Sony Xperia XZ [Análise]

Por Adriano Ponte

A Sony confundiu muito o mundo com os nomes dos aparelhos que tem lançado esse ano. Se você gostou do Xperia Z3 e Z5, agora pode acompanhar a evolução dessa linha pelo codinome XZ.

O aparelho

Imagine se o seu HD externo tocasse, e você atendesse ele. Essa é a sensação estética que o XZ dá para você. Isso não é uma crítica, ele apenas parece bastante com HDs externos, com seu corte reto no topo e na parte de baixo.

Quando falamos reto, é sério. Ele fica de pé sozinho, coisa que raramente celulares são capazes, mostrando que o formato arredondado é o “novo padrão”. O XZ foge disso, e mantém suas câmeras niveladas com a totalidade do corpo. É um Xperia, como sempre, com a mesma linha Sony de design. Ele pesa cerca de 161g em tem 8.1mm de espessura.

Uma nota sobre o material desse produto: a Sony indicou que trata-se do ALKALEIDO, que nada mais é que uma liga de alumínio manufaturada no Japão, que reflete vários tons de cor dependendo da posição. E, por um acaso, esse modelo que a Sony nos emprestou para testes é na “nova cor” Forest Blue.

Para nós, utilizar o ALKALEIDO na construção conseguiu um toque metálico, mas não liso. Ele tem uma boa pegada, e não escorrega. Mas, independente disso tudo, o aparelho possui IP68, sendo certificado para imersões em água doce por até 1.5 metro por 30 minutos.

Especificações

Rodando o Android v6.0.1 (Marshmallow) com upgrade futuro para o v7.0 (Nougat), temos um aparelho com:

  • "Chipset Qualcomm Snapdragon 820"
  • CPU Quad-core (2x2.15 GHz Kryo & 2x1.6 GHz Kryo)
  • GPU Adreno 530
  • 3 GB RAM
  • 32GB de armazenamento interno com suporte microSD

E temos ainda:

  • Wi-Fi a/b/g/n/ac (dual-band)
  • Bluetooth v4.2
  • GPS/GLONASS
  • NFC
  • USB-C
  • Saída de fones 3.5mm

Display e multimídia

Na parte frontal do Xperia XZ, temos uma tela IPS LCD de 5.2" rodando na resolução de 1080 x 1920 pixels (fechando em ~424 ppi). A tela utiliza a matriz Triluminos da Sony.

Durante nossos testes, notamos boas reproduções de cores com tons vivos, mas com problemas na precisão dessa cores mostradas. Vale notar que já citamos "problemas" com a matriz Triluminos em outros Xperias aqui no Canaltech, e de certa forma a história se repete.

Existe um estouro berrante no vermelho, lavando com força a cor exibida no display. Os tons brancos e cinzas mostram um suave brilho azul também. Existe ajuste para as cores via software, mas em geral essa é a impressão que o XZ passa. É algo que deve incomodar os mais detalhistas. De resto, nada demais, temos bons níveis de contraste e até mesmo uma boa gama de cores nas misturas de preto, mesmo sendo LCD, fato (quase) compensado pelos baixos níveis de brilho que a tela pode atingir.

Nosso destaque para dois acertos da Sony: a leitura sob luz solar, que funciona muito bem, e a resolução em FHD e não 2K ou 4K. Isso é ideal para o tamanho de tela do XZ, alivia o processador e poupa energia.

Completando o kit multimídia, temos dois alto-falantes frontais, coisa que apreciamos muito no Canaltech. A questão é apenas a potência deles, que continua sendo relativamente fraca. Falta força para entregar um som mais alto e encorpado, e todas as frequências ficam "flat", niveladas sem destaque. É, apenas um quebra galho em termos de som. Pelo menos é frontal, não?

Usabilidade e desempenho

Começando pela interface, ainda temos interferência insistente da Sony sobre o Android, com sua customização de ícones, launcher, tela de bloqueio, temas, e apps pré-instalados que a fabricante julga importantes para sua vida. Ou seja, aquelas notificações irritantes com conteúdo idiota ainda aparecerão pelo seu Xperia de vez em quando.

Já a leitura de digitais segue no modelo, e no molde "lateral" apresentado pela Sony na geração anterior. A leitura está melhorada em termos de ergonomia, sem afundamento do botão em relação a moldura do aparelho. A execução é excelente. Basta apertar o botão para que a tela ative-se já na animação de desbloqueio.

Falamos bastante do Chipset Snapdragon 820 esse ano, uma das combinações mais poderosas do momento para rodar o Android em aparelhos móveis. Não vamos girar muito sobre esse assunto, afinal notamos em nossos testes total domínio do aparelho sobre as tarefas mais pesadas com clara folga, fato esperado para um CHIP de alta velocidade e força bruta como esse. Nossa única observação fica para os 3GB de RAM do XZ, deixando uma possível lacuna para o futuro, onde ele pode ficar um pouco atrás dos tops de linha com 4GB ou mais.

Câmeras

Na câmera traseira, temos 23 MP, f/2.0, 24mm, com detecção de fase e autofoco laser, com gravação de vídeos em 2160p@30fps.

