O que esperar do Galaxy Note 7 (ou Note 6)?

Por Pedro Cipoli | 08.07.2016 às 21:32

A linha Galaxy Note é praticamente sinônimo de sua própria categoria de produto, sendo o representante máximo e a opção mais sofisticada de smartphones com canetas digitais. Estamos a dois meses do lançamento oficial de sua nova versão na IFA 2016, evento que acontece nos dias 4-9 de setembro, com detalhes já mais ou menos certos sobre ele, e separamos as características já quase certas sobre ele.

Obs.: alguns rumores apontam que o nome oficial é Galaxy Note 6 (seguindo a ordem numérica), enquanto outros mostram que a Samsung usará o nome Galaxy Note 7 para indicar a mesma geração em relação à linha Galaxy S. A segunda versão parece mais provável, então usaremos o nome Galaxy Note 7 neste artigo.

Novamente, dois chips

Com exceção de 2015, marcado por modelos "aquém do esperado" (sendo educados) de chips da Qualcomm, a Samsung costuma trabalhar sempre com duas versões de chips em seus tops de linha. O motivo oficial para isso, na visão da Samsung, é que se trata de uma estratégia para conseguir atender a alta demanda de aparelhos, e com o Galaxy Note 7 não será diferente, com metade dos aparelhos trazendo o Snapdragon 821 (que provavelmente equipará também os Nexus "Sailfish" e "Marlin") e a outra com o Exynos 8893.

Ainda que nenhum dos dois tenha sido anunciado oficialmente, não é difícil acreditar que sejam exatamente esses dois, tanto pelo prazo ainda bastante largo para ele ser anunciado quanto pelas características dos chips. Basicamente, são versões com clock mais alto dos chips Snapdragon 820 e Exynos 8890, com o clock máximo do primeiro chegando a 2,3 GHz (contra 2,15 GHz) e o do segundo a 2,6 GHz (contra 2,3 GHz), enquanto os cores de economia de energia de ambos continuam os mesmos (1,6 GHz em ambos os casos).

Galaxy Note 7

Renders antigos mostram o Snapdragon 820, assim como tela Quad-HD, mas muita coisa pode mudar.

Rumores anteriores indicavam que o Note 7 viria com 6 GB de memória RAM, mas notícias mais recentes indicam que ele virá "somente" com 4 GB, assim como Galaxy S7 e S7 Edge. 4 GB parece realmente mais provável, não por uma questão técnica ou de custos de produção, mas por ser mais coerente esperar até 2017 para anunciar o Galaxy S8 com 6 GB, o que causaria mais impacto mercadológico. Só há um cenário, ainda que improvável, em que 6 GB faria sentido. Vamos ao próximo item.

Tela 4K?

Ao que tudo indica, o Note 7 manterá o tamanho de 5,7 polegadas, mas algumas fontes sugerem que a resolução aumentaria de Quad-HD (2560x1440) para Ultra HD (4K: 3840x2016), o que realmente exigiria 6 GB para manter a experiência de uso semelhante à do Galaxy S7. Motivos para não usar 4K são inúmeros, o que aumenta as chances de que se trate de algo improvável.

Em primeiro lugar, não existe a menor necessidade técnica. A diferença seria imperceptível para o usuário, sendo "talvez" detectada somente por ferramentas de laboratório altamente especializadas. Um ganho praticamente nulo por um aumento de custos considerável. As telas Super AMOLED estão entre as mais caras de serem produzidas, algo que que aumentaria demais o preço final do aparelho, o que pode desencorajar o usuário final. Um valor maior por um ganho que a Samsung diz que ele tem, mas você não observa.

Galaxy Note 7

A nova cor azul foi praticamente confirmada, e ela é fantástica.

O desempenho também estaria comprometido. Trata-se de 125% mais pixels (4.608.000, para sermos mais precisos) para movimentos – o que penalizaria tanto a GPU, que tudo indica ser a mesma nos dois chips, quanto o processador. O pequeno ganho dos novos chips estaria (muito) longe de compensar essa demanda extra. O fracasso em atrair sucesso do Z5 Premium da Sony encarna exatamente esses dois problemas, mesmo renderizando a tela em 1080p na maior parte do tempo.

