Com preço alto, BlackBerry Priv é aposta no futuro da marca

Por Redação | 27.10.2015 às 12:23

Antes representante-mor do segmento de smartphones para trabalho, a BlackBerry é hoje pouco mais do que uma lembrança do passado, só que ainda atuante. Concentrando menos de 1% do mercado global de smartphones, a companhia lança neste final de ano o Priv, seu primeiro dispositivo com sistema operacional Android, com foco na união entre o potencial dos aplicativos da loja Google Play e as soluções de segurança e produtividade, principalmente quando se fala na presença do teclado QWERTY físico.

Segundo o CEO John Chen, trata-se justamente disso: aproveitar o que há de melhor da indústria, mas sem se desviar dos princípios da companhia. A necessidade de mais aplicativos é um pedido antigo dos usuários de BlackBerry, e adotar o Android acabou sendo uma aposta mais barata e versátil do que investir pesado na produção de alternativas próprias. O problema é que esse movimento pode ter sido feito tarde demais.

É óbvio que o principal objetivo por trás do Priv é entregar o melhor de dois mundos e, sendo assim, recuperar pelo menos uma pequena parcela da velha margem. Mas estamos em um momento em que a Apple, por exemplo, vem conquistando cada vez mais o apoio do mercado corporativo, com a ajuda de nomes como IBM e até mesmo a rival Microsoft, enquanto tablets e notebooks conversíveis também se tornam as ferramentas de trabalho que muita gente precisa. Enquanto isso, o novo dispositivo da BlackBerry acaba espremido em um segmento no qual, muitos analistas já acreditam, vai acabar passando despercebido.

E o principal fator para isso é o preço. Com lançamento marcado para novembro, o dispositivo chega por US$ 699, cerca de R$ 2,8 mil, um valor mais alto até mesmo que as opções mais básicas do iPhone 6s, já considerado bastante caro. É uma questão que contrasta com a necessidade da fabricante canadense de vender dezenas de milhares de unidades. Aparentemente, há pouco apelo para atrair novos usuários, principalmente quando se leva em conta que eles estão bem servidos quando se fala em nomes como o iPhone e o Samsung Galaxy S6, por exemplo. Faltam motivos para que essa troca e uma preferência pela BlackBerry aconteçam.

Não dá para saber ao certo o que a BlackBerry pretende agora, e pode ser que a estratégia acabe se tornando a mesma usada pela Microsoft, por exemplo – aparelhos caros que vendam pouco, mas sejam lucrativos devido ao alto preço de saída. A diferença, aqui, é que parece que o futuro da fabricante depende do Priv. E o temor é de que ele não esteja pronto para encarar tamanha pedreira.

O aparelho chega às lojas de países como Estados Unidos e Europa no dia 6 de novembro. Por enquanto, não existe data confirmada para lançamento no Brasil.

Fonte: The Verge