Como sempre falamos, a quantidade de MP nas fotos produzidas pelos Xperias varia, PODENDO chegar ao valor máximo do sensor. Isso acontece pois partes diferentes do sensor processam a captura de acordo com cena, estabilização de imagem e tudo mais, influenciando nos MPs finais da foto.

Segundo a apresentação do produto, a Sony implementou uma estabilização de 5 eixos no XZ, analisando padrões de movimento e corrigindo tremores. Na prática, é estabilização via software, e há a opção "SteadyShot" nos menus do aparelho. Funciona, mas ainda sim pode deixar a desejar se comparada à estabilização óptica que já vimos em outros aparelhos.

Esse trabalho todo de software e sensor analisando cenas se mostrou mais funcional com o foco dos quadrados do que com a estabilização, de qualquer forma. Ele funciona de forma mais uniforme no XZ, e mantém o rastreio de objetos que a fabricante colocou em alguns modelos recentes.

Caso você esteja se perguntando, o Laser ajuda no foco sim, mas para assuntos mais próximos, como sempre. Outras situações usam a leitura híbrida da cena. Certo, mas e a qualidade? O que acontece depois de apertar o botão físico de disparo? Daí vem o "tópico que renasce", mas versão Xperia. Falamos do pós-processamento.

Infelizmente a Sony não se conteve ao implementar seu algoritmo de suavização no XZ, e aquele velho efeito de "pintura a óleo" fica muito visível, em praticamente qualquer cena com qualquer quantidade de luz. O XZ aplica uma forte supressão de ruído sobre a foto, e logo em seguida aplica um filtro de nitidez excessiva.

O resultado é uma imagem chamativa para a tela do celular, mas que em qualquer zoom, ampliação ou foco em alguma parte, fica claro que temos uma "pintura" digital. É tanto cuidado para a foto ficar limpa que mata muito detalhe e textura das superfícies. E o curioso é que a Sony tinha mostrado no Xperia XA bem menos exageros com o algoritmo de pós-processamento, mas manteve isso no XZ. Mas isso pode ser resolvido com uma atualização de software futura, mas depende única e exclusivamente da Sony esse movimento, isso SE ela julgar isso tudo que citamos um problema algum dia.

Na frente, temos 13 MP, f/2.0, 22mm, com gravação de vídeos em 1080p. As fotos dessa câmera são boas. Ela consegue se virar bem com o registro de cores, apenas jogando alguns tons roxos quando em pouca luz.

E ponto curioso: na câmera frontal, a suavização do pós-processamento é consideravelmente menor. Muito menor, diga-se de passagem, afinal as pessoas não ficam com cara de bonecos de cera. Em geral, o resultado para as fotos frontais são bem superiores ao que esperávamos, sendo muito fiéis aos quadros originais que geram as capturas.

Bateria e acessórios

Balde de água fria: temos suporte ao carregamento rápido de bateria (Quick Charge 3.0), porém o carregador fornecido com o aparelho indica 5v com 1500 mAh de saída. "Meh."

Podemos supor errado, mas isso nos parece intimamente ligado ao sistema de carga inteligente que a Sony anuncia para o produto, onde o XZ faz um histórico de como e quanto você carrega seu aparelho, fazendo assim sua bateria encher no ritmo certo, sem aquecer e sem forçar o circuito com cargas infinitas. Seria algo como: "como eu sei que está de noite, vou carregar devagar pois ele só vai me tirar da tomada de manhã, afinal ele tem alarme para as 7".

Fora isso, temos uma bateria de 2900 mAh, e em nossos testes notamos uma descarga média de 19% por hora, ocasionalmente batendo os 21% em algumas das repetições testadas. Lembrando que testamos streaming contínuo, com brilho máximo, por rodadas de 1 hora cada, apenas com o Wi-Fi ativo.

Isso significa, infelizmente, que em uso ativo o XZ não sabe muito bem otimizar a queima de energia, mesmo com o sistema em 1080p. Você deverá considerar andar com o carregador caso seja um usuário mais ativo.

Quando falamos "mais ativo" é específico, pois fica aqui a menção honrosa da capacidade de manter energia na bateria quando em espera. Deixamos o XZ mais de 48 horas em espera (sem uso, tela desligada) e notamos uma descarga mínima (algo entre 15 ~ 20% da carga foi consumida neste período). Esse item não costuma ser contabilizado, mas no caso do XZ chamou nossa atenção mesmo.

Vale a pena

Se você veio aqui pela câmera, o principal instrumento da Sony na divulgação do XZ, sugerimos que não considere o aparelho. Em comparação do Z5, não consideramos o XZ um avanço imenso e que valha o upgrade, mesmo com o foco laser e novos balanceamentos no sensor. A diferença praticamente não é notável na experiência de fotografar.

Agora, se você tem R$ 3.999,00 para gastar com um Xperia, gosta do design Sony e pretende adquirir o atual top da marca por aqui... é interessante pelo ponto de vista desempenho, que está de fato superior a geração passada, e não tem problema algum de superaquecimento em uso normal, como alguns Xperias ficaram conhecidos. Some isso ao IP68, e temos um forte representante da linha Xperia.

Resumo? Potente, muito caro e com uma câmera bem similar a geração Z passada.

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