O que esperar do ASUS Zenfone 3? (Ele está chegando!)

Por Pedro Cipoli | 18.05.2016 às 21:35 - atualizado em 19.05.2016 às 13:44

Os Zenfones chegaram ao mercado em 2014 seguindo um padrão mais ou menos definido: eles eram anunciados durante a Consumer Eletronics Show, novamente mostrados no Mobile World Congress e depois chegando em diferentes partes do mundo. No caso do Brasil, trata-se de uma odisseia e tanto, com vários meses entre o seu lançamento e a disponibilidade em lojas por aqui – mas parece que isso vai mudar com o Zenfone 3, previsto para chegar ao mercado junto com seus dois irmãos na Computex deste ano.

Isso significa uma terceira geração de Zenfones no Brasil, e a segunda que conta com um modelo top de linha, com uma nomenclatura e segmentação de aparelhos um pouco confusa para o consumidor. Vamos explorar isso nas próximas linhas.

Linha do tempo: Zenfone 5, 6... 2... e 3!

A ASUS estreou no Brasil com os Zenfones 5 e 6, que eram basicamente o mesmo aparelho com tamanhos de tela diferentes, chegando para concorrer diretamente com o Moto G, da Motorola. Nenhum deles pretendia ser um modelo avançado, concorrer no segmento top de linha, mas sim inaugurar a empresa no Brasil no segmento de smartphones. Até então, a ASUS era conhecida por aqui pela sua linha de notebooks, principalmente, e um ou outro tablet, mas não tinha uma representação com smartphones, ainda que já trabalhasse com elas no exterior com a sua linha de Padfones.

Essa nomenclatura fazia sentido, se referindo ao tamanho de tela dos modelos e valendo também para o Zenfone 4, que não chegou a vir para o Brasil. Já em 2015 a ASUS mudou de estratégia com o Zenfone 2, focando em oferecer um smartphone avançado com um preço razoável, um conceito até bastante radical em nosso país, resultando em um sucesso previsível. Além disso, foi um dos primeiros smarphones com 4 GB de memória RAM do mundo, o que fez com que concorrentes de peso a ajustarem seus aparelhos para não ficarem para trás, como no caso da Samsung.

Zenfone 3

Um dos últimos lançamentos da ASUS tem a mesma configuração da versão Deluxe, que por sua vez é quase a mesma do Zenfone 2, já que se trata basicamente o mesmo chip com 100 MHz a mais de clock.

A numeração deixou de se referir ao tamanho da tela para significar a geração de aparelhos. Essa geração contou com o Zenfone 2, Zenfone 2 Laser, Zenfone 2 Selfie, Zenfone 2 Deluxe, Zenfone 2 Deluxe Special Edition. Alguns meses depois, o ASUS Live e o Zenfone Go (basicamente um "reboot" do Zenfone 5) e, vários meses depois, o Zenfone Zoom e o Zenfone 6 Laser (um reboot do Zenfone 6). Notaram a mudança de estratégia? São diversos aparelhos anunciados dentro de um intervalo de um ano, tentando atingir todos os segmentos possíveis, isso considerando que nem todos os modelos chegaram ao Brasil, já que foram anunciados outros modelos em diferentes partes do mundo, caso do Zenfone Max.

Mas não chegam a ser aparelhos diferentes, já que boa parte deles parte da mesma base. O Zenfone 2 e seus derivados (Deluxe, Deluxe Special Edition, Zoom) são basicamente o mesmo aparelho, variando a memória interna, um pouco do design e, no caso do Zoom, as lentes móveis). Já a bateria, tela, e configuração são exatamente as mesmas (o Z3590 e o Z3580 variam apenas no clock). No caso, a ASUS não deixou de lado seu DNA com computadores, com modelos em diferentes faixas de preço com configurações ligeiramente diferentes, além de algum extra aqui ou ali.

Os rumores mais recentes sobre o Zenfone 3 indicam que a ASUS continuará com essa estratégia, já que os teasers dos últimos dias indicam que ele virá em 3 versões diferentes.

Os diferentes fabricantes de chips

Antes de começarmos a falar sobre o novo Zenfone, vale um pequeno comentário sobre a estratégia da ASUS em relação à configuração dos modelos. A segunda geração de Zenfones contou com 3 fabricantes distintos com de chips: Intel, Qualcomm e MediaTek. O posicionamento geral foi colocar os modelos com Intel no segmento avançado, Qualcomm como básico e intermediário (Laser e Selfie, respectivamente) e MediaTek no seu modelo mais básico, o Zenfone Go.

Com a Intel fora do jogo (fato que vamos explicar em um artigo futuro), a ASUS pode optar apenas entre a Qualcomm e a MediaTek, já que não fabrica seus próprios chips e não pode contar com outros fabricantes que os projetam apenas para seus aparelhos, caso do Exynos (Samsung) e Kirin (Huawei). Esse cenário praticamente obriga a empresa a usar um modelo Qualcomm nos modelos avançados, ainda que possa escolher entre os Snapdragons e os modelos da MediaTek nos modelos básicos e intermediários.

Considerando esses dados, temos mais pistas para chegar às especificações do Zenfone 3.

