Motorola One Macro: ainda vale a pena comprar?

Motorola One Macro: ainda vale a pena comprar?

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 13 de Setembro de 2021 às 14h27
Matheus Argentoni

A Motorola não lança mais dispositivos na linha One, mas aqueles que chegaram ao mercado entre os anos de 2018 e 2020 ganharam muitos adeptos. Entre eles, um ainda atrai bastante o consumidor: o Motorola One Macro, que teve preço de lançamento baixo, com um conjunto de câmeras que se destacava pela presença do sensor macro.

O aparelho chegou às lojas brasileiras no final de outubro de 2019 e, quase dois anos depois, ainda pode ser encontrado na faixa dos R$ 1.000. Considerando as especificações e sua principal proposta, será que este modelo ainda vale a pena em 2021? Vamos lembrar tudo sobre o ‘Moto One Macro’, como algumas pessoas o chamam, e descobrir se é um bom investimento atualmente.

Prós

  • Bom desempenho para tarefas básicas;
  • Câmera macro;
  • Bateria com boa duração;

Contras

  • Sistema operacional desatualizado.

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Motorola One Macro: design e construção

A aparência do One Macro segue a tendência da Motorola na época do seu lançamento, com uma coluna vertical para o conjunto fotográfico no canto superior esquerdo da traseira. A fila começa por um furo único, que abria uma das câmeras, e segue com um traço que tem outros dois sensores, além de um foco a laser e o flash LED. Um leitor de impressão digital fica alinhado horizontalmente a este último, no centro.

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O acabamento é todo em plástico, sendo que a tampa traseira traz acabamento degradê que começa em um tom mais escuro e vai clareando até a parte inferior. O aparelho pode ser encontrado em duas cores no Brasil: azul ou violeta. O dispositivo tem tamanho razoável para uma tela de 6,2 polegadas e é um pouco mais leve que celulares mais novos da mesma categoria.

  • Dimensões (A x L x P): 157,6 x 75,4 x 9 mm mm
  • Peso: 183 g

As laterais, também em plástico, possuem os três botões (aumentar e diminuir volume e energia) no lado direito, enquanto a gaveta de chips fica à esquerda. São dois espaços para cartões de operadora, sendo que um deles é híbrido e também aceita um micro SD — ou seja, você tem duas linhas ou uma linha e um cartão de expansão da memória.

Na parte inferior, você vai encontrar a saída de som, uma porta USB do tipo C e um microfone. Já na superior, há mais um microfone e o conector de fone de ouvido, presente em todos os celulares da linha que acabou conhecida como Moto One.

Na frente, a tela é protegida por vidro e tem bordas bem pequenas, sendo que apenas o queixo é mais avantajado. Na parte superior, um recorte em formato de gota abriga a câmera frontal, e o alto falante de chamadas é um pouco menos discreto do que estamos acostumados em smartphones mais atuais.

Motorola One Macro tem design com módulo de câmera que lembra a leta 'i' (Imagem: Divulgação/Motorola)

“O Motorola One Macro tem visual bem interessante, com o efeito degradê na parte traseira. Para quem se incomoda com marcas de dedos, seu acabamento não é dos melhores, mas ele vem com uma capinha de TPU na caixa — inclusive já inserida de fábrica”.

Motorola One Macro: qualidade de tela

O display, como já mencionado, tem 6,2 polegadas e tem resolução com densidade de pixels considerada um pouco baixa, inferior aos 300 ppp recomendados por especialistas. A imagem em si prioriza cores naturais, com tons um pouco mais frios e preto não tão profundo quanto você encontraria em painéis OLED. Por outro lado, modelos da mesma faixa de preço raramente possuem esse tipo de tecnologia, mesmo os lançamentos mais atuais.

A imagem no geral tem nitidez bem razoável, apesar de olhos mais treinados talvez ficarem um pouco incomodados com alguns espaços entre os pixels, que causam serrilhados leves. Mas no geral é uma boa tela, que não vai desagradar a maior parte dos usuários. O tempo de resposta ao toque também é bom, sem atrasos perceptíveis.

