Mitos e verdades sobre como carregar o smartphone corretamente, parte 4

Por Pedro Cipoli | 09 de Agosto de 2016 às 23h53

Focamos em verdades e mitos sobre as baterias nas três primeiras partes desse artigo, e boa parte deles tem basicamente dois pontos de partida. O primeiro é o conhecimento popular, na maioria das vezes baseado em tecnologias mais antigas, como as baterias de níquel, acreditando-se que as baterias de lítio funcionam de maneira semelhante. O segundo é: independentemente da situação, manter a bateria em temperaturas moderáveis já evita boa parte dos possíveis problemas que podem ocorrer.

Esta última parte é um pouco diferente, dedicada a dar dicas de como prolongar a vida útil da bateria.

Bateria removível

Da mesma forma que um smartphone modular perde o seu propósito se você não comprar os módulos, um modelo com bateria removível também não tem muita utilidade se você não tiver baterias extras. O que muitas vezes acontece é o usuário comprar um modelo com bateria removível e só comprar outra quando a original começar a apresentar defeitos. Mas, quando isso acontece, geralmente o smartphone já está relativamente defasado, não valendo tanto a pena assim investir em uma nova bateria.

Bateria

Ter uma bateria facilmente removível vale a pena somente se você pretende comprar baterias extras.

Em relação à bateria em si, o fato de ela ser facilmente removível pouco tem a ver com a sua qualidade. Ou mesmo sua autonomia. O que acontece, na prática, é que optar por baterias dificilmente removíveis permite um design mais fino, ou mesmo colocar mais carga dentro de um mesmo espaço, já que elas trazem uma embalagem com bordas mais finas, menos rígidas. De qualquer forma, baterias não são soldadas. Todas são "removíveis": o que muda é o trabalho de removê-la. Isso vale tanto para um G5 quando para um iPhone.

Grande parte dos smartphones atuais traz baterias com capacidade suficiente para apresentar defeitos depois de o smartphone terminar o seu ciclo de vida, apresentando uma boa carga mesmo depois de passar os ciclos projetados pelo fabricante. O que vale mais: comprar um modelo com bateria "presa" com 3.900 mAh ou poder trocar de bateria quando outro modelo com bateria de 1.642 mAh apresentar defeitos? O primeiro caso ainda conta com quase 2 vezes a capacidade do segundo, mesmo quando chegar a 80% de sua capacidade, um resultado que os usuários devem ter em mente ao priorizar baterias facilmente removíveis, No segundo caso, você gasta para continuar tendo uma bateria de 1.642 mAh.

Apps de economia de energia

E aqueles apps que prometem aumentar a autonomia do aparelho? Será que vale a pena utilizá-los? Grande parte dos smartphones atuais – isso em qualquer segmento – já traz uma ferramenta de economia de energia embutida. O nível de sofisticação varia, assim como o nome, mas quase todas elas fazem basicamente a mesma coisa. Há dois focos: manter o SoC em seus estágios mínimos de energia e controlar a conectividade da antena, isso considerando redes móveis, Wi-Fi, Blutooth e outras.

Bateria

A conectividade do smartphone, seja Wi-Fi ou 4G, consome uma enorme quantidade de energia do aparelho. Mesmo com a tela desligada.

Eles ajudam? Sim. Mas é necessário medir os prós e contras em relação à experiência de uso. Alguns chegam ao extremo de cortar qualquer conectividade mesmo com a tela ligada, o que de fato economiza uma quantidade enorme de carga. Porém: nada de mensagens push, notificações, nada. Basicamente, só se recebe ligações telefônicas e mensagens SMS, então é uma questão de colocar isso na balança. A bateria é, de fato, economizada, mas a experiência de uso é bem comprometida.

