Análise: Motorola Moto X Play, um "super intermediário"

Por Pedro Cipoli
photo_camera BRUNO HYPOLITO / CANALTECH

Em 2015, a Motorola fez uma ligeira alteração na segmentação dos seus smartphones. No começo do ano tivemos o lançamento do Moto E 2015, com uma configuração mais interessante e suporte ao 4G LTE, como aparelho mais básico da empresa. Agora, no segundo semestre, conhecemos o Moto G 2015, um modelo intermediário altamente customizável; o Moto X Style, um top de linha mais acessível; e o Moto X Play, nosso foco nesta análise de hoje e que transita entre um segmento e outro.

Construção

Com o lançamento do Nexus 6 em 2014, fabricado pela Motorola, a empresa já deu sinais de que iria aumentar o tamanho de tela de seus aparelhos, sendo o Moto G o único modelo que permaneceu com o mesmo tamanho. O Moto X Play agora vem com uma tela de 5,5 polegadas e bordas extremamente reduzidas, o que aumenta o aproveitamento de tela. Tal característica faz o aparelho ser um pouco menor do que os modelos que trazem telas de mesmo tamanho, de forma que muitos conseguirão utilizá-lo com apenas uma das mãos.

O tamanho de bateria não foi sacrificado (algo cada vez mais raro), embora o telefone seja um pouco mais grosso do que a média, com 10,9 milímetros na região central e diminuindo até chegar nas bordas. Isso significa que ele não é um modelo desajeitado, já que essa traseira curvada combinado com uma tampa removível e texturizada com um padrão de losangos que faz com que ele fique firme nas mãos, ganhando uns bons pontos de ergonomia.

  • Peso: 169 gramas

As bordas, que agora são de plástico, foram estendidas até pegar uma parte da região traseira e o resultado é excelente, ainda mais combinado com o detalhe metálico na parte de trás que pega a região da câmera e do flash em dois tons com uma logo em baixo relevo da Motorola. É possível customizar a tampa traseira e essa peça metálica ao estilo Moto G 2015 através do Moto Maker, assim como escolher uma nova combinação posteriormente.

Moto X Play - Screenshots

Moto X Play - Screenshots

Moto X Play - Screenshots

Vale ressaltar a diferença de certificação entre o Moto X Play (IP57) e a presente no Moto G 2015 (IPX7). Ele não pode ser submergido, já que é uma certificação contra respingos de água, ou seja, consegue sobreviver sem problemas a chuvas, assim como derrubar um copo de água em cima dele, sendo algo semelhante ao que acontece com o Moto Maxx (ainda que por motivos diferentes), o que já previne os acidentes aquáticos mais comuns.

Tela

O Moto X Play sofreu uma boa quantidade de críticas em relação à tela. De fato, quando a Motorola anunciou que ele viria com um display LCD TFT em vez do tradicional AMOLED sentimos alguns calafrios. Não resta dúvida que a qualidade recebeu um downgrade aqui, já que as cores não são menos saturadas e vívidas, assim como os ângulos de visão são perceptivelmente mais limitados, mas isso não quer dizer que se trata de uma tela ruim.

A densidade de pixels de 401 pontos por polegada quadrada está de acordo com o seu posicionamento de preço, já que a resolução é 1920 x 1080, com fontes bem renderizadas e uma qualidade geral de imagens satisfatória. Não vamos mentir que esperávamos pelo menos um display IPS, já que praticamente qualquer concorrente direto do Moto X Play possui pelo menos isso (aliás, mesmo modelos bem mais baratos), mas, segundo a Motorola, foi uma escolha pensada em reduzir custos.

Resumindo, analisada individualmente, trata-se de uma tela excelente, mas está claramente em posição de desvantagem quando colocada de lado com os modelos que já estão no mercado. Para fechar o conjunto, há a proteção Gorilla Glass 3 contra riscos e arranhões, que garante uma proteção extra contra pequenos acidentes.