Para quem gosta da parte técnica, a tela do Motorola One Macro tem painel IPS LCD de 6,2 polegadas com resolução HD+ (720 x 1520 pixels). A proporção é de 19:9, enquanto a densidade de pixels fica em aproximadamente 270 ppp. O display ocupa cerca de 81,3% da parte frontal do aparelho.

Motorola One Macro: configuração e desempenho

Celular da Motorola tem tela HD+ de 6,2 polegadas (Imagem: Divulgação/Motorola)

Atualmente, a questão mais importante para se pensar antes de comprar um celular lançado há mais de um ano é o seu hardware. Modelos intermediários geralmente oferecem processador potente o bastante para entregar até três anos de uso sem dar problemas, enquanto modelos de entrada já costumam durar menos do que isso.

No caso do One Macro, temos aqui uma plataforma — que traz, além do processador, alguns outros componentes importantes como modem e GPU — lançada em 2018, quase um ano exato antes do aparelho da Motorola chegar às lojas. O Helio P70, da MediaTek, não traz as tecnologias mais recentes de sua época de lançamento, mas ainda era um SoC bem razoável em 2019.

No quesito memória, ele oferece o mínimo para 2021, com 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento interno. Vai aguentar rodar uma boa quantidade de aplicativos sem precisar recomeçar processos e dá para instalar bastante coisa e guardar uma boa quantidade de fotos sem ter problema de espaço.

A questão é se dois anos depois ele ainda roda satisfatoriamente. Para uso mais simples do dia a dia, talvez você consiga extrair uma boa experiência. Mas o ideal, já que você vai investir agora em um celular novo, é procurar um modelo mais recente com proposta parecida, como um Samsung Galaxy A02s ou um Moto E7 Plus.

A plataforma Helio P70, da MediaTek, é produzida em litografia de 12 nanômetros, equiparável a SoCs recentes nesse sentido. O processador de oito núcleos é dividido em quatro Cortex-A73 de 2,0 GHz e quatro Cortex-A53 também de 2,0 GHz. A diferença na arquitetura influencia na potência real e eficiência energética. É um processador que ainda pode entregar bom desempenho em 2021, mas, como já mencionado, há modelos mais novos que vão durar mais tempo mesmo para uso básico.

One Macro foi o primeiro celular da Motorola a oferecer câmera macro (Imagem: Divulgação/Motorola)

Bateria e sistema

O celular da linha que acabou ficando conhecida como Motorola Moto One tem bateria de 4.000 mAh. É uma capacidade bem razoável que vai garantir um dia de uso longe da tomada sem problemas, e em alguns casos pode até ultrapassar bastante esse período.

A recarga também é bem decente, com adaptador de parede de 10 W já na caixa. Esta, aliás, é a potência máxima, que deve garantir o preenchimento de 0% até 100% em cerca de 2 horas.

Apesar de fazer parte de uma linha que começou com celulares que pertenciam ao programa Android One, do Google, o One Macro traz sistema operacional modificado pela Motorola. Isso não chega a ser necessariamente ruim, pois ao menos as customizações da empresa são leves, e não há apps redundantes instalados de fábrica.

O Motorola One Macro tem o Android 10 instalado e não deve receber upgrade para a versão 11. Ou seja, você ficará preso a um sistema operacional um pouco defasado, apesar de não haver mudanças muito significativas entre as atualizações feitas pelo Google.

Segundo a Motorola na época de lançamento do aparelho, os pacotes de segurança só estão garantidos até outubro de 2021, então nem mesmo nesse sentido compensa muito pensar no One Macro. Não demora muito e seu celular pode ficar vulnerável demais a ataques, ou começar a enfrentar problemas com aplicativos mais recentes.

