iPhone 5: inovação, fiasco ou uma ótima tacada?

Por Luciana Zaramela

A Apple, a empresa mais valiosa do mundo, é conhecida mundialmente pelos seus iGadgets. Sim, esse é mesmo o "i" de inovação, ideias e invenções. O "i" universalizado por Steve Jobs. O evento para o lançamento do iPhone 5 causou um alvoroço na mídia e deixou fãs da Maçã em polvorosa, já que esperavam ansiosamente para ver quais surpresas a empresa iria apresentar acerca do novo smartphone.

Muitos vídeos, fotos e rumores permearam a web meses antes do lançamento do iPhone 5. Todos contavam com uma tela maior, com resolução espantosa, tecnologia LTE e possibilidade de NFC, design diferente, carcaça metálica, processador quadcore, câmera revolucionária... afinal, era assim que Steve Jobs apresentava seus produtos. E a reação do público não podia ser diferente: criava-se, a cada lançamento, um novo grupo de macmaníacos de várias gerações, espalhados pelo mundo, contemplando os dispositivos mais inovadores do mercado.

Pois bem, ontem foi dia 12 de setembro e nós finalmente vimos o iPhone 5 e todas as suas funcionalidades e características. O evento, apresentado em São Francisco, Califórnia, prometia dar o que falar.

A empresa da Maçã resolveu se confinar em um local chamado Yerba Buena para fazer o lançamento de mais um smartphone, dentre outras novidades (um iPod menor, um novo iTunes e um sistema operacional atualizado).

Esse era o grande dia da Apple! E foi, já que o evento apresentou um iPhone 5 cheio de novidades, como a inesperada tecnologia LTE, um sistema operacional incrivelmente atualizado e um novo chassis quadradão de bordas arredondadas para o smartphone. Ironias à parte e em um português claro: não houve nada de inovações fora de série ou novidades incríveis nunca vistas por aí.

Muitos perguntam se a Apple vai vivenciar um momento de queda em suas vendas. Provavelmente não, pois o iPhone 5 ainda vai conquistar muita gente, em especial os fãs da Maçã. É um bom smartphone, atualizado, com recursos novos e um processador rápido. A Apple aproveitou para segurar o público mais uma vez, lançando um iPhone 5 com poucas novidades, mas que certamente irá conquistar vários adeptos, mais pelo fato de "estar fazendo um upgrade" que pela vantagem competitiva ou pelo valor agregado ao smartphone.

E por falar em valor agregado, como se comporta o iPhone 5 diante de seus atuais concorrentes? Samsung Galaxy III, Nokia Lumia 920, Motorola Droid Razr Maxx HD... nas atuais conjecturas de mercado, parece que a Apple simplesmente abriu as portas para seus concorrentes.

Abrindo mão para a concorrência

Não vamos desmerecer o iPhone 5. Ele tem potencial para se tornar um grande campeão de vendas (pelo já mencionado fato de a Apple fazer com que as pessoas se apaixonem por seus produtos, criando um público fiel). Mas também não vamos desmerecer os concorrentes: eles são mais inovadores que o smartphone da Apple. Basta fazer um breve retrospecto de características e compará-las.

O Nokia Lumia 920, por exemplo, oferece recursos interessantíssimos. Talvez o melhor deles seja o carregador por indução (sem fio), ideal para quem viaja bastante. A tela possui um filtro que provavelmente (ainda não fizemos o comparativo lado a lado) seja melhor que o display do iPhone 5 (que ganhou mais cores, uau!).

Quando o assunto é bateria, temos o iPhone 5 em uma disputa nada acirrada. Basta fazer um simples comparativo com o Motorola Droid Razr Maxx HD: ele oferece uma bateria de 3300 mAh que promete 21 horas de ligações, contra as 8 horas do smartphone da Apple, em 3G.

O famigerado Samsung Galaxy SIII ainda está à frente, mesmo tendo sido lançado antes do iPhone 5, nos quesitos tamanho de tela e resolução. Muitos esperavam uma tela revolucionária no iPhone 5, mas não foi dessa vez.

Se formos citar o Samsung Galaxy Note 2, com sua enorme tela de 5,5 polegadas e seu estilo híbrido (uma mistura de tablet com smartphone), com suporte a uma caneta stylus, não sobram parâmetros de comparação para a tela de 4 polegadas do iPhone 5. Mas tudo bem, ele é um híbrido.

