O que esperar dos Nexus 2016, codinomes "Sailfish" e "Marlin"?

Por Pedro Cipoli | 07.07.2016 às 23:52

Ano novo, novos Nexus. Detalhes sobre os novos aparelhos pipocam com cada vez mais frequência, algo que aumentará e contará com mais precisão até o lançamento dos dois novos modelos este ano – o que é comum no segmento de tecnologia. Mas já temos informações o suficiente para começar a delinear melhor suas características. Confira os principais rumores sobre o Nexus "Sailfish" e o "Marlin" nas próximas linhas.

HTC? Huawei? HTC e Huawei?

Ainda que seja extremamente provável que a HTC fabrique as duas versões do Nexus, um aparelho da Huawei ou mesmo alguns componentes e tecnologias individuais ainda não estão completamente descartados. A HTC não tem participado dos smartphones Nexus há gerações, ainda que o último tablet, o Nexus 9 com chip Tegra K1 (que tudo indica ser o último modelo com chip NVIDIA), seja seu produto.

Um dos motivos levantados para o não descarte imediato da participação da Huawei é o enorme sucesso do Nexus 6P, mesmo não trazendo um custo bem menor em relação aos outros tops de linha Android. O conjunto é excelente, com câmera acima da média, autonomia de bateria e altíssima fluidez do sistema (algo padrão na linha Nexus). O Nexus 6P foi considerado um dos melhores aparelhos de 2016 por diversas fontes, muitas delas inclusas no final do artigo.

Nexus

Um dos motivos que colocam dúvidas sobre a participação da Huawei é que o render vazado não mostra nenhum logo, além de ser diferente dos designs geralmente utilizados por ambas.

Enquanto isso, o Nexus 5X era praticamente uma versão atualizada do Nexus 5, aparelho praticamente isento de defeitos e que muitos ainda usam sem considerar trocar em um futuro próximo. A exceção era a bateria. De qualquer forma, a LG ficará de fora esse ano, enquanto a possibilidade de a Huawei estar presente ainda não está completamente descartada, o que veremos no penúltimo item.

Porém, a parceria entre Huawei e Leica em relação às câmeras, que provavelmente conta com exclusividade, pode ter a sua participação nos novos Nexus. Como os preços estão no mesmo patamar dos topos de linha concorrentes, com o Google deixando de absorver parte dos custos, isso abre possibilidades para usar componentes mais caros. Já imaginou os novos Nexus com tecnologias da Leica?

As telas

Uma das grandes características da linha Nexus é servir de modelo de referência para outras fabricantes,o que de fato é essencial para preveremos como o mercado andará no próximo ano. Nesse sentido, ficamos bastante satisfeitos com os benchmarks revelados, que mostram resoluções de tela como Full HD (Nexus "Sailfish") e Quad-HD (Nexus "Marlin"). Ou seja: nada de aumentar a resolução, sendo as mesmas do Nexus 5X e 6P, respectivamente.

Os tamanhos também serão, segundo os rumores, 0,2 polegada menores em ambos. Ou seja, 5,0 e 5,5 polegadas, respectivamente. Considerando o período 2011-2014, parecia que o crescimento das telas não mostrava sinais de parar, chegando às exageradas 5,95 polegadas do Nexus 6, provavelmente um dos motivos de ele não ter feito tanto sucesso assim (junto com a câmera). Algo observado também em outras fabricantes, que diminuíram as telas nos seus últimos modelos, como fez a LG (do G4 para o G5).

As tecnologias de tela? Provavelmente LCD no "Salfish", fabricada pela HTC, e AMOLED no "Marlin", fabricada pela Samsung. A vantagem é que o usuário não fica restrito a uma tecnologia, já que, mesmo que se tratem de excelentes telas, a preferência do usuário por uma ou outra não é unânime.

Os chips

É certo que os novos Nexus tragam chips da Qualcomm, algo comum nos smartphones. A dúvida fica por conta de qual modelo seria, ainda que os rumores estejam quase certos que ambos tragam o mesmo chip, diferentemente dos Nexus 5X e 6P. O primeiro trazia o Snapdragon 808, enquanto o segundo usava o Snapgradon 810 – mas parecia mais uma escolha pelos problemas de superaquecimento e alto consumo deste último, que contava com uma bateria maior, do que propriamente uma forma de segmentação.

