Vendas de celulares caem 2,9% em todo o mundo

Por Felipe Demartini | 03 de Maio de 2018 às 11h55
Xiaomi

O mercado de smartphones apresentou queda de 2,9% entre janeiro e março deste ano, com 334,3 milhões aparelhos comercializados em todo o mundo. Os dados são da IDC, que apontou para a China como o motor dessa pequena retração. O motivo é redução no ciclo de atualização de aparelhos que afetou todo o mundo, mas teve o país asiático como principal atingido pelo movimento desacelerado.

No mesmo período de 2017, por exemplo, foram 344,4 milhões de dispositivos vendidos em todo o mundo. Enquanto isso, entre janeiro e março de 2018, somente o mercado chinês movimentou 100 milhões de unidades a menos, apresentando uma retração que não acontecia desde 2013 – mas, agora, é digna de mais atenção, pois estamos falando de um mercado emergente, cuja queda foi movida não por uma crise econômica ou mudanças nos rumos da nação, mas pela visão dos próprios consumidores.

A ideia é a mesma para todas as regiões do mundo: o alto preço de dispositivos topo de linha levou muita gente a pisar no freio e aguardar um pouco mais antes de trocar de aparelho. Isso está relacionado não apenas à safra que chegou às lojas no final do ano passado, mas também a um movimento que, na visão da IDC, teria começado entre os últimos 12 a 18 meses, com smartphones mais caros, mas não tão revolucionários assim em relação aos antecessores.

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A Samsung se manteve na liderança, com 23,4% de todos os smartphones vendidos no primeiro trimestre de 2017. A companhia sul-coreana, entretanto, comercializou 2,4% menos em relação ao mesmo período do ano passado. A Apple permaneceu na segunda posição, com 15,6% dos dispositivos vendidos no período e reduzindo a diferença para sua principal rival, apresentando um crescimento de 2,8%.

Mais uma vez, quem tem motivos para comemorar é a Huawei, que se solidifica na terceira colocação e reduz ainda mais a distância para a empresa de Cupertino. Ela, agora, é a responsável por 11,8% dos celulares vendidos no período e apresentou crescimento de 13,8%, o maior aumento já registrado desde que passou a fazer parte do panteão do segmento.

É justamente esse tipo de resultado que reforça a análise da IDC de que o caminho a seguir está nos aparelhos mais baratos. Para os consumidores, aparentemente, a balança entre inovação e preço não está mais balanceada, com os usuários não vendo recursos inéditos convincentes o bastante para trocarem os aparelhos que já carregam nos bolsos por novas versões.

Na análise da firma, então, o ideal é que o mercado se volte para topos de linha mais baratos, mesmo que eles mantenham a aparência e funcionalidades de seus antecessores, ou apostem em mudanças significativas, de forma a justificarem o valor cobrado nas prateleiras. Esse, porém, é um movimento que demora para acontecer e, por isso, a perspectiva é de novas quedas para os próximos trimestres.

Uma demonstração desse aspecto é o resultado exibido pela Xiaomi, que viu o Redmi 5A, seu modelo mais em conta, sendo a grande vedete de sua expansão para a Índia, que hoje já é segundo mercado da companhia. Mais de metade das vendas da marca chinesa aconteceram fora de sua terra-natal e, no primeiro trimestre de 2018, ela foi responsável por 8,4% do total global de vendas, um crescimento de 87,8% que, muito em breve, deve significar grande incômodo para quem está no topo.

Fechando o top 5 está a OPPO, também da China, com 7,1% de market share e queda de 7,5%. Ainda focada no país asiático e com atuação centralizada principalmente nos aparelhos robustos, mais baratos, a companhia também sentiu a retração no território, com seu direcionamento atual para o varejo online indicando que, muito em breve, seus números devem voltar a crescer.

Fonte: IDC

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