Esperávamos que Tim Cook apresentasse, em São Francisco, características incríveis, dantes jamais vistas, incomparáveis, inovadoras. Mas não. Resumidamente, Tim Cook apresentou o "melhor de todos os iPhones" como um iPhone 4S esticado, com suporte a LTE (já não era sem tempo), um processador rápido e um sistema operacional com uma novidade aqui, outra ali - com destaque para a função Panorama, chamada de "recurso mais interessante do iPhone 5" pelos próprios desenvolvedores da Apple. De fato, é mesmo. Com tantas atualizações e poucas inovações, o aparelho deveria se chamar iPhone 4S II.

Um passo atrás para dois à frente

Enquanto a tecnologia NFC está começando a ficar famosa no mercado, a Apple nem sequer considerou mencioná-la no evento. Afinal de contas, o iPhone 5 deveria trazer essa funcionalidade, pois tudo o que todos nós esperávamos ver um dia era a possibilidade de troca de dados com outros dispositivos. A mídia inteira se pergunta qual é o motivo de ter ignorado tal tecnologia. Talvez seja pelo fato de que a Apple ainda ache o NFC um tanto incipiente e pretenda, no futuro, lançar um iPhone à altura da mais alta tecnologia, com algo que vá ainda além do NFC. A Maçã sabe que o terreno é firme e seguro e provavelmente irá lançar tais novidades quando as vendas começarem a apresentar declínio. É tudo questão de mercado e nada mais.

Se você acha que o iPhone não muda de design desde o iPhone 4 e nem traz alterações incríveis e incomparáveis, temos uma péssima notícia: o iPhone 6 deverá ser assim também. E o iPhone 7, e o 8, e todos os iPhones que surgirem. O que ocorrerá além de mínimas variações estéticas e atualizações? Provavelmente, nada. O mesmo padrão de sempre, tornando-se fantástico aos olhos do consumidor a cada ano. Portanto, é melhor nos contentarmos com a mesmice dos iPhones e iPods e iPads e MacBooks Air. E concordar que essa é a grande tacada da Apple.

Mas o iPhone continua sendo a escolha universal. O smartphone da Maçã é bonito, leve, fino, esperto, rápido e atraente. Tem um microfone a mais, uma câmera mais precisa, uma bateria mais duradoura... sim, ele tem seu charme. Um charme que talvez ofusque a incompatibilidade de seus aplicativos para nós aqui no Brasil.

iPhone 5 no Brasil

A Apple apresenta as inovações, mas nem todas são compatíveis com todos os países. A empresa, preocupada em atender bem seus clientes, já criou uma página em seu website com uma lista exibindo a disponibilidade de alguns recursos do iOS 6 em cada país.

Passeando pela página, podemos perceber, até o presente momento, que os brasileiros:

  • Não vão sentir o gostinho da navegação ponto-a-ponto tão cedo;
  • Não vão ver na tela do Mapas os prédios e monumentos renderizados em 3D (só funciona nos EUA);
  • Não terão acesso à função Tráfego;
  • Não vão curtir a função Fotos e análises, também do Mapas;
  • Não poderão conversar com o Siri (nem ouvir palpites sobre esportes, nem postar nas redes sociais);
  • Não poderão assistir a programas de TV via iTunes Store;
  • Não terão acesso à função Ditado.

Aí fica a pergunta: vale a pena trocar de smartphone e desfilar por aí com um iPhone 5 novinho em folha, com iOS 6 rodando lindamente? A resposta varia de local para local. Se você mora nos Estados Unidos, pode tirar total proveito do smartphone. Talvez seja sim uma boa opção. Até para quem mora na Alemanha, na Austrália, no Canadá, na Espanha, na França, na Itália, no México, no Reino Unido ou na Suíça, pode ser um bom upgrade, se o smartphone a ser trocar for um iPhone mais antigo ou outro aparelho menos poderoso.

Mas nossa realidade é diferente. Vivemos no Brasil, que ainda está começando a "engatinhar" em termos de tecnologia 4G. Nem cobertura total a rede LTE nós teremos no próximo ano. Os chips compatíveis com o novo slot de SIM card do iPhone 5 ainda nem foram produzidos por aqui. E até hoje não tivemos um assistente Siri decente, que nos guiasse pelas cidades e contasse para nós onde estão os melhores teatros, museus, restaurantes, bares ou cinemas. Mapas? É melhor continuarmos com nossos GPSs pregados no vidro do carro, ou no guidão da moto, talvez da bicicleta.

O que, afinal, nos restou? Uma boa dose de diversão com os games, músicas e apps da iTunes Store. Para isso, não é necessário trocar de iPhone. É melhor guardar o dinheiro na poupança.