Configuração

Outro ponto onde a Motorola reduziu custos foi na configuração, para nós um dos principais quesitos que faz a versão Play do Moto X ser um “super intermediário” em vez de um modelo avançado. O chip é o Snapdragon 615, com quatro núcleos rodando a 1,7 GHz e outros 4 rodando a 1,0 GHz, todos eles baseados nos núcleos de economia de energia 64 bits da ARM (Cortex-A53), pareados com 2 GB de memória RAM e GPU Adreno 405.

Moto X Play - Screenshots

Moto X Play - Screenshots

Moto X Play - Screenshots

Não é um chip ruim, mas mostra a ausência de lançamentos significativos por parte da Qualcomm, já que o Android não tira proveito de tanto paralelismo e a eficiência por núcleos é perceptivelmente baixa. A capacidade de processamento assíncrono, uma das marcas de destaque dos núcleos Krait das gerações anteriores, também não está presente aqui, de forma que os 8 núcleos ficam ligados quase 100% do tempo, mostrando, também, uma falta de gerenciamento de energia mais eficiente.

Moto X Play - Screenshots

Moto X Play - Screenshots

Moto X Play - Screenshots

O Android 5.1.1 Lollipop de fábrica é praticamente puro, uma das assinaturas da Motorola, e alivia bastante a configuração, que é capaz de rodar a maioria dos apps e jogos da Play Store sem grandes problemas e aumenta a responsividade geral do sistema. Não tivemos problemas com o multitarefas e quase não há travamentos, além de ser um smartphone que roda frio na maioria das situações.

Moto X Play - Screenshots

Moto X Play - Screenshots

Moto X Play - Screenshots

A versão que recebemos conta com 32 GB de armazenamento interno, dos quais cerca de 25,5 GB ficam disponíveis para o usuário, já que não há bloatwares e jogos estúpidos como geralmente acontece com modelos com interface gráfica customizada. Algo extremamente bem-vindo, e ausente nas gerações anteriores do Moto X, é a possibilidade de expansão via cartão microSD de até 128 GB.

Câmera

Um dos pontos onde a Motorola mais dedicou tempo durante a apresentação dos seus novos modelos foi a melhoria de câmera, algo que os modelos da empresa, mesmo os tops de linha, geralmente ficavam abaixo do esperado. De fato, o Moto G 2015 teve um belo ganho nesse quesito, usando o mesmo sensor presente no Nexus 6. O Moto X Play também ficou melhor, comparado à geração anterior, mas ainda ficou abaixo do esperado em relação a concorrentes diretos de preço, como o Xperia M4 Aqua da Sony e o Zenfone 2 da ASUS.

Moto X Play - Fotos
Moto X Play - Fotos
Moto X Play - Fotos
Moto X Play - Fotos

A câmera traseira usa o mesmo sensor de 21 megapixels utilizado no Moto Maxx (foco f2.0), contando com flash em dois tons e ausência de suporte a vídeos em 4K provavelmente por uma limitação de GPU. As fotos, em geral, são muito boas até mesmo de noite, assim como os vídeos até 1080p. Contudo, ainda assim não melhorou o suficiente para corresponder ao que esperávamos e certamente está longe de oferecer o ganho de qualidade como vimos no Moto G 2015.

Moto X Play - Fotos
Moto X Play - Fotos
Moto X Play - Fotos
Moto X Play - Fotos

Já a câmera frontal melhorou bastante, seguindo a tendência das empresas de focar em selfies. Essencialmente, trata-se da mesma câmera de 5 megapixels presente no Moto G 2015, o que é ótimo, já que ela é capaz de tirar fotos de excelente qualidade e habilita algumas opções extras de “maquiagem virtual”. Outra característica importante é a capacidade de capturar vídeos em 1080p durante conversas via Skype.

