Briga comercial entre Japão e Coreia deve dificultar lançamento do Galaxy Fold

Por Felipe Demartini | 03 de Julho de 2019 às 12h57
Joy Macedo
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Ficha técnica

Desgraça pouca parece ser bobagem na história do Galaxy Fold. Enquanto a Samsung demora para anunciar uma nova data de lançamento para o produto, o que já levou ao cancelamento da pré-vendas e uma geral perda de interesse por parte dos usuários, um dos materiais essenciais para a fabricação das telas dobráveis do dispositivo acabou indo parar em uma lista de produtos cuja exportação do Japão para a Coreia do Sul está banida.

Uma nova lista de restrições anunciada nesta semana pela Terra do Sol Nascente inclui a poliimida de flúor, componente que faz parte da camada protetiva transparente da tela sensível ao toque, aquela mesma que causou tantos problemas quando foram arrancadas por jornalistas e influenciadores do setor de tecnologia, sem saberem que aquele era um componente essencial para o funcionamento da tela. Seria esse, também, um dos focos de atenção da Samsung para o relançamento do Fold, em uma questão que, agora, se tornou ainda mais complicada.

Isso se deve ao fato de o Japão ser um dos maiores exportadores do material, concentrando mais de 70% da produção mundial de poliimida de flúor. A fabricante sul-coreana tem uma parceria com duas empresas japonesas para fornecimento do polímero que, agora, não pode mais ser negociado entre os países, em uma medida que deve afetar não apenas o mercado mobile, mas também indústrias como as de semicondutores e produtos de limpeza.

Problemas com polímero que protege a tela do Samsung Galaxy Fold estão entre as diferentes falhas encontradas no aparelho pela mídia especializada (Imagem: Twitter/Mark Gurman)

No caso do Galaxy Fold, a poliimida de flúor é usada na fabricação do que a Samsung chama de filme adesivo transparente, uma camada de proteção que é colocada sobre a tela OLED dobrável e é capaz de se movimentar sem perder a aderência ou formato. O celular encontra problemas de funcionamento caso esse componente seja arrancado e, recentemente, a fabricante disse ter encontrado uma alternativa para não apenas evitar isso, mas também garantir que ele se mantenha íntegro com o uso diário.

Entra em jogo, então, uma questão que começou na Segunda Guerra Mundial. A Coreia do Sul tem, em andamento, um processo de reparação contra o Japão devido à escravização de seus cidadãos em fábricas nipônicas durante o conflito, nos territórios do país vizinho que ainda pertenciam ao Japão na época. Enquanto os lados não chegam a um acordo, a Suprema Corte sul-coreana impôs o pagamento de uma indenização de US$ 92 mil a 25% de sua população, como compensação pelos danos causados pelo domínio imposto há mais de 60 anos.

Insatisfeito com a dificuldade em chegar a acordos e, principalmente, formar um comitê de países neutros para lidar com a questão, o Japão decidiu partir para o ataque e removeu a Coreia do Sul de uma lista de “países brancos”, que possuem tratamento especial no processo de importação, pagando menos impostos ou recebendo produtos que, de outra maneira, teriam venda proibida. Além da poliimida de flúor, outros componentes de alta tecnologia, metais especiais e máquinas também tiveram exportação proibida para o vizinho.

A Samsung ainda não se pronunciou sobre a questão, enquanto a imprensa especializada aponta para uma alternativa, a Kolon, a única empresa da Coreia do Sul responsável pela fabricação das películas transparentes. Não se sabe de que maneira ela será afetada pelo banimento imposto pelo Japão e nem se sua capacidade de entrega do componente será suficiente, já que ela também está envolvida nos esforços da Motorola e da Royole com aparelhos de telas dobráveis. Ela também não falou sobre o assunto.

Fonte: Phone Arena

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