Interessado em comprar um iPhone SE? Veja o que você deve levar em consideração

Por Pedro Cipoli | 28 de Março de 2016 às 15h20
photo_camera Divulgação

Se foi algo pensando dentro da indústria ou uma simples coincidência, o fato é que os smartphones estão consideravelmente maiores atualmente. Basta considerar que a Sony tem uma versão "Compact" de seu Xperia Z5 com uma tela de 4,6 polegadas – 0,3 polegadas maior do que o Galaxy S2, na sua época considerado um smartphone grande demais com sua tela de 4,3 polegadas. Quando isso aconteceu? Aliás, por que aconteceu? Essa tendência chegou até a produzir alguns produtos bizarros, como o Galaxy Mega (lembra dele?) de 6,3 polegadas, que dificilmente pode ser considerado prático no dia a dia, que dirá então dos exemplares de 7 polegadas anunciados até hoje, já invadindo o território dos tablets.

Estabelecer um tamanho ideal de tela é impossível. Pessoas possuem tamanhos de mão diferentes, gostos diferentes e esperam experiência de uso diferentes, então seria muito inocente assumir que qualquer modelo anunciado tenha aprovação de 100% do público sobre o tamanho de sua tela. Estes são fatos que indicam que há sim usuários que buscam uma tela menor e começam a explicar a decisão da Apple de anunciar uma versão de 4 polegadas do iPhone. Mas, quem se interessar por ele, deve considerar outros pontos além do tamanho, e por isso criamos um guia para te ajudar a decidir se o iPhone SE é a melhor opção para você.

O lado bom

Não é novidade que a Apple reaproveitou vários componentes na criação do iPhone SE, assim como usou o que tinha de melhor do iPhone 6S e 6S Plus para chamar a atenção do usuário. Um deles é o chip A9, que já é poderoso por si só, além de ter poder de fogo suficiente para bater de frente com os Androids mais atuais, ainda mais em resoluções menores. Na prática, isso significa que não há app ou jogo que não rode completamente liso nele, além de garantir que o smartphone continuará recebendo atualizações do iOS por um bom tempo, já que desempenho não é problema.

iPhone SE

O iPhone SE também vem com as mesmas cores dos iPhones 6S/6S Plus, inclusive a Rode Gold, não disponível na época do iPhone 5S.

A câmera traseira não deixa para menos. A Apple nunca ligou muito para a concorrência para projetar as suas câmeras, sem a menor pressa para adicionar um ou outro recurso, mas cedeu às pressões nos iPhones 6S e 6S Plus. Na mesma tacada, aumentou a quantidade de megapixels, a qualidade das fotos em diferentes condições de luz e finalmente aderiu ao 4K. Ou seja, este pequeno smartphone é um dos melhores modelos para quem faz questão de ter uma das melhores câmeras de smartphone do mercado.

Temos também a questão do preço, e é preciso muita calma nessa hora. De fato, US$ 399 para um smartphone Apple é uma pechincha. Já vimos usuários dos iPhones defendendo a inovação, o design, a câmera, o desempenho, o iOS e tela. Agora, nunca vimos alguém defender o preço, então este é um preço "acessível", por assim dizer. Temos que esperar para ver por quanto ele será vendido por aqui, mas uma expectativa é longe de ser otimista. No entanto, se a Apple trazê-lo por um preço na casa dos R$ 2.000, acreditamos que ele terá uma excelente receptividade, ainda que seja um valor alto.

O lado ruim

Começando pelo design, o iPhone SE é praticamente idêntico ao iPhone 5S, não oferecendo aquela sensação de exclusividade e unicidade que um novo modelo deveria oferecer. O problema, aliás, não é nem ser parecido (ou igual), mas sim que, de fato, se trata de um modelo com carcaça reaproveitada. A Apple tem uma espécie de "capital mercadológico" maior do que os concorrentes, o que permite certas estratégias mais arriscadas. Mas considere por um momento como seria a receptividade de um Galaxy S5 com os recursos do Galaxy S7, a imagem que isso passaria para o consumidor. A Samsung, aliás, relança aparelhos com frequência, mas não o faz com seus tops de linha.

iphone 5s

Com exceção da versão Rose Gold, o iPhone SE é praticamente indistinguível do iPhone 5S (acima). Vai ser comum ver pessoas virando o smartphone para mostrar o "SE" da carcaça.

