Comprar um smartphone usado está ficando mais vantajoso

Por Wellington Arruda | 27 de Junho de 2018 às 09h51
bernardbodo/Depositphotos

Na primeira parte deste artigo, nós colocamos em debate mudanças importantes que aconteceram no mercado de smartphones nos últimos anos. Isso implicou, entre outras coisas, na mudança de como o consumidor enxerga as marcas e nas novas linhas de produtos.

Hoje trataremos inicialmente do debate sobre a obsolescência programada e o que as fabricantes têm feito para lidar com esse fenômeno, que cada vez menos tem sido aceito.

O consumidor tem abordado dezenas de questões antes de comprar um novo smartphone. Em uma conversa com Reinaldo Sakis, gerente de pesquisa e consultoria da IDC, falamos um pouco sobre a demanda do consumidor brasileiro, mas a constatação é única: quem quer comprar um smartphone high-end, vai comprar um smartphone high-end.

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Existem dezenas de motivos para que um usuário opte por um celular premium. Aqui no Brasil, um dos principais pontos é o valor atribuído a esses aparelhos e marcas, que por vezes ultrapassam as pesquisas e orientações lógicas. Mas, ainda assim, existem também exemplos mais claros e específicos, e que fazem total sentido.

Primeiro porque, quem opta por comprar um celular na faixa dos R$ 4 mil naturalmente está procurando por algum desses principais pilares: design único, hardware mais potente para suprir as necessidades diárias, recursos de câmera e de software e tecnologias inovadores e/ou recentes.

Com um hardware mais potente, os smartphones dessa faixa de mercado acabam tendo uma vida útil estendida (em teoria). Mas, neste caso, as atualizações de software estão sendo colocadas como prioridade, também. Ainda considerando alguns modelos de 2016, temos o seguinte:

Não existe nenhuma confirmação oficial de que o S7 será atualizado para o Android P (ainda sem nome definido), mas o futuro pode ser brilhante: apesar de as versões 7.0 e 7.1 Nougat ainda representarem uma boa fatia dos dispositivos da Google, o Project Treble deve fazer com que os futuros updates cheguem mais rapidamente.

Já considerando os modelos da família de intermediários da Samsung, os J7 Prime e J7 Metal foram atualizados no início deste ano para o Android Nougat, por exemplo.

Até setembro do ano passado, acreditava-se que o usuário tinha a iniciativa de trocar de aparelho a cada dois anos, mas hoje em dia ele quer trocar de modelo cada vez mais rápido pela adoção de novas tecnologias. Isso fez com que o tempo de troca fosse reduzido, tendo em vista que o smartphone em si precisa suprir as necessidades de quem o obtém.

É neste momento que nós temos mais opções: o mercado está aquecido, os modelos de smartphone estão cada vez mais potentes e os preços estão mais altos. Mas ainda há uma saída.

Bendito seja o mercado de usados

Muitas dessas compras de smartphones premium são por causa de status. O usuário que quer um smartphone desses, como já citado, vai comprar um. Ainda que seja da geração anterior. Pois, desta forma, além de atender suas necessidades de uso, o smartphone em questão satisfaz o desejo do consumidor de ter um aparelho da faixa mais cara.

A preocupação da fabricante com as vendas e o lançamento de um novo smartphone também gera uma nova perspectiva em quem consome esse tipo de produto. Desse ponto de vista, o mercado de usados é abastecido, em sua maioria, por quem quer trocar de smartphone para obter um modelo mais recente; do outro lado, no caso de quem compra, o vislumbre pelo smartphone premium se torna mais palpável, tendo em vista que o preço é mais atraente do que o da geração atual.

O principal comprador, ou o primeiro comprador, como explicado por Sakis, normalmente vai trocar de smartphone todo ano. Este seria o caso onde "o dinheiro não é problema", e aqui vai um exemplo prático para ilustrar isso:

  1. O usuário "X" decidiu comprar um Galaxy S8 em 2017;
  2. O usuário "X" quis trocar para um Galaxy S9 em 2018;
  3. O mesmo usuário "X", que tem grana no bolso, ainda tem algumas opções, que incluem vender o S8 e usar a grana para comprar um S9, ou dar o S8 para algum familiar continuar utilizando.

Agora, considerando o ponto de vista de quem quer comprar um smartphone top de linha sem gastar R$ 4 mil ou mais, o mercado de usados é uma ótima saída. Se, por acaso, os usados não agradarem tanto, a geração anterior de uma dessas linhas premium acaba ficando mais agradável – para o bolso, no caso.

Vamos imaginar o seguinte: smartphones de 2016 ainda são super válidos nos dias de hoje. Os do ano passado também continuarão como fortes opções nos anos seguintes, tendo em vista que eles são mais robustos e podem funcionar com tranquilidade.

Sendo assim, a roda vai continuar girando do mesmo jeito, com a galera da grana comprando os smartphones high-end sempre no lançamento, e a galera que quer um high-end sem gastar tanto continuará consumindo, why not, as gerações anteriores – a menos que os novos recursos lhe façam falta, claro. Essa percepção é básica, mas agora o momento é ainda mais propício.

Com as fabricantes se preocupando mais com atualizações de software, recursos de segurança, melhorias de usabilidade e afins, esses aparelhos conseguem respirar por mais tempo.

A não ser que você queira minerar criptomoedas no seu celular, existem, sim, dezenas de formas para encontrar o seu smartphone top de linha por um preço mais atraente.

Seja você um usuário do Android (que atualmente corresponde por 95,1% dos aparelhos vendidos) ou iOS (representando 4,9% do volume), é de grande vantagem sempre esperar alguns meses após o lançamento de novos modelos.

E às vezes optar pela versão anterior do smartphone recém-lançado pode ser a melhor escolha, mesmo com o fantasma do status batendo na sua porta.

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