Mercado de smartphones tem queda de 13% no Brasil

Por Redação | 09.09.2015 às 14:29

Os reflexos da crise econômica pela qual passa o Brasil também tiveram seus efeitos na indústria de smartphones. Entre abril e junho de 2015, 11,3 milhões de aparelhos celulares foram vendidos no país, um total que é 13% menor ao que foi registrado no mesmo período do ano passado, quando 13 milhões de dispositivos deixaram as lojas diretamente para as mãos dos consumidores.

Os resultados mostram uma queda que já havia sido sentida no primeiro trimestre deste ano e que, de acordo com a IDC Brasil, não dá sinais de que o crescimento voltará a acontecer tão cedo. O instituto, que foi responsável pelo levantamento, aponta que o cenário econômico do país piora a cada mês e, nesse sentido, são as indústrias de bens para o consumidor que mais sofrem esse impacto.

Na visão dos analistas, a inflação acima de 9%, a alta do dólar e a taxa de desemprego crescente levaram muita gente a segurar as carteiras na hora de investir. O índice de confiança do consumidor também está no pior patamar desde 2009 e, sendo assim, o crédito também foi dificultado, o que freia ainda mais os gastos com produtos.

Os feature phones, enquanto isso, continuam sua queda vertiginosa e esperada. Entre abril e junho de 2015, apenas 936,7 mil aparelhos dessa categoria foram comercializados em todo o país, mostrando que as pessoas estão preferindo smartphones como seu primeiro aparelho, ou apostando no upgrade e aproveitando funções como redes sociais, acesso à internet e outros, principalmente devido a promoções de acesso gratuito criadas pelas operadoras.

O cenário geral é de alta nos preços, mas, pelo menos por enquanto, esse aspecto, especificamente, ainda não teve tanto impacto assim. Os números mostram que mesmo mais caros, os smartphones continuam vendendo bem e os resultados do segundo trimestre de 2015 mostram uma queda de apenas 7% na receita dos fabricantes, um número já esperado e que pode ser visto até como positivo levando-se em conta o atual cenário de crise.

O gasto médio dos consumidores com aparelhos aumentou R$ 78, saindo de R$ 789 no primeiro trimestre para R$ 867 no segundo. Isso, para os analistas, mostra que aqueles que estavam realmente dispostos a adquirir novos aparelhos o fizeram, apesar da alta nos preços, o que motiva a chegada de novos produtos ao mercado e também investimentos por aqui da parte de lojistas, fabricantes e operadoras.

Aqui, porém, também temos um aspecto que pode acabar mudando em breve. Caso seja aprovada a medida provisória que pretende acabar com a desoneração de PIS e Cofins sobre os smartphones produzidos no Brasil, a tendência é que os preços aumentem ainda mais. Com esse repasse sendo feito ao consumidor a partir do dia 1º de dezembro, a atenção se volta para as compras de Natal, momento em que a economia, normalmente, acelera.

Antes disso, porém, o IDC enxerga a Black Friday, no fim de novembro, como um bom momento para que as vendas voltem a crescer. Caso o dólar continue subindo, porém, uma nova revisão de preços pode ser feita pelos fabricantes, aumentando os valores do produto e, eventualmente, reduzindo o desempenho do dia de descontos sobre o mercado de smartphones.

O instituto prevê que 50 milhões de smartphones sejam vendidos até o final do ano, uma queda de 8% em relação ao ano passado. Se levarmos em conta o mercado como um todo, o que inclui também os feature phones, essa queda é de 24%.

Fontes: IDC Brasil, Baguete