Relógios inteligentes, revolucionários ou modismo?

Por Colaborador externo | 18 de Dezembro de 2014 às 13h32
photo_camera Divulgação

Por Beni Harari*

Após Apple, Samsung, Motorola, LG e Sony terem anunciado a entrada no mercado de relógios inteligentes, muito tem se comentado a respeito deste novo segmento. As principais dúvidas são relacionadas ao uso efetivo do produto e os possíveis benefícios que ele pode trazer, sobre quando, de fato, a tecnologia estará disponível para os usuários comuns e qual seria o impacto para outros produtos de tecnologia com a chegada desta novidade.

O ponto de partida para entender o que o relógio pode causar é reconhecer que ainda estamos numa fase totalmente embrionária; na ponta do iceberg e, como todo produto disruptivo, temos que nos recordar que o uso de uma nova tecnologia é “trabalhoso”, lento e com uma curva de utilização do produto exponencial. Basta lembrar que no inicio da era dos smartphones, ler um mail era uma tarefa para poucos; tablets foram considerados meramente celulares com telas maiores e por aí vai.

Vale narrar uma lenda de como o próprio relógio de pulso foi criado. Santos Dumond precisava cronometrar o tempo de voo de suas experiências com seus aviões, como o relógio ficava no bolso, preso a uma corrente, ele tinha muita dificuldade de manuseá-lo. Com isso, ele encomendou ao famoso relojoeiro Cartier um modelo que ficasse fixo no seu braço e facilitasse a observação e o controle das horas e minutos. Mesmo a estória sendo somente uma lenda (o relógio de pulso foi criado 90 anos antes deste evento), ela narra o momento de transformação de algo estático para algo com maior mobilidade. Na mesma linha de raciocínio, hoje “tiramos o celular do bolso” mais de cem vezes por dia, desbloqueamos a tela e aí sim acessamos ao que interessa. Com o relógio inteligente, poderemos deixar o smartphone no bolso e simplesmente olhar nosso pulso para pegar uma parte das informações que necessitamos.

Uma vez explicado este ganho de eficiência de se obter informações simplesmente ao virar o pulso, em vez de ter que tirar o aparelho do bolso, vem a pergunta mais difícil do momento: quais informações conseguirei aproveitar no relógio e quais não conseguirei?

Em termos de recebimento e visualização de noticias e notificações (e-mails, mensagens, whatsapp), devido aos diversos tipos e tamanhos de telas, o cenário é bastante otimista. As principais restrições são para os itens mais pesados: como imagens, filmes, planilhas e apresentações, que não devem migrar para o relógio em um primeiro momento. Além disso, o relógio poderá alavancar análises de saúde e fitness, que hoje são praticamente descartadas no uso do celular.

Já em relação ao envio de informações, temos duas barreiras de entrada. O primeiro seria a resposta por voz, dado que, com a tela pequena fica inviável digitar pelo relógio. Com o aparelho reconhecendo o que o consumidor fala e deixando a opção para transformar em texto ou deixar do jeito como foi dito, teríamos o modelo de envio de informação ideal. Infelizmente, o reconhecimento de voz ainda está longe de chegar neste patamar ideal. Vale ressaltar que ele avança a passos largos e em alguns poucos anos deve ser tornar algo rotineiro.

O segundo ponto para envio de informações é mais complexo, pois envolve privacidade. A câmera fotográfica dentro do relógio seria um excelente recurso e foi embutida nos primeiros modelos. Porém, após muitas críticas que isso iria expor situações onde as pessoas não saberiam que estavam sendo fotografadas, foi excluída dos modelos atuais. Resta a pergunta: se alguém quiser tirar uma foto escondida, não irá tirar de qualquer jeito? Seja com uma câmera de celular, com uma caneta, ou com uma câmera embutida? Portanto, imagino que as fotografias devem voltar aos relógios assim que os primeiros ansiosos pela proteção de privacidade analisarem o tema com mais calma.

Outro ponto que ainda traz muitas duvidas é em relação a quantidade de pessoas que usam relógio como artigo de moda e de luxo, mas que não migrariam para algo meramente funcional. Quanto a isso, tenho poucas duvidas que aí se encontra muito mais uma oportunidade disfarçada do que um grande problema. Chance de ouro para os gigantes da tecnologia se unirem à indústria da moda e criarem algo em conjunto. Que responda tanto pelo aspiracional do design quanto pela tecnologia. A partir daí pode nascer um excelente casamento!

Olhar e responder e-mails e mensagens, controlar músicas, fazer chamadas, ser uma fonte de aplicativos para melhorar a saúde do usuário, são todas funções que virão no relógio e estão a um passo próximo do futuro. E isso será o suficiente para causar uma nova revolução tecnológica, portanto, dificilmente estamos passando por um modismo. O relógio veio para ficar. Talvez outras funções mais complexas como ler um texto grande, uma apresentação ou uma planilha ainda não serão resolvidas com o relógio. Possivelmente, estas funções permanecerão nas telas dos smartphones, tablets e notebooks, ou talvez seja só uma questão de tempo até o próximo “wearable” revolucionar este glorioso mercado de tecnologia novamente.

*Beni Harari é Diretor de Vendas – Canal Ecommerce da Allied, principal provedora de equipamentos tecnológicos do Brasil.

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.