Extras e som

A lista de extras do Moto X Play é outro indício de um downgrade de segmento, onde destacamos a ausência do padrão AC de conectividade Wi-Fi, padrão BeiDou de GPS e uma versão simplificada do Active Display, que nos pareceu menos responsivo do que o que experimentamos no Moto X 2014.

  • Suporte para dois chips padrão nano-SIM, um deles com conectividade 4G LTE categoria 4 e com suporte a dual stand-by;
  • Wi-Fi de banda dupla nos padrões A, B, G e N com suporte a roteador;
  • Bluetooth 4.0 LE e A2DP;
  • GPS com A-­GPS e GLONASS;
  • Rádio FM com possibilidade de gravar streaming de áudio;
  • NFC;
  • Microfone dedicado para cancelamento de ruído;
Moto X Play - Screenshots

Moto X Play - Screenshots

Moto X Play - Screenshots

Assim como o Moto G 2015, o Moto X Play vem com somente uma caixa de som capaz de produzir áudio mono, mas, apesar disso, a qualidade é acima da média. O microfone incluso na embalagem é o mesmo do Moto X 2014, com qualidade compatível para o segmento.

Bateria

Com 3.630 mAh de capacidade, o Moto X Play tem uma das maiores baterias entre os modelos de 5,5 polegadas, desconsiderando as raras exceções como o Zenfone Max (5.000 mAh), ou mesmo modelos menores, mas com capacidade fora da curva, como o Moto Maxx (3.900 mAh). Apesar disso, a autonomia não é muito diferente dos concorrentes, em parte pelo maior consumo de energia da tela, que não tem a capacidade de ligar pixels individuais como telas AMOLED.

Outro ponto é a ausência de um sistema de gerenciamento de energia mais eficiente, algo que sentimos falta nos modelos da Motorola há tempos. Por contar com 8 núcleos que ficam ativos na maior parte do tempo, a autonomia é apenas um pouco maior do que modelos com capacidade de 3.000 mAh, enquanto modelos com capacidades menores conseguem ficar até 2 dias fora da tomada, caso do Xperia Z3 (3.100 mAh).

De qualquer forma, apesar de falta de um gerenciamento melhor, é possível ficar um dia inteiro fora da tomada com tranquilidade, mesmo com uso pesado. A Motorola inclui o TurboCharger 15 (15 watts) na embalagem carregando o aparelho completamente em pouco mais de 2 horas

Conclusão

A Motorola anunciou o Moto X Play pelo preço sugerido de R$ 1.399 na versão de 16 GB e R$ 1499 com 32 GB de armazenamento, sendo possível customizar a aparência do smartphone através do Moto Maker. O custo-benefício diminuiu em relação a versão 2014, mas ainda assim é um dos aparelhos mais bem posicionados do mercado, já que em 2015 os preços de todos os smartphones aumentaram bastante.

É um aparelho que dificilmente decepcionará o usuário que busca uma boa relação custo-benefício, mesmo com o perceptível “downgrade de segmento” que não chega a ser um problema. Um intermediário de qualidade de 2015 (ainda mais um “super intermediário”, no caso do Moto X Play) consegue ser tão interessante quanto um modelo avançado anunciado no começo de 2014, atendendo a todos os quesitos que um consumidor mais hardcore procura sem deixar o 4G de lado, além de trazer 32 GB de memória interna.

Vantagens

  • Considerando o conjunto, tem uma excelente relação custo-benefício;
  • Tela de qualidade, apesar de contar com uma tecnologia mais simples;
  • Construção que não peca pela falta de qualidade, além de contar com um bom poder de customização e certificação IP57;
  • 32 GB de memória interna com suporte para cartões microSD;
  • Bateria com capacidade acima da média;
  • Android atualizado de fábrica praticamente puro, altamente responsivo e sem bloatwares;

Desvantagens

  • Sofreu um “downgrade de segmento”;
  • Falta um gerenciamento mais avançado de energia;
  • Câmera traseira abaixo do esperado.
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