Reconhecimento facial do iPhone está anos à frente do Android, dizem fabricantes

Por Felipe Demartini | 21 de Março de 2018 às 13h52
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A guerra entre as fabricantes de celulares com Android e a Apple costuma ser acirrada em diversos campos, mas não no do reconhecimento facial. Pelo menos, é isso que afirma um grupo asiático de fornecedores de componentes, que declararam que a tecnologia Face ID, presente no iPhone X e que deve estar em outros equipamentos da marca no futuro próximo, está pelo menos dois anos à frente das rivais.

Para a Viavi Solutions, Finisar Corp. e Ams AG, três empresas que trabalham diretamente com esse tipo de tecnologia, os investimentos pesados da Maçã no setor garantiram uma vantagem estratégica para a companhia. Além disso, acordos de exclusividade com as companhias também permitem que a empresa tenha acesso dedicado aos componentes que saem das linhas de montagem, dificultando contratos, pesquisas e aplicação de tais recursos pela concorrência.

Ao imaginar um sensor facial para o iPhone X, uma vez que a ideia era criar um celular cuja tela ocupasse toda a parte frontal do dispositivo, o que acabaria com o botão Home, a Apple criou um sistema que não confia apenas no visual. Além de analisar as imagens obtidas pela câmera, o Face ID usa um sistema de mapeamento tridimensional para ler o rosto do usuário, apenas liberando a utilização do aparelho quando sua aparência e características são certificadas.

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É um recurso que, por si só, já é impressionante, apesar de ainda precisar de ajustes e melhorias. Suas aplicações estão não apenas no campo da segurança, mas também da realidade aumentada e virtual. De acordo com números do Gartner, um dos principais institutos de pesquisa do mercado de tecnologia, 40% dos smartphones em utilização até 2021 contará com sistemas desse tipo, um mercado que vai movimentar bilhões de dólares em investimento e também em vendas.

Faz sentido, então, que a Apple se posicione para estar na vanguarda. A empresa de Cupertino, por exemplo, investiu US$ 390 milhões na Finisar, uma das principais fabricantes de sistemas de laser usados no reconhecimento facial. Como parte do contrato, é claro, a empresa garante o fornecimento de componentes do tipo para o iPhone. Outros negócios não confirmados oficialmente teriam sido feitos com companhias que vão desde a produção de lentes e sensores para o Face ID como o cobalto usado nas baterias de smartphones.

Quando introduziu um sensor de impressões digitais no iPhone 5s, em setembro de 2013, a Samsung foi a primeira fabricante de topo de linha a aderir à onda, mas somente em abril do ano seguinte. Hoje, leitores biométricos desse tipo são padrão na indústria, deixando rapidamente de serem considerados como um diferencial dos dispositivos da Apple. A empresa de Cupertino não quer ver o mesmo acontecendo agora.

O resultado de toda essa movimentação, apontam as fabricantes do setor, é um gargalo. Não que elas estejam chateadas com isso, pois a Apple paga, e muito bem, por isso. Quem deve se preocupar é a concorrência, que cada vez mais vê dificuldades na criação de sensores faciais tão precisos como os da Apple. A ideia é que ainda vai levar alguns anos para que isso aconteça.

A expectativa do grupo de fabricantes é que pelo menos uma empresa do mercado mobile introduza um sensor facial semelhante ao da Apple até o final deste ano, mas com lançamento limitado a apenas alguns territórios devido à baixa oferta de sensores. Em 2019, a perspectiva é que mais duas companhias passem a utilizar essa tecnologia, mas uma popularização de verdade do recurso não deve chegar antes de 2021.

O grupo não revelou quais seriam as companhias interessadas na tecnologia, afirmando apenas que elas estão nos níveis superiores no mercado. Hoje, uma das poucas companhias a investirem na leitura tridimensional por meio da câmera é a Asus, com o Zenfone AR, lançado no ano passado. Como o nome já indica, entretanto, a funcionalidade é usada em sistemas de realidade aumentada e não como dispositivo de segurança, aos moldes do iPhone X.

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