O que esperar do Quantum Fly?

Por Pedro Cipoli | 19 de Agosto de 2016 às 22h10

Como dissemos em nossa análise do Go, a Quantum chegou em um mercado dominado por grandes fabricantes, mas não veio para brincadeira. Esse "novo smartphone de uma nova empresa" (ainda que seja uma subsidiária da Positivo) tinha características extremamente competitivas para seu segmento, trazendo não somente configurações excelentes, com um chip octa-core, 2 GB de memória RAM e 32 GB de memória interna, mas também um design chamativo, tela AMOLED e o acessível preço de R$ 799 na época de lançamento. Basicamente, não havia concorrentes.

O tempo passou, impostos vieram, impostos foram embora, o dólar teve um comportamento "montanha russa" e o seu preço subiu, o que o deixou menos competitivo, mas certamente não fez com que ele deixasse de ser um modelo interessante. Aliás, a Quantum continuou acertando, atualizando o Go para o Android Marshmallow em junho deste ano. Um pouco atrasado, é claro, mas pelo menos sem frustrar o usuário esquecendo o aparelho, como a ASUS fez e faz com boa parte de sua linha de smartphones.

Depois de seu lançamento, a Quantum anunciou sua linha MÜV, um pouco mais humilde em configurações (na versão não-Pro), mas que não deixou de lado as características que fazem sucesso entre o público brasileiro, como a câmera frontal de 8 megapixels, bateria com mais autonomia e Android limpo, sem apps inúteis como muitos fabricantes ainda fazem. Ainda assim, faltava um representante no segmento top de linha, posição que o Fly com suas prováveis características não terá problema em preencher.

Configuração

Segundo os rumores, o Quantum Fly seria o primeiro smartphone vendido oficialmente no Brasil com um chip de 10 núcleos. No caso, o Helio X25, ao que tudo indica, uma versão com esteróides do Helio X20, que trabalha com três clusters assíncronos independentes. Os 10 núcleos são, na prática, um dual-quad-quad-core com as seguintes especificações:

  • Cluster de alto desempenho: dual-core de 2,5 GHz baseado no Cortex-A72;
  • Cluster intermediário: quad-core de 2,0 GHz baseado no Cortex-A53;
  • Cluster de economia de energia: quad-core de 2,0 GHz baseado no Cortex-A53;

Isso com 3 GB de memória RAM, o que não chega a ser um problema, já que a Quantum trabalha com o Android puro (Android 6.0 Marshmallow) e provavelmente utilizará uma tela 1080p, duas decisões acertadas focando em não sobrecarregar o aparelho. Já exploramos o Helio X20/X25 em detalhes, e ainda que ele não seja capaz de bater de frente com chips como o Snapdragon 820 ou o Exynos 8890, dificilmente deixará o usuário frustrado por falta de desempenho.

MediaTek Helio X20

A Mediatek tem uns chips bem interessantes no segmento top de linha. Isso com um preço mais acessível para os fabricantes de smartphones.

Na prática, esse chip conta somente com duas "falhas" em relação aos dois: usar memória RAM LPDDR3 (contra LPDDR4 presente em ambos) e focar excessivamente em CPU e deixando um pouco de lado a GPU (Mali-T880), que conta com somente 4 núcleos (como comparação, o Exynos 8890 usa a mesma GPU com 12 núcleos e, ainda assim, perde em desempenho para a Adreno 530 do Snapdragon 820). Mas, novamente: é difícil imaginar um smartphone desses apresentando lentidões.

O mínimo esperado de memória interna é 32 GB para esse segmento, mas não ficaríamos nem um pouco surpresos se a Quantum usasse 64 GB. Dizemos isso pois o Go já surpreendeu trazendo opções de 32 GB por R$ 799 quando anunciado (versão 3G), além de estar de acordo com o altíssimo potencial competitivo da marca. Já a câmera traseira já é mais ou menos certa de trazer 16 megapixels, ainda que deixe dúvidas se seria a mesma do MÜV Pro ou se usaria um sensor diferente.