Motorola One Macro: conjunto fotográfico

Apesar da baixa resolução, fotos macro têm qualidade razoável (Imagem: Divulgação/Motorola)

Os Motorola One sempre foram lançados com algum recurso específico diferente de todo o catálogo da Motorola. No caso do One Macro, seu nome não deixa dúvida: foi o primeiro celular da empresa a oferecer uma câmera macro, que tira fotos de objetos muito aproximados com alta riqueza de detalhes.

Para ajudar nesta tarefa, foi incluído um foco a laser, que faz um ótimo trabalho para encontrar o objeto da imagem quando você chega com o celular bem perto dele. A qualidade não é das melhores, já que são apenas 2 MP de resolução, mas dá para o gasto. E você acaba com uma imagem mais bem definida do que se recortar o mesmo quadro tirado com a câmera principal, de 13 MP. A distância focal faz toda a diferença.

Além desses dois sensores na parte traseira, o aparelho ainda traz uma câmera de profundidade de 2 MP. Trata-se de um sensor extra que ajuda nas fotos com fundo desfocado, no chamado modo retrato. Na frente, a câmera de selfies tem 8 MP e tira autorretratos de qualidade razoável para usar nas redes sociais.

“A proposta maior do Motorola One Macro é oferecer boa qualidade nas fotos macro, sendo o primeiro celular da marca a oferecer este recurso. Não é o melhor para isso atualmente — os Motorola G100 e G60 capturam ainda mais detalhes — mas dá para o gasto. Além de ser um dos melhores com este recurso na sua faixa de preço”.

A gravação de vídeos pode ser feita na resolução 1080p (Full HD) tanto com a câmera principal quanto com a de selfies. Na traseira, você ainda pode aumentar a taxa de quadros para 60 fps.

Motorola One Macro: vale a pena?

Aparelho está disponível nas cores azul (acima) e violeta (Imagem: Divulgação/Motorola)

A linha Motorola Moto One, como ficou conhecida no Brasil, apesar de não ter o ‘Moto’, teve seu último lançamento por aqui em dezembro de 2019. O One Macro foi um dos últimos e é, possivelmente, o maior sucesso do catálogo, com um volume de buscas bem grande quase dois anos depois de sua chegada às lojas.

“O Motorola One Macro é um bom celular intermediário, mas ficou bastante datado dois anos após o lançamento. O modelo não foi atualizado para o Android 11 e, em breve, deve parar de receber updates de segurança também”.

Não é tão fácil encontrar unidades novas deste modelo à venda, e seu preço aumentou recentemente. Considerando o histórico dos últimos seis meses do comparador de preços Zoom, o Motorola One Macro chegou a custar R$ 1.100 entre o começo de junho e o final de julho, mas desde agosto subiu, ultrapassando até mesmo seu preço de lançamento, que foi de R$ 1.399.

Mas mesmo pensando no menor preço histórico deste último semestre, não acho que compense fazer o investimento neste modelo agora. Há celulares que oferecem desempenho melhor, mais bateria e memória do que o One Macro a preço até menor, como o Galaxy A02s ou mesmo o Galaxy A11. Se você insiste em comprar um Motorola, pode procurar pelo Moto E7 Plus, G9 Play ou até o Moto G30, se quiser fazer um investimento ainda mais duradouro.

Faz questão de tirar fotos macro? Procure pelo Galaxy M12, da Samsung, ou os já citados Moto G9 Play e Moto G30 da própria Motorola. Todos eles vão entregar experiência melhor em desempenho, além de mais bateria. A tela vai ser quase a mesma coisa, com resolução e tipo de painel semelhante. Ou você pode pensar no Galaxy A22, que tem display Super AMOLED, e vai custar pouca coisa a mais que o Motorola One Macro atualmente.

Um adendo: a avaliação aqui é se vale a pena comprar o One Macro agora, seja ele novo ou usado. Em ambos os casos, acredito que seja mais interessante buscar um modelo mais recente que tenha valor próximo. Se você tem o aparelho em suas mãos agora e está satisfeito com ele, não tem motivo para pensar em fazer uma troca, ainda.

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