Por que será que os smartwatches ainda não são populares entre as mulheres?

Por Patrícia Gnipper | 18 de Janeiro de 2016 às 12h59

Ainda pouco populares no Brasil, os relógios inteligentes já são bastante utilizados em países como os Estados Unidos, onde recentemente aconteceu a última edição da CES, uma das principais feiras do mercado tecnológico mundial. O aparelho proporciona ainda mais praticidade do que um smartphone na hora de conferir e-mails e mensagens, por exemplo, mas por que esses gadgets não estão conquistando o público feminino?

Segundo uma pesquisa realizada no ano passado pela NPD Connected Intelligence, uma de cada dez pessoas que moram nos Estados Unidos utiliza algum dispositivo wearable (ou “vestível”), e a maioria dos usuários de aparelhos ligados a saúde ou a atividades físicas (como as pulseiras que monitoram o ritmo dos exercícios) são mulheres. No entanto, quando o assunto muda para usuários de smartwatches, 71% deles são homens.

Design “masculino”

Entre aspas, mesmo. Mas um dos primeiros motivos que se pensa para explicar a baixa aderência feminina aos relógios inteligentes é seu design com cores sóbrias e formatos mais tradicionais. Alguns modelos de smartwatch passam até mesmo a impressão de terem saído diretamente dos anos 80, se analisar seu design “quadradão”. Sem falar que as telas ainda são relativamente grandes para pulsos mais finos e podem parecer verdadeiros trambolhos se comparadas ao tamanho de uma mão pequena, seja ela masculina ou feminina.

smartwatches

Pensando nessa questão do design pouco atrativo para o público geral feminino, já existem marcas tentando variar o look de seus dispositivos, mas não é exatamente reforçando os estereótipos de gênero (do tipo: azul é para meninos, rosa é para meninas) que a tentativa vai funcionar.

Toda mulher gosta de jóias?

Existe um senso comum bastante equivocado que diz que mulheres amam jóias, como se esse gosto por pedras e metais preciosos fosse um fator biológico e não uma construção social. Com esse senso comum em mente, a Huawei apresentou na última CES dois smartwatches desenvolvidos para o público feminino chamados Elegant e Jewel.

smartwatch Huawei
Os modelos "Elegant" e "Jewel" de smartwatches voltados ao público feminino da Huawei (Reprodução: Divulgação)

O que a companhia chinesa fez, na verdade, foi pegar seu relógio inteligente já à venda no mercado e vesti-lo com acabamento mais "chique", completando com pulseiras coloridas e cristais Swarovski. Dessa forma, a fabricante não somente está insinuando que mulheres gostam é de ouro e de jóias, como também está determinando gênero para um produto cuja função independe do sexo de quem o utiliza.

Nessa questão, parece que a Pebble tem a cabeça mais “no lugar”. O Time Round, modelo de relógio inteligente lançado há alguns meses pela companhia, além de ser super fino e leve (consequentemente, mais confortável de usar), seus designs não foram pensados considerando os ultrapassados e falaciosos estereótipos de gênero. O modelo vem em opções variadas com formatos, acabamentos e cores diferentes, agradando a praticamente todos os gostos.

Vendendo conceitos

Uma maneira, talvez, dos smartwatches ganharem mais popularidade entre o público feminino seria por meio da publicidade conceitual. Por exemplo, uma propaganda de perfume apresenta o produto, mas o que vende mesmo é a ideia por trás dele — a estética, o ideal. A Apple, por exemplo, utiliza bastante esse tipo de técnica para fisgar seu público, vendendo não somente produtos com funcionalidades modernas, mas oferecendo ao público um status. E isso também independe de gênero: tanto mulheres quanto homens desejam se conectar com a marca e preferirão usar um produto (ainda mais um vestível) cujo conceito reflete sua identidade.

Fonte: Racked