O(s) Zenfone(s) 3

Sem a Intel, a ASUS fica praticamente obrigada a usar o chip mais potente da Qualcomm até o momento. No caso, o Snapdragon 820 (dual-core Kryo de 2,15 GHz + dual-core Kryo de 1,6 GHz), com 4 GB de memória RAM LPDDR4 e GPU Adreno 530. Ou seja, nada de muito diferente de praticamente qualquer top de linha anunciado no primeiro semestre do ano, o que já indica que será um aparelho mais barato do que os modelos avançados já anunciados, e que não chega a ser uma novidade, já que a ASUS costuma oferecer um custo-benefício consideravelmente maior do que os concorrentes.

Não se trata de uma apologia à ASUS, mas sim um fato. Com o mercado de smartphones desaquecendo cada vez mais, vender aparelhos com preços muito altos está fazendo cada vez menos sentido, o que explica o motivo de a ASUS ter construído o seu nome no Brasil com menos de 2 anos de presença de mercado. Se essa estratégia irá funcionar novamente é um mistério, já que a ASUS anuncia seus aparelhos meses depois dos outros tops de linha, mas certamente será um sucesso tão grande quanto o Zenfone 2, mantidas as mesmas condições de competitividade.

Zenfone 3

Naturalmente, um dos grandes argumentos de venda do Zenfone 3 será o seu poder de fogo em qualidade de câmera.

Outro ponto é que, apesar da mesma configuração dos outros tops de linha, tudo indica que a ASUS manterá a resolução Full HD em seus aparelhos, com uma margem tranquila de manter a densidade de pixels acima de 300, além de não comprometer o desempenho, já que são menos pixels para movimentar. Considerando a poderosíssima GPU Adreno 530 e resoluções menores, com certeza o Zenfone 3 será um dos modelos mais rápidos do mercado, estratégia essa utilizada pela Xiaomi com o Mi 5.

Já em relação ao design, em nossa opinião, a remodelação do visual provavelmente fará com que os novos Zenfones sejam perigosamente parecidos com os Galaxies da Samsung, a ponto de quase perder a sua identidade visual. A grande diferença seria o sensor de impressões digitais localizado na parte de trás, abaixo da câmera, e os famosos círculos concêntricos na traseira... mas a estrutura geral lembra muito os modelos Galaxy. A parte da frente, por exemplo, só precisava de um botão Home físico.

Zenfone 3

Esse é um dos últimos renders vazados do Zenfone 3, que certamente tem muito do seu design inspirado pela linha Galaxy da Samsung. Os botões de controle, inclusive, voltam para a região lateral do aparelho.

Em relação à câmera, espera-se uma de 23 megapixels na parte traseira e outra de 8 megapixels na parte frontal. Os renders vazados sugerem um flash em dois tons e foco a laser, mas ainda é uma incógnita qual o sensor de câmera que será utilizado nessa versão. O Zenfone 2 (e derivados) usavam um sensor da Panasonic que oferecia até uns bons resultados, ainda que fortemente ajudados pelo altíssimo pós-processamento do smartphone, mas incapazes de competir com os tops de linha correntes, em especial em situações noturnas.

Espera-se também 3 versões do Zenfone 3. O primeiro, e principal, tem todas as características acima, assim como o Zenfone 3 Max, que seria um pouco maior (provavelmente com uma tela de 5,9 polegadas) e teria uma bateria de maior capacidade, enquanto uma terceira versão mais básica, mas curiosamente categorizada como "Deluxe", teria uma configuração mais básica, tela HD (1280 x 720), chip Snapdragon 615 (ou algum equivalente da MediaTek, dependendo da disponibilidade) e 3 GB de memória RAM, sendo basicamente um Zenfone 5 de terceira geração.

Todos eles trariam uma conexão USB tipo C como padrão, uma tendência para os próximos anos, assim como virão com o Android 6.0 Marshamallow e interface ZenUI. Resta a dúvida se eles virão com tantos bloatwares quanto a primeira e a segunda gerações, e esperamos que não. A atualização dos Zenfones de segunda geração atualizados para a versão 6.0 tiveram bem menos bloatwares pré-instalados, um bom sinal de que a ASUS percebeu a rejeição dos usuários em relação a isso.

Conclusão: estamos ansiosos!

A nova geração de Zenfones está prevista para ser anunciada no dia 30 de maio de 2016, em uma das primeiras coletivas de imprensa da Computex 2016, que ocorre em Taipei, Taiwan, terra natal da ASUS. Considerando os rumores até o momento e o posicionamento da empresa no mercado até o momento, não faltam motivos para ficarmos ansiosos, já que a ASUS raramente decepciona em relação ao preço e as características de seus modelos. E já estava na hora de a empresa renovar seus aparelhos, já que faz quase um ano e meio desde o anúncio do Zenfone 2 na CES 2015.

Teremos que esperar ele ser anunciado para ter suas informações completas, assim como o seu preço sugerido no mercado internacional para analisarmos se ele continuará o seu posicionamento de mercado. De qualquer forma, considerando o intervalo de tempo entre ele ser anunciado e finalmente chegar às lojas brasileiras até então, tanto no Zenfone 5 e 6 até o Zenfone 2 e derivados, existe uma grande possibilidade de ele desembarcar no Brasil somente em 2017, o que pode significar que ele pode chegar já "velho".

Sabemos que fazer negócios por aqui não é algo simples, em especial pelas regulamentações, impostos, custo-Brasil e particularidades. Burocracia excessiva, de uma forma geral. Mas, se os rumores se mostrarem verdadeiros e ele chegar por aqui dentro de um prazo razoável, certamente terá uma receptividade e tanto.

Fontes: GFX Bench, Red Dot Design, Weibo, GSM Arena e PhoneArena