Entendendo a preferência do usuário através do Antutu, parte 4: configuração

Por Pedro Cipoli | 28 de Julho de 2016 às 20h52

Durante o lançamento dos aparelhos Zenfones Go e ASUS Live em 2015, um ponto nos chamou muito mais a atenção dos que os próprios smartphones: o compromisso da ASUS em não produzir mais aparelhos com 8 GB de memória interna. Isso independentemente de suportar cartões micro SD ou não, já que muitos fabricantes, em especial no Brasil, ainda vendem modelos com 16 GB de memória (não especificam qual), mas na verdade se trata de 8 GB de memória interna mais um cartão micro SD de 8 GB pré-instalado.

O fato, porém, é que o Brasil foi um dos últimos países em que os fabricantes começaram a finalmente abandonar 8 GB de memória interna. Simplesmente não dá mais, limitando a experiência de uso em um grau maior do que ter somente 1 GB de memória RAM, em especial em longo prazo (algo que exploramos na terceira parte desse artigo). O Brasil, por exemplo, foi um dos um dos pouquíssimos países a receber o iPhone 4s de 8 GB, isso para um smartphone que não tem suporte a cartões microSD e que estava longe de ser barato. Hora de analisarmos esses dados.

Estamos vendo o fim dos aparelhos com 8 GB?

O Antutu mostra que a participação dos aparelhos com apenas 8 GB de memória interna está com seus dias contados. Apesar de ainda existirem fabricantes que insistem em anunciar aparelhos com essas características, a verdade é que o usuário já percebeu que se trata de um péssimo negócio. Em primeiro lugar pela própria limitação que isso causa, já que exige um gerenciamento ativo do usuário para não lotar a memória interna, o que faz com que o aparelho fique insuportavelmente lento (quando ele começa a "swapar" demais).

Aliás, se esse aparelhos contassem com 8 GB já seria um ótimo começo, já que o próprio Android e os apps e interfaces pré-instalados deixam – quando muito – apenas 4,5 GB acessíveis. Não há o que fazer, inclusive, já que o suporte a cartões microSD pouco ajuda nesse sentido, servindo apenas para armazenar fotos, vídeos e músicas. Há sim alguns apps que permitem "mover" os dados para o cartão microSD, mas é, no final das contas, uma gambiarra para dar sobrevida ao aparelho por um problema de fábrica.

Antutu

Outra boa notícia é que mais modelos de 64 GB foram mais registrados do que os de 8 GB, que ainda estão presentes (infelizmente) em diversos países.

Isso não impede que alguns aparelhos apareçam com 8 GB em pleno 2016. Se por um lado temos o Freedom 251 com essa configuração, devemos lembrar que ele custa R$ 12,50 (além de um objetivo completamente diferente), e não os R$ 700 cobrados pelos aparelhos por aqui. O preço da memória interna para fabricantes diminuiu bastante através dos anos, algo motivado especialmente pelo segmento de smartphones e tablets, então acreditem: vender aparelhos com a mesma configuração, mas 16 GB em vez de apenas 8 GB, ainda permitiria uma boa margem de lucro para esses fabricantes.

A boa notícia é que os modelos com 8 GB representam somente 3,09% do total, lembrando que esse gráfico leva em consideração todos os aparelhos do primeiro semestre do ano. Aliás, os 4 GB nem aparecem mais, pertencendo ao passado, ou seja, no seu devido lugar. Enquanto isso, os modelos com 16 GB representam mais da metade do total, em especial pelo fato de aparelhos básicos mais atuais (os que prestam, naturalmente) já trazerem esse mínimo.

Enquanto isso, os modelos intermediários já começaram a transição para 32 GB, como é o caso do Lenovo Vibe A7010, Zenfone Selfie e Moto X Play. Usuários deixaram de considerar um intermediário com apenas 16 GB, já que 32 GB oferecem uma tranquilidade de uso muito maior em longo prazo, não exigindo grandes manutenções ativas do usuário para deixar os aparelhos sempre rodando bem.

Samsung Galaxy S4

O problema é, na verdade, o quanto o usuário tem de acesso à memória interna. Lembram do Galaxy S4 de 2013? Ele era um modelo de 16 GB, mas trazia tanto bloatware e uma interface tão pesada que sobravam 8 GB e pouco para o usuário.

Por outro lado, ainda achamos estranho que os tops de linha não tenham adotado 64 GB por padrão – independentemente do suporte a cartões microSD. Temos um outro modelo que foge desse padrão: o Moto X Force, que traz 64 GB e suporte a cartões microSD, mas ele é mais um ponto fora da curva do que o indicativo de uma transição de mercado. Prova disso é que os principais tops de linha do primeiro semestre ainda trazem 32 GB de memória interna, caso do Galaxy S7 e S7 Edge, LG G5 e Xperia X (na maioria das versões).

Talvez seja por isso que os modelos com 64 GB ainda representem pouco mais de 5% do total. Quem sabe em 2017, não é mesmo? Enquanto isso, modelos com 128 GB ainda são bastante raros, geralmente restritos a modelos já existentes, mas em edições especiais, como os iPhones de 128 GB, algumas versões do Galaxy S7 e do Zenfone 2 Deluxe, mas nenhum deles chega a ser aparelhos novos. Muito menos populares, mesmo no segmento de topo de linha.

Quantidade de pixels importa?

O Antutu também liberou as estatísticas da quantidade de megapixels da câmera traseira dos smartphones cadastrados. Porém, serve mais como curiosidade do que qualquer outra coisa, já que pouco (ou nada) tem a ver com a qualidade final das câmeras. Prova disso é o Galaxy S7, que vem com um sensor de 12 megapixels e trouxe uma das melhores câmeras do mercado quando foi anunciado. Senão a melhor.

Antutu

Chega a ser mais uma curiosidade, já que pouco existe relação entre quantidade de megapixels e qualidade final de fotos e vídeos.

Mesmo porque, os usuários sabem que qualidade de câmera esperar considerando o segmento de mercado do aparelho. Ao buscar um LG G5 (não o SE), sabe que está pagando um valor premium por um aparelho premium, incluindo tela, configuração, recursos de ponta e, claro, a melhor câmera que a fabricante pode proporcionar. Seria o cúmulo gastar tanto em um smartphone e ainda ter dúvidas se a câmera é boa ou não.

Nokia Lumia 1020 Câmera 41 MP

Conseguem imaginar um modelo como o Lumia 1020, com todo o avanço no segmento de sensores que ocorreu desde o seu lançamento?

Ainda assim, quando será que veremos o próximo "câmeraphone", como o Lumia 1020 era quando anunciado? Será que este ano ainda veremos alguma edição especial com um sensor tão grande? Rumores sobre o Lumia 1040 (depois de ser chamado 1030 e antes de surgir em rumores como 1050) acabaram não se comprovando, mas certamente chamaria muito a atenção do usuário.

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