Em segundo lugar está a ausência do 3D Touch, o grande diferencial dos iPhone 6S/6S Plus em relação aos iPhone 6/6 Plus. Segundo a Apple, isso se explica pelo foco em manter o preço do iPhone SE baixo, mas considerando a altíssima margem de lucro dos iPhones (de todos os produtos da Apple, na verdade), daria para colocar o 3D Touch e, ainda assim, conseguir pelo menos 100% de lucro por aparelho ("somente" 100% de lucro? Inaceitável!!), em especial quando lembramos que há uma boa quantidade de componentes reaproveitados. Nenhuma das inovações, que chegam com frequência em diversos apps, estarão acessíveis para quem optar pelo iPhone SE.

O lado duvidoso

Se há algo que não entendemos é a postura da Apple em relação às baterias. De um lado, temos o iPad, com uma autonomia fantástica para o segmento. Do outro, o iPhone, famoso por ser membro da famigerada sociedade SABET (Smartphones Amantes de Baterias Externas e Tomadas). Há grandes chances do Apple A9 do iPhone SE seja ligeiramente underclockado, mas é difícil acreditar que a bateria de 1642 mAh não deixe o usuário na mão – mesmo que a resolução da tela seja menor, o que exige menos trabalho do chip, e a tela seja menor, o que significa menos energia para mantê-la acesa.

iPhone SE

"Bateria melhorada", quando se trata de iPhones, não quer dizer lá grandes coisas.

Teremos que esperar testes mais agressivos, já que testes rápidos (assim como a visão da Apple) não são suficientes para determinar a autonomia em casos reais de uso. Mas temos a equação (chip A9) + (bateria de 1642 mAh) + (tela ligeiramente menor) = (difícil de acreditar em uma boa autonomia).

Conclusão

Comparar o iPhone SE a qualquer concorrente seria injusto, já que eles nunca foram baratos. E, mesmo porque, não há uma boa seleção de modelos com o mesmo tamanho de tela capazes de concorrer com a novidade da Apple. Como dissemos, há mercado para ele, ainda que precisá-lo seja praticamente impossível, mas vamos descobrir nos próximos meses. Da mesma forma que não adianta colocar defeitos que não existem, não dá para esquecer os seus problemas, como o fato de que ele não oferece a tão procurada "exclusividade Apple" nessa versão. Não dizemos isso nem pelo preço, mas pela aparência idêntica ao iPhone 5S, tanto que os cases de um servem no outro.

iPhone SE sem 3D Touch

Outro ponto é que a economia tem seus comprometimentos. Os maiores deles incluem a ausência do 3D Touch e câmera frontal de apenas 1,2 megapixels.

Apesar disso, é uma boa opção para quem estacionou no iPhone 5S e realmente não estava afim de migrar para uma tela maior, como a tela de 4,7 polegadas do iPhone 6 e 6S. Bem que a Apple poderia ter anunciado o iPhone SE antes, já que há um espaço de dois anos e meio entre o 5S e o SE, de forma que alguns já atualizaram para os modelos maiores, e é difícil ver esse público trocando um aparelho novo pelo iPhone SE. Mas, agora existe uma opção para quem busca telas menores, e não duvidamos que seja uma estratégia que será seguida por outras empresas, caso realmente seja um sucesso.

Queremos saber de você, usuário. Levando em conta as vantagens e desvantagens do iPhone SE, qual seria o preço cobrado pela Apple que realmente chamaria a sua atenção? R$ 2.000? R$ 2.549? Pagaria R$ 3.000 nele? Qual valor você considera compatível com o novo smartphone?

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