Crise na Venezuela faz iPhone 6 custar o equivalente a US$ 47 mil

Por Redação | 23.06.2015 às 15:22

A situação do Brasil está bem complicada, mas a de nossos países vizinhos anda de mal a pior. A Venezuela, por exemplo, está afundada em uma crise tão grande e com índices absurdos de inflação devido à queda no preço do petróleo, que fez com que produtos de tecnologia se tornassem algo para poucos.

Uma matéria feita pelo site Bloomberg esmiuçou a questão e revelou uma realidade bem assustadora e que mostra que, apesar de todos os nossos problemas, sempre tem alguém pior do que a gente — e que, no caso, mora bem aqui ao nosso lado. Apenas para ter uma ideia, um iPhone 6 chega a custar o equivalente a US$ 47.678, ou seja: mais de 73 vezes o seu valor nos Estados Unidos.

E não são apenas as etiquetas dos produtos da Apple que assustam, mas de qualquer outro smartphone disponível nas lojas venezuelanas. Como apontado pelo site Gizmodo, aparelhos mais simples, como o Lumia 530 e o Moto G de segunda geração custam US$ 2,7 mil e US$ 12,7 mil, respectivamente.

A situação é tão bizarra que, além de limitar o poder de compra dos consumidores, essa inflação ainda impulsionou a violência. Devido a esse alto valor, os celulares entraram na mira de criminosos, que passaram a assaltar pessoas à mão armada para levar os aparelhos, mesmo que eles não sejam a última novidade do mercado. E as vítimas ainda precisam arcar com o prejuízo e se contentar com algo que cabe no seu bolso.

iPhone 5C

A reportagem da Bloomberg cita o exemplo de Maria Veronica Fernandez, que teve seu Galaxy S4 roubado e, para não ficar sem um smartphone, teve de se contentar com um smartphone bem inferior ao que estava acostumada a usar e ainda comprometer boa parte de seu orçamento. Enquanto o Galaxy Fame escolhido por ela sai por R$ 380 no Brasil — o equivalente a meio salário mínimo —, na Venezuela a situação é completamente diferente e ela teve de pagar 17 mil bolívares (cerca de R$ 8,3 mil), ou seja, o salário de dois meses de seu trabalho.

Mas a pergunta é: por quê? Há uma série de fatores que resultaram nessa situação econômica catastrófica do país, mas a principal razão para esse absurdo nos preços está nas variações da moeda americana. Enquanto o câmbio oficial não é nada exorbitante, girando em torno de 6,3 bolívares para cada dólar, as restrições do governo em torno do quanto é permitido trocar faz com que muita gente apele para o mercado negro, que faz com que esse valor seja absurdamente maior.

Nessas vias alternativas, cada dólar custa cerca de 456 bolívares — ou seja mais de 70 vezes mais caro do que o câmbio oficial. Isso faz com que produtos relativamente baratos se transformem em artigos de luxo pelo simples fato de que é virtualmente impossível para a maioria da população pagar esses preços. E, como se não bastasse, esse próprio mercado negro se aproveita da violência para revender artigos roubados a valores “mais em conta” para, com isso, aumentar seus ganhos.

iPhone 6

Diante disso, a Venezuela está simplesmente assistindo às vendas de smartphones caírem drasticamente em relação a qualquer outro país do mundo, incluindo seus vizinhos da América do Sul. E, como se não bastassem os preços absurdos, o próprio governo local não tem dólar o suficiente para importar novos produtos, o que faz com que a oferta se torne ainda mais escassa.

Para ter uma ideia, a Bloomberg aponta que a capital Caracas possui apenas duas ou três lojas que ainda têm celulares em seus estoques. Mais do que isso, itens mais caros, como os da própria Apple, estão sumindo para dar espaço para opções mais baratas. Os modelos de entrada da LG, Samsung e Nokia ainda têm seu espaço, mas o grande destaque vem sendo as marcas chinesas, como ZTE e Huawei.

Via: Bloomberg, Gizmodo