Quantum Fly

Todos os modelos da Quantum usam chips MediaTek, o que ajuda a deixá-los mais acessíveis para o usuário final.

Para fechar a parte de configuração, espera-se nada menos do que 3800 mAh, uma excelente notícia. Em especial, combinado com o Doze do Marshmallow e um Android completamente limpo, a autonomia realmente não será um problema. Aliás, faz bastante tempo que não vemos um smartphone com tanta bateria, com modelos como o Moto Maxx e Moto Z Force sendo os únicos que lembramos de cabeça. E ambos estavam longe de deixar o usuário na mão sem o Doze.

Posicionamento

E o preço, característica mais sensível e desproporcionalmente injusta nos caríssimos modelos do Brasil? Esperamos algo em torno de R$ 1.999 e R$ 2.199, já que é natural esperar que ele custe mais caro que o Moto G4 Plus, mas, mesmo com suas características, não teria tantas condições de concorrer em pé de igualdade com os tops de linha atuais, em especial a duspla Galaxy S7 e o Galaxy Note 7.

Quantum Fly

Com essas características, o preço do Fly deve ficar entre o Moto G4 Plus e o Moto Z, seja lá quanto este vai custar.

Um preço maior seria arriscado pelo fato de os novos Zenfones ainda não terem chegado, e a ASUS também trabalha com preços mais agressivos em seus produtos. Antes de eles chegarem, e mesmo que o Quantum Fly tivesse um preço maior, ainda seria uma alternativa para lá de interessante em relação ao G5 SE que, por trazer um processador inferior, perderia para o Fly em desempenho. Ainda mais pelo preço completamente surreal dele.

Outro provável concorrente é o Moto Z, que ainda não chegou no Brasil até o fechamento deste artigo. Tudo bem que a Motorola/Lenovo perdeu boa parte da fama de boa relação custo-benefício, de forma que o preço dele ainda é um mistério, mas pelas próprias características do aparelho, em especial os Mods, é difícil ver o Fly se justificando como mais caro do que ele, ou mesmo com preço similar.

Quantum Fly

O preço do Moto Z ainda é um mistério, mas provavelmente não será barato.

De qualquer forma, o preço que prevemos seria o suficiente para desbancar os modelos já comercializados por aqui, em especial o Zenfone 2. Este, mesmo que tenha ficado mais barato depois do anúncio dos Zenfones 3, nos parece ter menos a oferecer tanto pela falta de atualização comum nos modelos da ASUS quanto pelo abandono da Intel da linha Atom, o que compromete, e muito, a possibilidade de que futuras versões do Android cheguem para ele (a ASUS já demorava um bocado para atualizar – quando atualiza – mesmo quando o Atom ainda estava vivo. Agora então...).

Ainda assim, não deixamos de lado a possibilidade de ele chegar na casa dos R$ 2.500, o que ainda faria dele um modelo competitivo, mas sem a fortíssima relação custo benefício do Quantum Go quando anunciado.

Conclusão

A Mediatek deixou de ser sinônimo de "chip de segunda linha" há bastante tempo, tendo vários modelos bem competitivos em todos os segmentos de produto (em especial as linhas P e X), algo que unido à proposta altamente competitiva da Quantum se torna uma receita e tanto para conquistar o usuário. Ainda que os 10 núcleos do Helio X25 sejam algo mais poderoso em marketing do que em desempenho propriamente dito, trata-se de um chip capaz de agradar mesmo aos usuários mais exigentes.

Se todas as características do Quantum Fly forem confirmadas, e ele chegar com um preço competitivo, algo que está se tornando bastante raro no Brasil, o sucesso dele será garantido. Juntando isso com um suporte pós-venda de alto nível e a garantia de atualização para versões futuras do Android, a conclusão é clara: vários fabricantes terão que mudar a forma como comercializam seus produtos por aqui, já que os preços dos smartphones estão altos demais para o usuário comprar um modelo somente por "amor à marca".