Crianças, férias e tecnologia: tudo a ver

Por Colaborador externo | 17 de Junho de 2014 às 15h05

por Lucas Longo*

Com a Copa do Mundo, o calendário escolar foi alterado e as escolas entram em férias mais cedo. Resultado: pais desesperados sobre o que fazer com seus filhos. Não que ter os pequenos em casa seja um problema, mas nem todos têm quem possa tomar conta deles enquanto os pais trabalham. Uma alternativa interessante são os cursos oferecidos para crianças no período de férias escolares. Considero esta uma alternativa bacana porque é possível ensinar uma coisa nova, liberar a imaginação ou mesmo apresentar novas habilidades para os pequenos.

Com uma rápida pesquisa no Google, encontramos diversas opções, como cursos rápidos de culinária, teatro, artes, pintura e circo. Estas são opções bacanas para estimular a criatividade, incentivar o exercício físico e a prática de atividades em grupo. É importante perceber quais são os gostos do seu filho e tentar inscrevê-lo em uma atividade bacana que seja adequada à sua faixa etária.

Esta é uma geração que já nasceu rodeada por computadores e muita tecnologia. Nossas crianças estão acostumadas a brincar com smartphones e tablets, a entrarem em sites diversos e muitas vezes são quem ensina os adultos da casa a tratar de seus “problemas tecnológicos”. Mas mesmo tendo um conhecimento tão vasto, a maioria não entende que por trás de tanta ação, existe um ser humano. Os jogos não foram inventados sozinhos, um grupo de pessoas se reuniu e pensou em tudo: movimentos, cores, músicas, desafios, etc. Este é um caso quase como o do leite: algumas crianças acham que ele vem da caixinha do supermercado, e não da vaca.

Para mostrar que a tecnologia também depende das pessoas, considero os cursos de tecnologia para crianças uma opção muito interessante para as férias. Tudo com moderação é bom, e com a tecnologia não é diferente. Entre uma aula de artes e uma brincadeira animada com os primos, que tal inserir um curso de desenvolvimento para crianças? Existem algumas opções pelo Brasil, com focos, preços e públicos diferentes.

Ensinar desenvolvimento para crianças é uma febre nos Estados Unidos. Lá grandes nomes da tecnologia como Bill Gates e Mark Zuckerberg apoiam campanhas que incentivam o ensino de linguagens de código nas escolas. Acredita-se que, em um futuro não muito distante, os novos analfabetos serão aqueles que não dominam linguagem de programação.

Mas o que importa para as crianças é se é divertido e interessante. Os cursos de desenvolvimento de games costumam explicar conceitos básicos – como personagens e objetivos – e através de uma plataforma própria permitem que os alunos montem seus primeiros joguinhos. Eles não vão sair do curso entendendo o que é Java ou C++, mas já terão uma boa noção de como o computador entende os comandos e os transforma em ações. Se seu filho é curioso e já apresenta interesse sobre como as coisas funcionam, provavelmente ficará encantado com a possibilidade de desenvolver seu próprio game.

Além de um exercício interessante, investir em um curso de desenvolvimento pode ser uma aposta para o futuro. Não que toda criança que faça um curso de games vire um programador. Mas permitir que este aluno experimente esta nova lógica pode ajudá-lo a entender as coisas de uma maneira diferente, através de outro ponto de vista. Mostrando como a tecnologia funciona – e que sim, ela também depende das pessoas – podemos desenvolver o gosto dos pequenos por atividades mais minuciosas e analíticas. Se o seu personagem não está pulando para frente quando este comando é acionado, o desenvolvedor precisa descobrir o que foi feito de errado. É preciso raciocínio, foco e atenção, qualidades que muitos dizem que nossos jovens não têm justamente por causa da “vilã” tecnologia. Como já disse anteriormente, toda atividade deve ser praticada com moderação para ser benéfica. O mesmo se aplica aqui.

Com smartphones, tablets, sensores e novos devices conectados ao nosso redor, ao aprendermos “Lógica de Programação”, deixamos de ser apenas usuários passivos de aplicativos de celular e passamos a ser protagonistas, aptos a criar e desenvolver novos projetos e novas riquezas no mundo físico e digital. Nos governos dos países mais desenvolvidos há uma clara compreensão de que aprender a programar computadores e celulares é uma disciplina fundamental para o sucesso das pessoas, das empresas e das nações.

Recentemente o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esteve em rede nacional pela iniciativa Code.org convocando crianças a adolescentes a descobrirem como desenvolver games e apps e não apenas se limitarem a serem usuários.

Será que você não tem um pequeno curioso que pode se tornar um grande engenheiro, físico ou mesmo desenvolvedor no futuro? Aproveite este período de férias adiantadas para investigar sobre o assunto. Seu filho pode gostar muito da brincadeira e virar o novo bilionário do Vale do Silício. Mesmo que isso não aconteça, com certeza ele vai se encher de orgulho para mostrar para a família sua nova criação. E esta não vai parar na porta da geladeira.

*Lucas Longo, CEO e fundador do iai? – centro de treinamento e produtora referência em mobile.

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