Então, sim, eles funcionam, só que não há mágica. Não adianta comprar um smartphone com bateria pequena e ser obrigado a comprometer o seu uso para ganhar horas de uso. Vale mais a pena priorizar modelos que conseguem durar pelo menos um dia inteiro sem "truques" do que ter dor de cabeça com modelos já conhecidos pela baixa autonomia.

Evite usar o smartphone aquecido

Grande parte dos smartphones mais avançados já vem com um algoritmo interno que entra em ação quando eles estão superaquecidos. Ele não só diminui a energia enviada para o chip – que passa a trabalhar em seus estágios mínimos de energia –, como também impede o usuário de abrir certos apps, até que o smartphone volte a temperaturas "normais". Já smartphones básicos e intermediários raramente usam essa técnica, já que não trazem SoCs tão potentes para ficarem tão aquecidos assim.

Isso significa que o usuário não precisa ficar preocupado? Não. Entendam: esse algoritmo entra em ação quando as coisas realmente saem do controle, chegando a um nível de aquecimento perigoso o suficiente para danificar os componentes internos. Não somente a bateria, aliás, mas qualquer componente mais frágil da placa-mãe. Isso não significa, porém, que antes de ele chegar nesse "marco de emergência" as coisas estão funcionando corretamente. Isso não é algo restrito a smartphones: eletrônicos ficam com sua expectativa de vida reduzida quando trabalham fora de sua margem de temperatura ideal.

Bateria

Entre os casos de "usar o smartphone enquanto está carregando", a bateria externa é certamente um dos mais relevantes, e muitas vezes nos esquecemos disso.

É difícil fugir disso. Dois smartphones idênticos apresentam durabilidades completamente diferentes dependendo do uso. Quem usa o smartphone para rodar jogos pesados boa parte do tempo deve ter a consciência de que ele durará menos do que o mesmo modelo com uso leve. É exatamente o exemplo que demos sobre a forma de uso do carro na segunda parte desse artigo. Mas é necessário ter calma também. Isso não significa que um determinado smartphone apresentará defeitos ou uma autonomia risível de bateria em poucos meses, já que a bateria é o componente mais suscetível a sofrer com calor excessivo.

Vale dizer que o mesmo é válido para baterias muito baixas, o que causa os mesmos problemas de durabilidade do superaquecimento. Mas, como é um cenário que dificilmente acontece no Brasil, não há muito o que se preocupar.

Não use o smartphone enquanto ele está sendo carregado

De forma nenhuma, diga-se de passagem. Como dissemos na primeira parte, isso já é ruim por si só pelo aquecimento extra do carregador mesmo com uso leve, em especial quando se usa carregadores rápidos, que já deixam o smartphone aquecido mesmo quando ele está quieto. Mas há um problema extra, algo chamado de "carga parasítica", já que o consumo de energia varia com frequência excessiva. Isso resulta em duas coisas: uma presença enorme de "micro ciclos" e o sobrecarregamento da bateria. Esses dois últimos itens pouco dependem de se utilizar um carregador rápido ou não.

Conclusão

Smartphones de qualquer segmento apresentarão defeitos uma hora ou outra, e a bateria é, geralmente, o primeiro componente a deixar o usuário na mão. Isso é um fato. Entretanto, evitar manter o smartphone aquecido e carregá-lo corretamente garante uma boa sobrevida para ele. E, quando ele apresentar algum defeito depois de alguns anos, vale mais a pena comprar um modelo novo do que consertá-lo, na maioria das situações.

De qualquer forma, evite modelos com baterias muito pequenas, já que, como dissemos na terceira parte, hoje utilizamos nosso smartphone muito mais intensamente do que há poucos anos. Optar por modelos que fazem mais questão de ser finos do que oferecer uma autonomia decente é uma receita pronta para o usuário ser obrigado a trocar de modelo em pouco tempo. E aqui entre nós: os smartphones atuais, mesmo os mais básicos, estão bem caros.

Com informações: Battery University 1 e 2, PC Advisor, FOSS Bytes

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