Esta tecnologia pode localizar itens e tornar celulares ainda mais inteligentes

Por Felipe Demartini | 21 de Agosto de 2020 às 12h27

Os smartphones mais modernos e de topo de linha costumam trazer embarcadas uma série de tecnologias que não necessariamente recebem o uso devido ou são aproveitadas em sua integralidade. Mas se depender dos aparelhos principais de Apple e Samsung, uma delas pode acabar se tornando central para as estratégias de realidade aumentada e Internet das Coisas no futuro próximo: a UWB, ou, na tradução da sigla em inglês, banda ultralarga.

Antes de mais nada, é importante indicar que esse recurso não está relacionado diretamente a redes 5G ou às conexões de internet, apesar de estar ligado a elas. Os chips, já disponíveis no iPhone 11 e que estarão dentro, também, do Galaxy Note 20 Ultra, dão aos aparelhos um melhor entendimento do ambiente em que estão, além de contarem com uma maior largura de banda para ampliar o potencial de transferência de arquivos usando sistemas sem fio.

Na prática, pode ser bem possível que, em alguns anos, o sonho de ter um sistema de localização para objetos perdidos dentro de casa se torne real e acessível a partir do seu smartphone. Mas não é apenas isso, como também uma possível quebra nas barreiras do controle de dispositivos domésticos conectados, que podem não estarem mais restritos a aplicativos próprios, e também recursos de realidade aumentada mais interessantes e úteis.

A UWB não é uma tecnologia nova e, de certa forma, se parece com o funcionamento de outros protocolos de comunicação de curto alcance, como o Bluetooth ou o Wi-Fi. A diferença, claro, está na sua precisão, menos suscetibilidade a interferências e na largura de banda, que permite maior qualidade e fidelidade na localização ou transmissão de dados, principalmente em uma era de processadores com maior poder computacional. As bandas ultralargas já existem desde o começo da década, mas só ganharam aplicação real quando os chips chegaram a uma arquitetura de sete nanômetros, mais recentemente, o que desbloqueou seu potencial pleno.

Bill Ray, diretor sênior e analista da consultoria de inteligência de mercado Gartner, observa um futuro como o visto nos filmes, em que conteúdo ou comandos podem ser dados a televisores, lâmpadas ou outros aparelhos inteligentes com um gesto, bastando apontar o smartphone para eles. A tecnologia permite que ele reconheça os dispositivos mais próximos e trabalhe com eles, sem que seja preciso abrir um app ou depender de outras redes sem fio ou tecnologias para efetuar tais comandos.

Esse ainda é um futuro distante para Apple e Samsung, que por enquanto, falam da tecnologia de forma periférica e a citam como uma maneira mais rápida de transferir arquivos. iPhones com chips UWB, por exemplo, podem usar esse recurso de, simplesmente, apontar um aparelho para o outro para enviar dados diretamente entre si. Rumores apontam que a próxima geração de smartphones da Maçã, entretanto, dará mais ênfase à realidade aumentada por uma combinação da banda ultralarga com sistemas de lidar, além dos App Clips, o download de partes de um aplicativo que podem ser acessadas sem a necessidade do download completo, que também podem usar o sistema de localização para indicar pontos de interesse nas proximidades.

O caso da Samsung é semelhante, com a empresa divulgando as capacidades avançadas de transferência de arquivo entre modelos Galaxy Note 20, mas também um sistema que vai usar o UWB para localizar objetos perdidos em uma sala, facilitando a vida, por exemplo, nos momentos em que o controle remoto cai atrás do sofá. Parcerias com empresas de trancas inteligentes, ainda, podem transformar o smartphone da marca coreana em um molho de chaves digital para fechaduras conectadas.

Para Patrick Moorhead, presidente da consultoria Moor Insights & Strategy, a tecnologia não chega para substituir recursos já existentes, como NFC e Bluetooth, mas sim como um acessório a novos usos. A penetração de dispositivos com os protocolos já vigentes hoje, bem como a cauda longa de tais aparelhos conectados, torna uma substituição inviável, mas para o especialista, a UWB é o tipo de tecnologia que pode, em alguns anos, trazer novas capacidades que os smartphones de hoje não possuem, ainda que não seja completamente disruptiva.

Fonte: Business Insider

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