Qualcomm e Intel pedem que EUA reconsiderem banimento da Huawei

Por Felipe Demartini | 17 de Junho de 2019 às 11h42
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Em mais um capítulo da novela Huawei, que prova o tamanho da interrupção causada pelo banimento da empresa chinesa, Qualcomm e Intel estariam negociando para que o governo dos EUA reconsidere essa proibição, de forma que ambas possam manter a companhia como uma de suas principais clientes de hardware. A redução esperada no faturamento combinado seria de US$ 11 bilhões ao ano, de acordo com fontes anônimas que falaram sobre os esforços de ambas junto à administração Trump.

A postura nos bastidores seria bem diferente daquela adotada publicamente. Poucos dias após a assinatura da ordem executiva impondo sanções à Huawei pelo presidente Donald Trump, tanto Intel quanto Qualcomm informaram estarem realizando as mudanças necessárias para se acomodarem às novas normas. O mesmo vale para Google e tantas outras companhias. Nos bastidores, entretanto, o lobby estaria começando para que o governo reavaliasse a decisão brusca.

Uma alternativa apresentada pela dupla seria a adição de exceções ao banimento, principalmente no que toca componentes que não interfeririam na segurança nacional. Seria o caso, por exemplo, de processadores, chips Wi-Fi e outros componentes que estariam disponíveis nos celulares da Huawei vendidos fora dos EUA, que não representariam preocupações nesse sentido para o governo americano.

Estaria fora da questão, por outro lado, a continuidade dos trabalhos com a tecnologia 5G, dos quais a Huawei se encontra em um processo de adaptação e saída após receber uma autorização de três meses para que a proibição não se tornasse disruptiva demais. Ainda assim, as envolvidas estariam preocupadas com o possível dano da medida às companhias americanas e, também, em uma redução na competitividade por conta dos revezes oriundos das sanções.

Intel e Qualcomm, claro, não falam publicamente sobre o assunto, mantendo uma postura quieta, mas de acordo com as regras assinadas por Trump. A Google, que não estaria envolvida diretamente no lobby citado pela agência Reuters, por outro lado, já demonstrou publicamente sua preocupação quanto à fragmentação do mercado e uma redução na segurança digital por conta do lançamento de uma versão alternativa do Android, que estaria sendo desenvolvida pela Huawei para seus smartphones a partir do segundo semestre.

Na época dos banimentos, a Huawei minimizou o impacto da medida, afirmando que, em alguns casos, ela seria mais danosa à indústria americana do que à própria fabricante, que poderia buscar substitutos para os componentes adquiridos nos EUA no mercado internacional. Na ocasião, também, ela adiantou as informações publicadas agora, indicando que antigos parceiros estariam tentando uma reversão das medidas junto ao governo.

Oficialmente, entretanto, nenhuma palavra. O banimento da Huawei vem sendo usado pelo governo dos EUA como uma das armas na guerra comercial contra a China, enquanto o presidente Trump, no final de maio, deu sinais de recuo afirmando que as sanções podem ser derrubadas como parte de um futuro acordo comercial. A fabricante sinalizou positivamente a essa hipótese, se prontificando até mesmo a assinar um termo de não-espionagem, mas as negociações nesse sentido ainda não avançaram.

Fonte: Reuters

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