Xiaomi e outras marcas chinesas saem lentamente do mercado russo

Xiaomi e outras marcas chinesas saem lentamente do mercado russo

Por Vinícius Moschen | Editado por Wallace Moté | 12 de Maio de 2022 às 11h29
VCG

Depois de diversas companhias do mundo da tecnologia anunciarem a suspensão de suas atividades na Rússia, empresas chinesas como a Xiaomi e a Lenovo fazem o mesmo, mas de uma forma mais sutil.

Mercado russo de smartphones teria sido encolhido para apenas um terço do registrado anteriormente (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

De acordo com uma reportagem publicada pelo Wall Street Journal, as companhias se encontram em uma situação complexa. Fornecedores sediados nos Estados Unidos já teriam pressionado marcas para garantir que suas peças não seriam exportadas para a Rússia, o que poderia ser configurado como uma violação de regras impostas pelo governo americano.

Por outro lado, uma ruptura completa com o mercado russo poderia gerar consequências negativas em relação ao próprio governo chinês, que vem adotando uma posição mais neutra no conflito. Por esse motivo, não foram feitos comunicados oficiais por parte dessas empresas, assim como aconteceu nos casos da Apple e Samsung, entre diversas outras marcas.

Apesar de manter uma linha relativamente neutra em relação à guerra na Ucrânia, a China já implementou regras que podem obrigar as companhias locais a não cumprirem restrições que sejam consideradas injustificadas — portanto, uma referência direta às punições aplicadas pelos governos ocidentais.

Mesmo assim, pesquisas realizadas nos últimos meses indicam que as exportações da China à Rússia já foram reduzidas em 27% entre fevereiro e março — entretanto, o valor também foi afetado por surtos de covid-19 que desaceleraram a produção em vários setores. Essa proporção é relacionada a diversos tipos de produtos, que também incluem o mercado de tecnologia.

DJI adotou “neutralidade contundente”

Drones da DJI estariam sendo utilizados no conflito (Imagem; Divulgação/DJI)

Semanas atrás, a fabricante de drones DJI foi a primeira empresa chinesa de grande relevância a fazer declarações mais diretas sobre a guerra. Mesmo que tenha suspendido operações na região, a marca manteve a isenção ao afirmar que “não estava mandando uma mensagem específica para nenhum país envolvido”.

No caso específico da DJI, a empresa também encerrou exportações à Ucrânia, além da Rússia. A paralisação aconteceu como uma resposta a vídeos divulgados anteriormente, em que combatentes estariam usando drones da marca para definir posições estratégicas no conflito, algo que feriu princípios internos da companhia.

De acordo com os últimos relatórios feitos por agências especializadas, estima-se que o mercado de notebooks tenha encolhido em cerca de 40% na Rússia desde o início da guerra. A situação é ainda mais crítica em relação aos smartphones, que registraram uma queda próxima a dois terços em relação ao que era registrado em anos anteriores.

Fonte: Wall Street Journal

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