Opinião: nada de Xperia Z6 na MWC. Sony entrando nos trilhos?

Por Pedro Cipoli | 25 de Fevereiro de 2016 às 16h26

Geralmente vista como uma das “top 3” principais fabricantes de Android, a Sony não andou muito bem nos últimos tempos. Mesmo com excelentes aparelhos no mercado, a estratégia de vendas e de posicionamento no mercado não ajudou muito a empresa, com aparelhos caros e rapidamente substituídos em poucos meses por um modelo mais recente. O top de linha mais novo, Xperia Z5 Premium, realmente chamou a atenção, já que era o primeiro smartphone do mundo a trazer um display 4K, mas não foi o suficiente para atrair tantos usuários quanto era esperado. Muitos olharam com curiosidade, mas poucos realmente se interessaram.

Parte disso é, como dissemos, a própria estratégia de vendas da Sony, a forma como a empresa posicionava seus modelos no mercado, com um custo consideravelmente maior sem, necessariamente, oferecer grandes benefícios em troca. Mas parece que isso mudou: na MWC desse ano, com 3 novos aparelhos, a Sony parece ter finalmente acertado no posicionamento de seus produtos, uma mudança estratégica que pode ajudar a empresa a voltar aos “top 3”, e que vamos entender em mais detalhes nas próximas linhas.

Nada de Xperia Z6 (ainda bem)

Se a Sony continuasse a estratégia utilizada até o ano passado, provavelmente teríamos um Xperia Z6 (assim como uma versão Premium e outra Compact) anunciadas na MWC, o que seria uma pena. Entre o anúncio de um novo aparelho e ele efetivamente chegar às prateleiras da maioria dos países, há um intervalo de alguns meses, em especial países altamente burocráticos como o Brasil. O Xperia Z5 mal chegou aqui, e, se a Sony anunciasse o Z6, quem acabou de comprar um Z5 (por um preço nada amigável, diga-se de passagem), já teria um modelo “velho” nas mãos. Realmente, continuar essa estratégia seria suicídio.

A verdade é que o Xperia X Performance não é tão diferente assim do suposto Xperia Z6. Ele é uma evolução do que Xperia Z5, só não traz o nome “Xperia Z6”, já que a Sony coloca o nome que bem entender em seus modelos, e optou por Xperia X Performance. Por quê? Para sinalizar uma mudança de estratégia, além de uma simplificação da segmentação de seus aparelhos, já que há um Xperia X “normal” e um Xperia XA mais basicão (comparado aos outros dois, claro). Somente 3 aparelhos, com diferenças claras entre eles e público-alvo bem definidos.

Xperia Z5 Premium

Mesmo que o Xperia X Performance seja um Xperia Z6 renomeado, isso já passa uma segurança maior para o usuário, longe de dar aquela sensação de que você comprará um aparelho que ficará desatualizado em poucos meses. Algo como “Ok, paramos com essa história de anunciar um top de linha por semestre (quando não em menos tempo).”. Basta a Sony posicionar o seu novo top de linha no mercado agora em valores razoáveis, tirando proveito das tecnologias exclusivas que já possui há tempos.

A Sony tem uma divisão de televisões, outra de fotografia, outra de baterias e, ainda por cima, seu próprio console. Todas essas divisões fazem da linha Xperia uma das mais controláveis entre os fabricantes, já que pode aproveitar o know-how de outros segmentos da empresa. Prova disso é a qualidade dos sensores de câmera dos Xperia, utilizados não somente pela Sony, mas também terceirizados para diversos fabricantes. Outro ponto é a tela, com qualidade bem acima mesmo em resoluções menores que os concorrentes, priorizando a autonomia de bateria, ponto que está mais em alta do que resoluções maiores.

Muito a aprender com a Motorola

Um dos principais motivos do sucesso da Motorola (atualmente sob controle da Lenovo) é a linha enxuta de aparelhos. Os principais rumores indicam o fim da linha E, deixando somente as linha G e X. Há diversas configurações e recursos dentro de cada uma das famílias, como HDTV, Music e Turbo na linha G, e variações de segmento da linha X (Play, Style, Force), de forma que o usuário sabe exatamente o que esperar de cada produto, mesmo se tratando, essencialmente, de duas linhas principais de produtos.

Moto X Style

Se a Sony se inspirar nessa estratégia, mantendo somente essas 3 linhas, isso pode facilitar muito a vida da empresa, além de mostrar para o usuário exatamente o que esperar das linhas X Performance, X e XA. Ainda que o X Performance seja o mais chamativo, acreditamos que é o X que realmente fará sucesso, já que o Xperia X já tem tudo o que um usuário avançado busca. Da melhor câmera que a Sony tem disponível até caixas de som estéreo frontais, é difícil encontrar algo que seja realmente necessário que não esteja presente nele. Porém, se o usuário estiver disposto a pagar um extra por uma configuração mais potente, resistência a água e uma bateria ligeiramente maior, o Xperia X Performance passa a melhor opção.

Até mesmo o Xperia XA, modelo mais básico, não decepciona, com um chip Helio P10 da Mediatek, 16 GB de memória interna e um par de câmeras com qualidade digna de um intermediário mais avançado. Ou seja, há linhas divisórias claras nessa geração: Xperia XA (intermediário), Xperia X (top de linha) e Xperia X Performance (segmento Premium). Basta a Sony acertar no preço, levando a realidade econômica de cada país, na divulgação clara de qual aparelho pertence a qual segmento e parar de “floodar” o mercado com novos modelos praticamente idênticos para ter boas chances de ter sucesso.

Conclusão

É preciso coragem para mudar de estratégia, em especial em um mercado que está saturando como o de smartphones. A Samsung, por exemplo, promete há tempos que pararia de anunciar tantos aparelhos por ano (um novo dia, um novo Galaxy), mas simplesmente não consegue, irritando os usuários que compraram o aparelho e ficarão sem atualizações. Além disso, a Sony cumpre uma promessa que fez há algum tempo: não trabalhará mais com aparelhos mais básicos, focando em aparelhos que podem até ser os mais básicos da linha, mas estão longe de serem insuficientes para a maioria dos usuários.

Xperia X

Focar em menos aparelhos, devidamente segmentados, e suportá-los por mais tempo (nada de abandoná-lo sem atualizações de sistema) é uma estratégia que é sempre bem-vinda. A Motorola foi uma das primeiras empresas a “sacar” isso, atualizando até mesmo o seu Moto E de segunda geração para o Marshmallow, assim como o Moto G de segunda geração, aparelho de 2014. Isso dá confiança para o consumidor, que sabe o que esperar da empresa ao comprar um aparelho novo, e cabe a Sony decidir se pretende inspirar essa confiança no consumidor ou deixá-lo com aparelhos rapidamente desatualizados.

Isso pode representar uma mudança de percepção do usuário em relação à Sony, que lida com prejuízos constantes em sua linha de smartphones e precisa trazer novos usuários o mais rápido possível. Mantendo a estratégia e não superfaturando seus aparelhos (como é, infelizmente, uma marca registrada da Sony. Lembra do PS4?) e mantendo a alta qualidade de seus produtos, acreditamos que isso acontecerá naturalmente. Resta-nos esperar e torcer, já que, quanto mais fabricantes de alto nível competindo entre si, melhor para o usuário.

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