Com foco no design, ex-CEO da Apple lança smartphones para mercados emergentes

Por Redação | 27.08.2015 às 11:13

Eis que temos uma nova marca de smartphones chegando ao mercado — e com toda a experiência de alguns veteranos da indústria. Fundada pelo antigo CEO da Apple, John Sculley, a Obi Worldphone também quer entrar na briga dos telefones inteligentes, mas com um grande diferencial: unindo sofisticação a baixos preços.

Em um mercado em que estamos tão acostumados a ver os valores acompanhando a quantidade de adjetivos do aparelho, chega a ser estranho imaginar algo assim — principalmente se tratando de uma companhia criada por alguém que já esteve à frente da Apple, que sempre foi conhecida por seus produtos nada econômicos. No entanto, a apresentação de seus primeiros smartphones mostra que é possível, sim, ser barato sem deixar de ser estiloso.

Os novos modelos da Obi Worldphone chegam às lojas já no próximo mês de outubro a preços bem acessíveis. O SF1, por exemplo, custará apenas US$ 199 — cerca de R$ 716 na cotação atual — e o SJ1.5 sairá por US$ 129 (R$ 464). E o que mais chama a atenção aqui é que, apesar do baixo custo, eles não deixam nada a desejar em relação aos aparelhos top de linha que conhecemos em termos de visual.

Obi Worldphone

E a razão para isso é simples: os aparelhos foram feitos em parceria com Robert Brunner, designer da Ammunition Group e um dos responsáveis pela criação dos icônicos fones Beats que a gente vê por todos os cantos. Isso significa que, mesmo sendo baratos, eles trazem a mesma assinatura de um dos headphones mais caros da atualidade — o que o torna ainda mais interessante.

De acordo com a fabricante, a ideia é levar esses novos smartphones para mercados emergentes. Visando alcançar jovens de até 25 anos em países da Ásia, África e Oriente Médio, a estratégia de juntar um preço reduzido a muito valor agregado pode ser um diferencial e tanto em relação a outras iniciativas semelhantes.

Tanto que o fundador da Obi reforça exatamente esse foco no design. Embora os aparelhos tragam componentes razoáveis em seu interior — eles utilizam processadores Qualcomm, uma câmera da Sony, além de display Gorilla Glass e som Dolby —, o próprio John Sculley destaca que o foco da companhia é o design. Equipados com sistema Android, o SF1 e o SJ1.5 são bem finos, discretos e com uma bela dose de sofisticação.

Tanto que, em entrevista ao Engadet, o fundador da Obi disse que a estratégia de sua empresa é se apoiar exatamente na falha das grandes fabricantes. Para ele, companhias como Apple, Samsung e HTC têm um enorme legado, mas isso é também a sua principal fraqueza. Sculley explica que o tamanho dessas empresas faz com que a evolução de seus aparelhos tenha de ser lenta e gradual e uma startup como a Obi Worldphone tem mais liberdade de fazer mudanças e se reinventar de acordo com aquilo que o seu público deseja.

Obi Worldphone

De acordo com Robert Brunner, um bom design não precisa representar um produto caro. E os smartphones desenhados por ele mostram bem isso. Como explica ao site Re/Code, tanto o SF1 quanto o SJ1.5 são finos, mas poderiam ser ainda mais se não fosse a bateria reforçada imaginada pelo designer. Para ele, é muito mais importante trazer uma escolha consciente baseada na autonomia dos aparelhos — levando em conta que alguns dos mercados emergentes que a Obi visa têm uma oferta esporádica de energia à população — do que meramente estética e pouco funcional.

Sculley também destaca que não é preciso comprometer a qualidade de um aparelho caso se deseje reduzir seu preço. Tanto que os dois modelos da Obi conseguem surpreender mesmo com a sua simplicidade. O SF1, por exemplo, conta com uma tela de 5 polegadas, processador Snapdragon 615, 2 GB de RAM, 16 GB de armazenamento interno, câmera de 13 megapixels com sensor Sony IMX215 Exmore e suporte à conexão 4G/LTE. Já para quem preferir uma versão com 3 GB de RAM e 32 GB de espaço, o preço sobe para US$ 249.

O SJ1.5, por sua vez, é um pouco mais modesto. Custando apenas US$ 129, ele tem 16 GB de memória interna, suporte à conexão 3G e um processador quad-core não especificado. Ambos possuem entrada para dois SIM.

Obi Worldphone

Apesar de ser uma iniciativa ousada, os executivos têm anos de experiência no mercado e a própria Obi já se aventurou antes para verificar o quão arriscado seria essa jogada. No ano passado, a empresa lançou um smartphone semelhante em alguns poucos países para ver o quão sustentável seria esse negócio. E, mesmo sem investir em um design mais elaborado ou grandes estratégias de expansão, conseguiu conquistar 5% de participação de mercado nos Emirados Árabes.

Com lançamento previsto para o início de outubro, os dois aparelhos serão disponibilizados inicialmente no Vietnã, Indonésia, Tailândia, Arábia Saudita, Quênia, Nigéria, Tanzânia, África do Sul, Paquistão, Turquia e Índia. Nada foi dito sobre uma eventual expansão para outros países emergentes, como o Brasil.

Via: Engadget, Re/Code, Business Insider