CEO é preso por vender celulares criptografados para cartéis mexicanos

Por Felipe Demartini | 16 de Março de 2018 às 13h44

Vincent Ramos, CEO da Phantom Secure Communications, foi preso na última semana por vender smartphones protegidos por criptografia para cartéis mexicanos e outras organizações criminosas. O diretor da companhia foi preso na cidade de Seattle, nos Estados Unidos, sob acusação de manter uma rede de telefonia segura que estaria sendo utilizada para práticas ilícitas em diversos países do mundo.

Os negócios entre a companhia e o cartel Sinaloa, uma das maiores organizações criminosas do México, especializada no tráfico de drogas, é o principal ponto da acusação. Entretanto, a polícia descobriu também que a empresa vendeu aparelhos protegidos para gangues de motoqueiros da Austrália e outras quadrilhas do país.

A informação foi revelada quando o FBI, responsável pela prisão, apresentou o indiciamento de Ramos a uma corte no estado americano da Califórnia. O documento aparece com diversos trechos encobertos sob a premissa de proteger a segurança nacional, mas detalha o funcionamento dos dispositivos vendidos pela Phantom a seus clientes.

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De acordo com os papéis, os aparelhos seriam da marca BlackBerry e funcionariam sem boa parte de seus sistemas de rede e comunicação, como GPS e serviços de mensageiros. A empresa faria alterações profundas tanto no hardware quanto no software dos celulares, instalando métodos de segurança “complexos” e permitindo que eles funcionem em uma rede protegida apenas com algumas funções básicas, como ligações, mensagens de texto e e-mail.

O FBI acusa Ramos de operar uma rede de telecomunicações voltada especificamente para a prática criminosa. As autoridades afirmam que os sistemas da Phantom foram criados com o intuito direto de impedir a interceptação de comunicação e dificultar o trabalho da polícia, utilizando servidores em países como Hong Kong e Panamá, justamente para escapar de mandados judiciais e pedidos de entrega de dados ou cooperação.

Nos documentos, o FBI afirma ainda que a Phantom Secure teria vendido mais de 20 mil smartphones protegidos somente para organizações criminosas, lucrando milhões de dólares por meio de aquisições desse tipo e assinaturas de serviços. A companhia tem planos com preços que variam de US$ 2 mil a US$ 3 mil e pagamento semestral, dando direito a um aparelho e também acesso às redes criptografadas da companhia.

Entretanto, o caráter dos negócios da companhia é altamente obscuro. Só é possível se tornar um cliente da empresa ao ser indicado por outro e todos são tratados de maneira anônima. Muitas vezes, a companhia nem mesmo sabe a identidade daqueles com quem está tratando, apesar de entradas de seu sistema de “nicks” já darem uma boa indicação – de acordo com o FBI, entre os apelidos cadastrados, estão “narco”, “elchapo66” e “quebradordejoelhos”.

Falando nisso, foi justamente a prisão de “El Chapo”, em 2016, que teria levado à investigação. Ao prender Joaquín Guzmán, o líder do cartel Sinaloa, em 2016, o FBI teria tomado conhecido da utilização de smartphones protegidos por grupos criminosos, uma pista que, agora, levou ao indiciamento de Ramos.

Ao mesmo tempo, o FBI aponta que o mesmo ato também foi responsável por um aumento no interesse das quadrilhas por aparelhos desse tipo, o que dificultou o trabalho das autoridades. A localização de Guzmán foi obtida quanto a polícia conseguiu rastrear o celular de um de seus seguranças, realizando a prisão em um prédio luxuoso na cidade de Mazatlán, no litoral do México.

Nos documentos, o FBI não informa se outros executivos ou funcionários da Phantom Secure também foram presos. Como a posse e venda de aparelhos protegidos em si não é um crime, os serviços da companhia continuam ativos, mas a ideia das autoridades, com o caso, é comprovar que a atuação da empresa é voltada especificamente para atividades criminosas, em uma investigação que pode levar ao encerramento de suas atividades.

Fonte: Fox News

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