Nexus

Os 4 GB de memória RAM são praticamente certos, mas não há confirmação de qual chip da Qualcomm será utilizado.

O mínimo esperado para o "Sailfish" e o "Marlin" é o Snapdragon 820, já que a Qualcomm não conta com chips mais simples baseados no seu core Kryo (pelo menos até o momento). Na melhor das hipóteses, o chip seria o Snapdragon 821, que ainda não foi anunciado, mas é basicamente uma versão overclockada do Snapdragon 820 (2,3 GHz em vez de 2,15 GHz). É um caso semelhante ao Snapdragon 801, que é uma versão overclockada do Snapdragon 800, mas vem com uma GPU mais potente (Adreno 330 em vez da Adreno 320).

Em relação à memória RAM, não parece provável que nenhum dos dois traga 6 GB de memória RAM, como a grande parte dos topos de linha atuais, em especial os modelos asiáticos. Prova disso é o Nexus 5X, que vem com somente 2 GB de memória RAM, e roda mais liso do que muitos modelos de 4 GB da mesma data, já que o Android puro não exige tanta memória assim. O mais provável? 4 GB para ambos. Não por necessidade atual, mas para torná-los mais "à prova de futuro" para novas versões do Android.

As baterias

Apesar da diminuição do tamanho de tela, o tamanho da bateria não será prejudicado, de acordo com os rumores. No caso do modelo maior, o "Marlin", ela permanecerá com 3.450 mAh de capacidade, o que pode tanto indicar que ela tenha mais densidade quanto significar um aumento de espessura do modelo, já que suas dimensões certas ainda são um mistério.

Nexus

O vazamento acima é anterior ao Zenfone 3, que previa o Snapdragon 821 na nova geração, mas mostra que o Snapdragon 821 é apenas um pouco mais overclockado do que o Snapdragon 820. Não há informações sobre uma possível nova GPU.

Já no caso do "Sailfish" ela seria ainda maior, passando de 2.700 mAh do Nexus 5X para 2.770 mAh. Juntando isso com a maior eficiência do Kryo em relação aos chips da Qualcomm de 2015 (ano que a empresa provavelmente quer esquecer), isso pode indicar um aumento de autonomia de várias horas, uma boa notícia e tanto.

Google 3D Touch?

É aqui que entra a possível participação da Huawei. Dias antes de a Apple anunciar os iPhones 6s e 6s Plus, a Huawei se adiantou e anunciou o seu próprio Force Touch, e pode ser que vejamos esse know-how nos novos Nexus. Mais importante do que a tecnologia em si, a adoção do "Google 3D Touch" pode ter um impacto em toda a plataforma.

Um dos motivos que fazem com que a Apple incorpore novos recursos sem grandes problemas é que ela trabalha com uma plataforma fechada, contando com um controle muito maior na adoção desses recursos. No caso do Android, poucas coisas dão certo se não puderem ser replicadas em aparelhos de todos os fabricantes.

Nexus

Não chegamos a explorar o Android 7.0 Nougat aqui, mas estamos ansiosos para saber qual será o nível de integração dele com o hardware possivelmente novo da linha Nexus.

De recursos tão simples quanto o sensor de impressões digitais até o 3D Touch, a incorporação do seu funcionamento dentro do próprio Android, e não através de soluções proprietárias, parece ser o caminho certo para que os topos de linha de 2017 passem a adotá-lo em massa. Dentro do Android, criar recursos proprietários como estratégia de fidelização de marca significa um sucesso bem mais restrito.

Conclusão

Vale concluir lembrando que estamos meses distantes do anúncio oficial dos novos Nexus, então todas as informações até o momento trazem um menor ou maior grau de especulação. Alguns pontos são extremamente prováveis, é claro, mas é difícil imaginar que tudo (ou nada) esteja perfeitamente claro até o momento.

Mas não podemos deixar de ficar otimistas em relação ao Nexus, não somente pelo hardware, mas também em ver como o Google trabalhará a integração deste com o Android 7.0 Nougat, já que detalhes sobre as características dele estão sendo reveladas mês a mês. Conte para nós: o que você espera dos novos Nexus tanto em relação ao software quanto ao hardware? Diga-nos nos comentários!

Fontes: Android Police, Pocket-Link, TechRadar, KnowYourMobile, BGR, WCCF Tech