Mesmo que os dois problemas acima sejam "resolvidos", uma tela com tanta resolução transformaria a bateria em um contador regressivo, mesmo que boa parte dos rumores indiquem que ela teria 4.000 mAh de capacidade. Isso sem contar com o aquecimento extra, já que mesmo chips potentes como o Exynos 8893 e o Snapdragon 821 dificilmente conseguiriam manter seus estados mais baixos de consumo de energia.

Não descartamos que a Samsung eventualmente fará a migração para o 4K, depois de conseguir resolver esses problemas (que a guerra de specs continue!), mas a linha Note não parece o lugar certo para começar (e sim a linha Galaxy S).

Armazenamento + cartão microSD

Enquanto a Apple insiste em vender modelos com apenas 16 GB, o que é ridículo para um top de linha, a Samsung provavelmente anunciará o Note 7 com um mínimo de armazenamento de 64 GB. Aliás, já estava na hora de os fabricantes começarem com 64 GB, já que 32 GB já se tornou comum até mesmo no segmento intermediário... mas esta não é a única coisa interessante em relação ao armazenamento.

Internacionalmente, ele também será oferecido em versões de 128 GB e 256 GB, praticamente um SSD de PC dentro de um smartphone. Dificilmente as versões com mais espaço virão para o Brasil, já que o custo seria realmente inacessível, mas será possível aumentar o armazenamento ainda mais. Recentemente, a própria Samsung desenvolveu seus novos modelos de cartões microSD com sistema UFS, velocidades de até 530 MB/s e capacidades de 32, 54, 128 e 256 GB.

Galaxy Note 7

O conector é diferente do microSD comum, mas o Note 7 provavelmente trará um slot híbrido.

Então, sim, será possível ter um smartphone com 512 GB de armazenamento (256 GB de memória interna + 256 GB de cartão microSD). Necessário? Não. Impressionante? Sim, realmente impressionante.

Extras

Continuando os rumores, tudo indica que o Note 7 virá com o conector USB tipo C, mesmo que o Galaxy S7 tenha mantido o micro USB. Isso é realmente provável, já que a Samsung não tem um comportamento padronizado nesse ponto (lembram do conector micro USB 3.0 do Galaxy S5?), e o USB tipo C realmente se tornará o novo padrão de conexão nos próximos anos, com vários modelos asiáticos já trazendo esse tipo de conexão.

Galaxy Note 7

O problema do encaixe do Note 5 certamente desencorajou muita gente, assim como a falta de cartão microSD.

Em relação à S-Pen, ainda que não se espere grandes mudanças nas tecnologias em si, muitos aguardam alguma solução por parte da Samsung em relação ao encaixe. O Note 5 anunciava que caso a caneta seja colocada virada 180º, poderia quebrar o aparelho, um defeito para lá de perigoso e uma falha de projeto impressionante para um modelo que chegou ao mercado com um preço tão alto.

Conclusão

Não há tantas novidades para o Note 7, que parece seguir a mesma receita que a Samsung utilizou em 2015: mesmo design, configuração de câmeras (talvez 13 megapixels em vez de 12) e especificações similares em relação à linha Galaxy S. Se fôssemos chutar, acreditamos que ele fará bem mais sucesso do que o Note 5 não por suas características, mas por resolver dois problemas do modelo anterior, o que acabou desencorajando quem pensava em fazer o upgrade.

O primeiro deles é a já mencionada fragilidade do encaixe da S-Pen, um risco e tanto para quem está acostumado a pagar tão caro pelos modelos da linha. O segundo foi a decisão estúpida (na falta de uma palavra melhor) de remover o suporte a cartões micro SD nos seus 4 tops de linha de 2015 (S6, S6 Edge, S6 Edge Plus e Note 5), em especial no Brasil, onde eles eram vendidos com somente 32 GB de memória interna. Ficou claro que era uma desculpa para vender modelos com mais memória interna desde o primeiro dia, e ficamos felizes de ver que a Samsung levou em consideração a rejeição do usuário nesse ponto.

De qualquer forma, teremos que esperar o lançamento oficial para termos todos os detalhes, o que não vai demorar muito, já que a IFA, última grande feira de tecnologia do ano, está quase chegando.

Fontes: Samsung UFS Cards (Ars Technica), TechnoBuffalo, GSMArena, TrustedReviews, Galaxy Note 7 Info, BGR