multimídia como TV digital, MP3, MP4 e outros, levando para segundo plano o software de navegação, o mapa e a qualidade do hardware", explica.

Segundo os resultados do último trimestre de 2011 divulgados pela empresa, a TomTom viu uma queda de 40% nos lucros em produtos voltados para o consumidor, como dispositivos GPS portáteis, mas por outro lado viu um aumento nos lucros no setor automotivo e em soluções para business. "Assim como em outras áreas de negócio, as empresas de navegação também deverão diversificar o raio de atuação", avalia o executivo.

Mesmo com a queda acentuada, atribuída ao período turbulento de crise na Europa e à migração de investidores para outras regiões do globo, o executivo afirma que o setor ainda é, de longe, o mais rentável para a empresa. "Em relação à navegação, a mudança de hábito dos consumidores foi muito mais rápida do que o previsto por todos os players do mercado, o que não permitiu uma resposta rápida, do ponto de vista de inovação tecnológica e estrutural", explica. Segundo resultados do último trimestre de 2012, a TomTom perdeu 19% das receitas. A expectativa para 2013 é que o setor tradicional de assistentes pessoais de navegação (PND) caia até 20% em volume.

A inovação vem agora em áreas como o business, atualmente um dos investimentos mais fortes da TomTom na tentativa de expandir sua atuação a compensar as perdas em áreas tradicionais de GPS. Em 2011, a empresa anunciou uma parceria com a Apple para prover a tecnologia por trás do seu aplicativo de mapas, que substituiu o até então fornecido pelo Google. Mais recentemente, a japonesa Sony também afirmou que a TomTom forneceria a inteligência de mapas e navegação para a central de infoentretenimento para automóveis Sony AC Center. "A Apple é um dos muitos projetos e parceiros existentes, que inclui bem mais fabricantes de smartphones, governos de diversos países, empresas de tráfego e outros", explica o executivo.

Questionado se parte das quedas nas vendas de dispositivos GPS se deve à concorrência de aplicativos nativos de smartphones que hoje trazem GPS integrado de forma gratuita, Quintela cita a posição do aplicativo pago de GPS da TomTom, que hoje ocupa a 10ª posição de app mais vendido da AppStore e a 9ª posição na GooglePlay, quando excluída a venda de games. "Usuários de smarphones estão dispostos a pagar por uma solução de navegação que lhes ofereça uma verdadeira proposta de valor que vá além da informação do caminho de A até B", afirma.

Para continuar fornecendo um serviço que vai além da informação de caminho, a TomTom aposta em tecnologias desenvolvidas em parceria com outras empresas e desenvolvidas internamente, como é o caso da IQ Routes. Com pouco mais de cinco anos, a tecnologia já está presente hoje em todos os dispositivos de navegação da empresa e se baseia em dados reais de velocidade média e não nos limites de velocidade permitidos. Segundo o executivo, ela realiza o cálculo de rotas inteligentes através da coleta de informações anônimas de milhões de usuários de produtos da empresa, levando em consideração todos os fatores que possam influenciar o tempo necessário para chegar a um destino, como semáforos, rotatórias, declives acentuados ou lombadas.

Para o futuro, a TomTom, assim como outras empresas de navegação, deve continuar apostando na inovação em áreas que se afastam dos tradicionais GPS portáteis. Neste ano, a empresa apresentou o TomTom Runner, marcando sua entrada no lucrativo mercado de tecnologia usável – que foi destaque recentemente na IFA 2013 com dispositivos como o Samsung Galaxy Gear e o Sony Smartwatch 2. O relógio de pulso, que foi desenvolvido através de uma parceria com a Nike, é voltado para a prática de esportes ao ar livre e possui um sistema de GPS interno da TomTom, que auxilia tanto no deslocamento quando no gerenciamento de atividades físicas. "Como empresa de navegação, temos de manter uma boa rota”, brinca.

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