ZTE estrutura operação brasileira para atingir mercado premium nos próximos anos

Por Rafael Romer | 26.07.2016 às 09:47

Em 2011, a fabricante chinesa ZTE atingiu seu pico histórico de vendas de celulares no mercado brasileiro, com mais de quatro milhões de feature phones comercializados. Surpreendentemente, a companhia resolveu deixar o mercado de celulares no país pouco tempo depois, em uma espécie de "reorganização" de seus negócios, que passou a mirar exclusivamente no setor de telecomunicações.

O hiato durou quatro anos, até junho do ano passado, quando a ZTE anunciou que voltaria ao mercado de smartphones no Brasil, focando, desta vez, em modelos de entrada com valores abaixo de R$ 1 mil - que também agora passariam a ser manufaturados em Manaus, através de uma parceria com a fabricante Evadin.

Doze meses após a "reativação" da divisão, o plano de expansão da empresa parece continuar avançando, ainda que a passos lentos.

De acordo com Mao Liang, Gerente de Projetos da ZTE do Brasil, a estratégia da companhia pelos próximos dois anos deverá continuar girando ao redor dos mercados de entrada e intermediário de smartphones, competindo com empresas como Samsung, Alcatel e Positivo para ganhar market share.

"Nestas faixas, o consumidor brasileiro não tem tantas escolhas de mercado como em outros países, a Samsung domina mais da metade do mercado", afirmou Liang em entrevista ao Canaltech. "No começo, nós não queremos grandes volumes, nós queremos um crescimento saudável".

A companhia não revela números sobre suas vendas recentes no país, mas afirma que tem ganhado espaço principalmente nas regiões Sul e Nordeste desde que voltou à ativa. Neste ano, a ZTE fechou sua segunda parceria de fabricação local, agora em Jundiaí (SP), com a Arima, que deverá ajudá-la a reforçar a presença da marca no Sudeste, o maior mercado consumidor do país.

A expansão passo a passo tem um motivo claro: a fabricante tem planos de atingir o mercado premium de smartphones do país, mas reconhece que ainda precisa de um trabalho forte de marca antes de ter alguma chance de competir com marcas já conhecidas pelo brasileiro na venda de dispositivos de topo de linha. "Os mercados de entrada e intermediário são mais sensíveis a preço, já o de topo de linha é sensível a marca. Nós temos que ter cuidado", explicou Liang.

Na semana passada, a companhia anunciou o lançamento de quatro novos dispositivos no Brasil, os modelos de entrada da linha Blade (o L110, o A110 e o A510), que chegam a partir de setembro, além do Blade A610, a primeira oferta de um smartphone intermediário-avançado da empresa por aqui, que deve "marcar presença" da ZTE nesse segmento.

"A ideia é massificar a marca através dos produtos. A gente confia na nossa qualidade e temos uma competência de produção grande, então a melhor forma de tornar a marca conhecida é colocar o máximo de produtos no mercado, em diferentes faixas de preço acessíveis ao consumidor", comentou Claudio Silva, Diretor de Desenvolvimento de Negócios da ZTE - recém-chegado à empresa da Alcatel, onde também foi responsável pela expansão da empresa no país.

A expansão dos negócios também deverá passar por uma expansão dos parceiros de distribuição da companhia no Brasil. Hoje, a ZTE trabalha junto a distribuidora Allied para comercialização de smartphones no país, mas varejistas como Lojas Americanas também estão na mira. A empresa também tem conversas com as operadoras Tim e Vivo para expansão de vendas através destes canais ainda neste ano, hoje focadas somente na Claro.