Qualcomm quer impedir Apple de vender o iPhone nos EUA

Por Redação | 04.05.2017 às 12:15

A Qualcomm está preparando um pedido à Comissão de Comércio Internacional para impedir a Apple de vender o iPhone nos Estados Unidos. A disputa de cachorros grandes tem a ver com o fim do pagamento de royalties pela utilização de chips nos smartphones da Maçã, que considera a cobrança abusiva e excessiva.

A empresa de Cupertino reconhece o papel da Qualcomm na criação e desenvolvimento de tecnologias relacionadas a componentes mobile, e não nega a vontade de pagar, mas deseja fazer isso pelo valor da inovação em si. Enquanto isso, a agora rival Qualcomm pede que os acertos sejam feitos de acordo com o preço de venda dos dispositivos no varejo, o que, claro, gera grande impacto nas receitas das companhias do setor.

A disputa comercial chegou a um ápice no final de fevereiro quando, após falhar em chegar a um acordo com a Qualcomm, a Apple deixou de realizar os pagamentos. O total de mais de US$ 1 bilhão em royalties vem sendo reservado desde então e, na imprensa, a Maçã afirma pagar cinco vezes mais que companhias concorrentes que possuem acordo ou contratos com a fabricante de chips.

Na mais recente revelação de relatórios financeiros da Apple, o CEO Tim Cook também abordou o caso, afirmando, mais uma vez, que a empresa não se nega a pagar, apenas que não pode fazer isso enquanto houver disputa. Para ele, enquanto as partes envolvidas não chegarem a um acordo com relação ao total de royalties devidos, nenhum dinheiro será transferido. O executivo não exclui a ideia de depender de um tribunal para chegar a esse objetivo, mas diz esperar que uma solução amigável seja encontrada.

Além disso, Cook discorda da noção de que as tecnologias da Qualcomm são parte integrante e essencial do conteúdo do iPhone. Para ele, as inovações da companhia seriam uma “pequena parte” desse todo e não teriam nada a ver com alguns dos principais destaques do produto, como o sistema Touch ID, os displays Retina e o sistema operacional iOS.

A Apple não fala diretamente sobre o assunto, mas insinua que a discrepância no que é cobrado tem a ver com medidas protecionistas. A empresa de Cupertino prefere trabalhar por conta própria na criação dos chips para seus aparelhos, ao contrário de outras fabricantes, que adquirem esses componentes da própria Qualcomm, que tem a linha Snapdragon de processadores como seu principal produto.

A Comissão de Comércio Internacional (ITC, na sigla em inglês) é um órgão do governo dos Estados Unidos que regula práticas comerciais relacionadas à importação de produtos para o país. Caso o pedido da Qualcomm seja aceito, a venda do iPhone deverá ser interrompida imediatamente até que uma solução seja encontrada, algo que pode ter impactos significativos sobre as receitas da Apple.

Fonte: Bloomberg