Do que gostamos (e do que não gostamos) no iPhone 7 (Parte 2)

Por Pedro Cipoli | 09 de Setembro de 2016 às 20h41

Como geralmente acontece nos produtos da Apple, novas gerações trazem sempre um porém, além de uma bela dose de "mesmismo" em certos aspectos. É se mover para frente sem sair muito do lugar, já que, como já chegamos a explorar por aqui, a Apple está guardando seus upgrades realmente significativos para a próxima geração, seja ela o iPhone 7s ou o iPhone 8. Mas, ainda que a câmera seja o upgrade mais chamativo, há um outro componente que merece destaque.

Apple A10 Fusion

Já havíamos especulado sobre quais seriam as características desse novo chip (em duas partes), que alguns previam trazer 6 núcleos. Como dissemos, isso seria algo bem improvável, já que não é uma política da Apple dar passos tão grandes, e sim diluir novidades em um espaço de tempo mais longo. De fato, o A10 Fusion vem com 4 núcleos, com dois deles dedicados exclusivamente ao desempenho e outros dois para economia de energia.

iPhone 7

Depois de muitos anos, a Apple finalmente faz a transição para 4 núcleos, mas mais focando em economia de energia do que em maximizar o desempenho.

Ainda estamos reunindo informações sobre ele, de forma que não sabemos se a escolha da Apple é parecida com a do Snapdragon 820, que possui dois pares de núcleos idênticos, mas assíncronos, ou se é uma implementação big.LITTLE com dois cores diferentes. Em qualquer um dos casos, é excelente ver a Apple finalmente "tentando" melhorar a autonomia do iPhone, não se reservando tanto em núcleos que devem ser fortes e econômicos ao mesmo tempo.

Ponto para a Apple, que promete até duas horas de uso a mais para o iPhone 7 se comparado aos modelos anteriores (além de, claro, trazer um desempenho superior). Agora, o que esperar na prática?

E a bateria?

Um SoC eficiente é um requisito fundamental para uma boa autonomia de bateria, ainda que tenha um peso menor do que a própria bateria. A Apple raramente disponibiliza informações mais detalhadas sobre seus aparelhos durante o lançamento, talvez por achar que o iPhone esteja "acima de racionalizações de specs". Uma bobagem, já que pouco adianta esperar uma boa autonomia com um processador eficiente e uma bateria muito pequena.

iPhone 7

"Mais fino!" - "E a bateria?" - "MAIS FINO!!"

Olhando o novo (novo?) design do iPhone, é difícil ficar otimista. O mesmo vale para a própria afirmação da Apple de que eles aguentam até duas horas a mais fora da tomada, já que não é de hoje que a empresa afirma que seus aparelhos conseguem aguentar um dia inteiro de uso, o que na prática não se sustenta. Duas horas a mais de uso considerando o quê? Que tipo de usuário? O hard user? Pouco crível, já que é praticamente impossível encontrar um usuário do iPhone (em especial os não-Plus) defendendo a autonomia de bateria.

Design

A combinação de um posicionamento diferente de antena, chanfro de câmera diferente e ausência de conector P3 não altera o fato de a identidade visual ser basicamente a mesma. Uma diferença sutil em relação aos iPhones 6 e 6s, suficiente para identificar que se trata de um aparelho novo, mas longe de oferecer a mudança visual ocorrida entre iPhones 4s e 5 e 5s e 6. Em relação às cores, é bom finalmente ver a Apple não ser tão conservadora, além de oferecer resistência contra água e poeira (curiosamente, a garantia não cobre danos aquáticos).

iPhone 7

Diferente, mas pouco.

Até aqui, tudo bem. Vamos ao problema: continua com um design frágil, que obriga o usuário a comprar uma capa de proteção. Aliás, a própria Apple recomenda isso no modelo de vidro Black Piano (que também arranha com facilidade. Aliás, isso não tira todo o propósito de criar um novo design?). A coisa fica pior quando pensamos na tela, já que a Apple se preocupou bastante em montar um marketing em cima da certificação que o protege contra água, mas pouco (nada, na verdade) foi dito sobre o vidro de proteção da tela. Parece que os iPhones que continuam sendo utilizados com a tela quebrada não desaparecerão com a chegada do novo modelo.

E o preço no Brasil?

Como dissemos na primeira parte, o fato de os AirPods chegarem ao Brasil com o preço sugerido de R$ 1.400 não deixa muita margem para esperança de um valor racional para os iPhones. Fazendo uma simples regra de três, o modelo mais básico viria por R$ 5.710, algo que achamos difícil – não impossível, já que estamos falando da Apple – e que realmente seria um abuso. Sim, sabemos que aqui ele tem uma simbologia de luxo (e a Apple também sabe disso), mas nos parece improvável que ele seja mais barato do que o iPhone 6s quando lançado.

AirPods

Preço de entrada para a "revolução sem fios".

Isso seria bem interessante, aliás. Os iPhone 6s e 6s Plus chegaram em 2015 em um dos maiores picos da moeda americana desde o início Plano Real, e já que o smartphone da Apple nunca entrou na Lei do Bem, em teoria ele deveria chegar com um valor mais barato. Os iPhones antigos já tiveram um corte de preços, o que em teoria não representa uma promoção por parte da Apple, já que o dólar caiu bastante desde então para manter as altas margens de lucro da empresa.

Conclusão (e o que faltou)

Um novo ano, uma nova geração de iPhones. Melhorias de tela, novo processador, nova(s) câmera(s), resistência contra água e poeira, e uma tela com cores mais precisas. A boa e velha receita Apple de melhorias incrementais com promessas de uma revolução na próxima geração. Enquanto isso, não esperamos que a autonomia de bateria seja lá aquelas coisas, a construção e o vidro de proteção continuam exigindo uma capa. E um aumento praticamente inalterado na capacidade de memória básica não chega a ser impressionante.

Nada de tela OLED, carregamento sem fios e produtos e adaptadores já inclusos na embalagem para resolver os problemas que a própria Apple cria. Um design pouco diferente em um produto que força uma fictícia "revolução sem fios" às custas dos seus próprios usuários, em especial em relação à ausência de fones de ouvido. Tanto pelos AirPods superfaturados quanto pela adorável coincidência de três novos fones wireless sendo anunciados com preços nada amigáveis. Você pode participar da revolução da Apple, desde que esteja disposto a investir alto. Aliás, por que não há carregamento sem fios? O foco não é fazer uma "revolução"?

iPhone 7

Não se trata de um iPhone pensado para ser novo, mas sim para preencher a lacuna entre o iPhone 6s e o próximo modelo.

A impressão que fica é que, apesar de ser um aparelho claramente mais moderno do que a versão anterior, ele foi anunciado apenas pelo hype. Um aparelho criado especificamente para preencher a lacuna entre duas gerações, oferecendo novidades o suficiente para não receber tantas críticas pela falta de novidade. O próprio design igual, mas ligeiramente diferente (ou seria ligeiramente diferente, mas igual?) levanta dúvidas se esse não é apenas um modelo "tapa-buraco".

De qualquer forma, é difícil imaginar que ele não venda bem, já que há um exército de usuários fiéis disposto a investir em um novo aparelho, independentemente do que ele seja. No Brasil, entretanto, não sabemos qual será a política de preços da Apple com um dólar menor, já que é raro ver uma nova geração da Apple chegando aqui com um preço menor do que a anterior. Em especial, levando em consideração que a "experiência completa do iPhone" acabou de ficar mais cara.

Fontes: MKBHD, The Verge, Extreme Tech, VentureBeat e TechCrunch