Fábrica de iPhones no Brasil deixa a desejar e não cumpre promessas

Por Redação | 13 de Abril de 2015 às 12h12

Em abril de 2011 a taiwanesa Foxconn, maior fabricante de componentes eletrônicos e de computadores no mundo, anunciou que iria começar a fabricar componentes para dispositivos da Apple no Brasil. Muitas promessas foram feitas, mas pouco foi cumprido até agora.

Na ocasião, o governo da presidente Dilma Rousseff informou que o investimento chegaria a US$ 12 bilhões ao longo de seis anos e isso transformaria o setor de tecnologia do país. Entre outros benefícios estaria a criação de uma nova cadeia de abastecimento local, geração de empregos de qualidade e redução no preço dos cobiçados iPhone e iPad. Quatro anos depois, nenhum desses itens se tornou realidade.

O iPhone, por exemplo, passou a ser produzido em solo nacional em novembro de 2011 pela unidade da Foxconn instalada em Jundiaí, no interior de São Paulo. A multinacional taiwanesa recebeu incentivos fiscais e smartphones foram desonerados em 2013; porém, o preço dos iPhones por aqui não caiu.

Mesmo sendo o único do mundo fabricado fora da China, o iPhone brasileiro ainda é considerado o mais caro do mundo, com os modelos iPhones 6 e 6 Plus sendo vendidos a R$ 3.199, para o modelo do iPhone 6 com 16 GB, e R$ 4.399, a versão do iPhone 6 Plus com 128 GB, no lançamento nacional.

No início deste ano, o que já era caro ficou ainda pior quando um reajuste de 8% incidiu nos valores para os novos iPhones, mas isso não afeta as vendas dos dispositivos da Maçã no país. No primeiro trimestre de 2015, a Apple vendeu o dobro de aparelhos no país comparado com o mesmo período de 2014.

Na época em que a Foxconn anunciou que iria se instalar no Brasil, o então ministro de Ciências e Tecnologia, Aloizio Mercadante, também disse que o preço dos iPads poderia cair mais de 30% no país. Há quatro anos, um iPad de 10 polegadas com 16 GB custava R$ 1.549. Hoje, um novo dispositivo com essas mesmas especificações custa R$ 1.599.

Fábrica fantasma em Itu

Em 2012, a Foxconn firmou um compromisso público e prometeu um investimento inicial de R$ 1 bilhão em uma nova unidade em Itu, responsável pela fabricação de pequenos componentes para smartphones, tablets e outros produtos eletrônicos.

Para construir a nova unidade, que deve contar com cinco fábricas, a empresa taiwanesa adquiriu um terreno às margens da SP-308. A ideia era que as atividades de produção começassem em 2014, mas depois de muito atraso a companhia anunciou no final do ano passado que as obras de construção finalmente iriam começar. Agora, a Foxconn diz que a instalação deve começar a operar até ao final de 2015.

Foxconn Itu

Início das obras da Foxconn em Itu (Imagem: Reprodução / Investe São Paulo)

A primeira fase do empreendimento irá até 2016 e contará com um aporte de R$ 400 milhões para a construção e operação de uma unidade de 40 mil metros quadrados. A nova unidade deve contratar cerca de 5.000 novos postos de trabalho e isso fará com que a Foxconn some cerca de 10.000 funcionários em São Paulo.

Empregos x Baixa produtividade

Atualmente, a fabricante tem cinco unidades no país que fazem produtos sob contrato para diversas empresas de tecnologia, mas apenas uma delas trabalha na produção de dispositivos da Apple: a unidade de Jundiaí (SP). No ano passado, os funcionários da chamada Foxconn II fizeram greves e exigiram um plano de cargos e salários e também fizeram reivindicações sobre a Participação nos Lucros e Resultado (PLR).

"Você ouve 'Foxconn' e 'Apple' e pensa que é algo especial. Mas não há glamour lá. É um beco sem saída", disse um dos trabalhadores da fábrica à agência de notícias Reuters. A maioria dos 3.000 funcionários da unidade de Jundiaí se queixa do trabalho monótono e da falta de oportunidades de promoção.

Ao desembarcar no Brasil, o governo projetou a criação de mais de 100 mil postos de trabalho pela Foxconn, mas apenas uma pequena fração foi realmente concretizada. Já Terry Gou, o fundador e presidente da Foxconn, disse ao Wall Street Journal em 2010 que a empresa enfrenta alguns desafios com trabalhadores brasileiros. "Trabalhadores do Brasil têm salários muito altos. Mas os brasileiros, assim que ouvem a palavra 'futebol', param de trabalhar. E tem também toda a dança. É uma loucura", disse Gou.

Alguns economistas consideram a baixa produtividade uma das principais razões para o alto custo dos bens de consumo no Brasil, juntamente com as altas tarifas e taxas de juros. Os analistas dizem que a Foxconn pode ter subestimado esses desafios durante suas negociações com as autoridades do país em 2011.

"Houve um mal-entendido. O Brasil esperava uma coisa e a Foxconn esperava outra coisa", disse Maria Luísa Cravo, a chefe de investimentos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX).

Representantes do governo brasileiro, da Foxconn e da Apple foram procurados pela agência de notícias Reuters, mas ninguém quis falar sobre o assunto.

Fonte: Reuters

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